Ontem à noite

 
Ontem a noite foi rápida, em lentos sussurros, prolongados gemidos. Pegou-me pelos cabelos, deitou-me no chão, cobriu-me o corpo com seu peso. Sugou meus suores, aspirou meus ais, extraiu meus suspiros. Penetrou minha alma, explodiu minhas entranhas, preencheu-me com seu prazer. Provocou meus vulcões, atravessou meus terremotos e me matou três vezes. Meu corpo, entregue, deixou-se manipular, revirar, penetrar. Meus fluídos, todos, explodindo em longos sussurros, reduziram-se em gritos loucos até que o cansaço da travessia de mares revoltos me deixasse alí, qual marionete sem quereres, entregue às suas mãos experientes, que me presenteavam carinhos, recompunham minhas vestes rasgadas, passeavam lentamente sobre minha geografia. Seus lábios experientes, sussurrando-me estrelas, provocavam-me arrepios na nuca, umedeciam meu corpo e deixaram-no pronto para um breve sono reparador.

Ontem a noite foi longa. Cheguei normalmente, acariciei seus cabelos e o calor do seu corpo, colando-se ao meu extraiu-me um longo suspiro, levantou-me os instintos, levando-nos diretamente ao chão. Meu peso foi leve ao seu corpo entregue aos meus suores que se misturavam aos seus. Seus ais penetravam minha boca gulosa, seus suspiros imploravam pela posse imediata. Suas entranhas se abriram, liberando vulcões, provocando terremotos, em ondas sísmicas de intensidade inesperada. Minhas mãos ávidas manipularam seu corpo febril, meus músculos retesados preencheram seus vazios, nossos corpos unidos rolaram pelo chão, enquanto todos os fluídos explodiam em nosso vôo rumo ao espaço, liberando constelações de prazer retido, explodindo novas estrelas no firmamento escuro. Débeis sussurros se transformaram em gritos roucos que meus lábios absorviam na forma de seiva jorrando do seu corpo em espasmos. Sua pele em arrepios formava cachoeiras de humores que meus lábios ressecados absorviam como néctar, enquanto nossos corpos enlanguescidos e satisfeitos se entregavam, em lentos extertores, a um breve sono dos mortos, logo mais ressucitados, prontos para novo embate, para novas emoções, para novos encontros.

Ontem a noite foi curta em sua canção de amor total e incondicional, entre dois seres que se amam, se desejam, se completam. Seus gritos roucos confundiam-se com a cançao dos oceanos profundos, se perdiam entre os sons do espaço e sua dança erótica enrubescia as estrelas mais novas,
provocava suspiros entre os astros mais antigos e detonavam multicores explosões cósmicas, mergulhando nas profundezas oceânicas, levantando ilhas submersas, separando continentes, eruptando extintos vulcões. Seus ais acordaram os anjos, seus uis provocaram revoadas de flamingos nos confins da terra e seus gozos se transformaram em cachoeiras de prazeres e dores profundas, liberadas num sono de quase-morte que logo se transformaria num novo hino ao amor cantado baixinho, nos ouvidos um do outro, enquanto seus flancos se arqueavam em novos arrepios e suas peles ardiam em febres de desejos longamente represados, agora liberados.

Ontem, a noite foi longa... feita de minutos intermináveis, de canções inacabadas, de tremores incalculáveis, de ais doloridos e sentidos no mais íntimo dos seus seres.
 
 
 
foto = simonjaDB_landschaften01


 Zeca07 - 23h18
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UPS!!!  
FALHA NOSSA!!!
 
Preciso confessar uma falha desagradável. O último post, "PARCERIA CIVIL E ADOÇÃO DE CRIANÇAS POR CASAIS HOMOSSEXUAIS", como bem notou o amigo Bené, já havia sido publicado em 14/9/2005. Sei que não deveria ter acontecido, mas vou dar uma explicação a todos os que leram e, principalmente, àqueles que o comentaram.
 
Eu tenho uma espécie de "depósito" de assuntos e textos, alguns como simples idéias, outros em elaboração e alguns, já elaborados. Às vezes faltando algum detalhe, às vezes uma complementação de pesquisa. Assim que publico um dos textos desse "depósito", acrescento ao título "Publicado" e envio para o arquivo, embora o mesmo já esteja no blog. Nesse caso, por alguma falha minha, não fiz isso e o texto ficou lá, entre os outros, como se também estivesse à espera de publicação.
 
No último dia 18, dando uma examinada nesses textos, achei-o pronto e, embora algo me insinuasse que já houvesse sido publicado, não fiz a pesquisa necessária e acabei publicando-o novamente. É que se trata de um assunto que tem sido motivo de diversos debates ultimamente e, como acabei gastando algum tempo fazendo as pesquisas necessárias para a elaboração do mesmo, acabei achando que não havia publicado e, antes que envelhecesse, resolví postá-lo.  Por isso peço desculpas a todos; pela falha e pela aparente displicência. Como atenuante, várias pessoas que não o leram há dois meses, acabaram lendo-o agora e tiveram a oportunidade de deixar suas opiniões a respeito, já que o tema é muito controvertido e capaz de gerar enormes discussões.
 
Aproveito para deixar meus agradecimentos aos comentários deixados por: Mariah, Sonia, Drika, Jane, Lulu, Anne, Hebe, Keila, a Loba, Ana, Alex, Loba, Ju, Débora, Cherry, Márcia(clarinha) e, claro, ao Bené que me alertou sobre a duplicidade na publicação.
 
 
AROMAS & PALADARES
 
"O que torna um alimento verdadeiramente nutritivo para o homem são suas forças aromáticas cósmicas, que lhe permitem criar o substrato material da consciência.
Aroma e paladar, fundamental para uma boa alimentação,
que nos harmoniza com as forças cósmicas. 
É muito importante fazermos os alimentos com amor, prazer,
pois só assim alimentaremos o corpo e alma."
 
A minha amiga muito querida, Bruxa Anne [ http://casadabruxa.blog.uol.com.br ], tem um cantinho delicioso, com textos, frases, poemas ilustrados com carinho e muito bom gosto. Cada visita que lhe faço é como se desse um passeio pela floresta, de onde saio revigorado e com uma saudável sensação de bem estar. É uma pessoa encantadora e suas palavras transbordam carinho. Só por isso ela já merece uma visita.  
 
Agora ela resolveu abrir um novíssimo espaço [ http://aromasepaladares.zip.net ] , totalmente dedicado à alimentação com orientação antroposófica. As receitas publicadas são as que ela usa e aprova em sua cozinha e parte dos ingredientes, são colhidos em sua própria horta. Por enquanto, foram publicadas apenas duas receitas que me deixaram com água na boca: na primeira, nos ensina a preparar uma sopa de alcachofras, que, confesso, fiquei completamente doido de vontade de provar. E a segunda é um molho "Pesto", que é um "molho frio para se adicionar ao macarrão quente." Imagine a delícia que é a mistura de alho, manjericão e salsinha frescos, com nozes ou castanhas de cajú, queijo parmesão e azeite de oliva, tudo muito bem dosado. Acho que vou pra cozinha preparar um já... e para quem curte cozinhar ou apenas saborear deliciosos pratos, tenho certeza de que vale a pena ficar de olho neste novo espaço.
 
E por hoje é isso...
 
Minhas desculpas pela duplicidade na publicação e a indicação dos dois blogues da tão querida Anne.
 
Fiquem com meu carinho e o meu abraço amigo
 


 Zeca07 - 20h27
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PARCERIA CIVIL E ADOÇÃO DE CRIANÇAS POR CASAIS HOMOSSEXUAIS
 
Dando sequência a assuntos atualmente em debate por, senão toda, pelo menos parte da sociedade civil, vamos destacar hoje a parceria civil registrada e a adoção de crianças por casais gays.
 
O Deputado Roberto Jefferson (aquele mesmo!), que foi relator do projeto de autoria de Marta Suplicy, que tem a finalidade de regulamentar a união estável entre pessoas do mesmo sexo, apresentou um substitutivo ampliando as disposições daquele projeto. O Pacto de Solidariedade, inspirado em projeto semelhante francês, é expansivo a casais de qualquer sexo. Tramitando desde 1995 pela Câmara dos Deputados sem ser votado, que voltou a ser comentado quando o discutível então presidente da Câmada, Sr. Severino Cavalcanti prometeu incluí-lo na agenda de agosto, sem, claro, cumprir mais essa promessa.
 
Esse projeto busca assegurar a duas pessoas do mesmo sexo o reconhecimento de sua parceria civil registrada, com a proteção dos direitos à propriedade e à sucessão, constituindo-se mediante registro em livro próprio nos Cartórios de Registro Civil. O parceiro terá, entre os demais direitos, o de ser considerado beneficiário do Regime Geral de Previdência Social, na condição de dependente do segurado, com direito, inclusive, à pensão no caso de falecimento do outro. Ficam garantidos também os direitos à sucessão, limitados ao usufruto da quarta parte dos bens, se houver filhos do parceiro morto; à metade dos bens se não houver filhos e à totalidade da herança na falta de descendentes e ascendentes. E, caso os bens deixados resultarem de atividade em que haja colaboração do parceiro sobrevivente, este terá direito à metade dos bens. Ainda reconhece o direito de composição de rendas para aquisição da casa própria e todos os direitos relativos a planos de saúde e seguro de grupo.
 
E por quê precisam os homossexuais lutarem para terem seus direitos reconhecidos por lei? Estes direitos têm sido reclamados há muito tempo pela maioria das pessoas homossexuais, que buscam garantir seus relacionamentos estáveis, já que a grande maioria da população não respeita as diferenças, discriminando-os e excluindo-os de quase tudo o que não sejam "obrigações". As pessoas cujas orientações sexuais são diferentes das convencionais sofrem todo tipo de restrição, desde olhares enviezados, piadinhas de mau gosto, até atos discriminatórios abertos, como perda de emprego, expulsão da casa paterna, proibição de frequentar determinados lugares públicos e tantos outros. A cultura cristã que impera no planeta "se esquece" de que essas pessoas vivem, estudam, trabalham, interagem com outras e, além de tudo, contribuem com a vida em sociedade consumindo, pagando taxas e impostos e, muitas vezes prestando serviços de extrema importância para a comunidade. São profissionais, ocupando desde os mais humildes postos, até professores, médicos, engenheiros, cientistas e até mesmo políticos, entre tantas outras profissões que não selecionam opções sexuais para poderem ser exercidas. 
 
E assim como estão reivindicando o direito de registrar seus relacionamentos estáveis, buscando mais respeito e garantias para suas opções, passaram também a exigir o direito de poderem formar uma família, com o direito de criarem filhos, através da adoção de crianças. 
 
Eu não tenho uma opinião formada a respeito destes assuntos, embora o tenha quanto ao direito à adoção de crianças. Nossa Constituição já permite que pessoas solteiras adotem crianças, logo, não vejo maior problema que crianças também possam ser adotadas por casais homossexuais, sejam eles casados ou não. Existem milhares de crianças em orfanatos à espera de uma família, pois não têm nenhuma. Sabemos que existem orfanatos que procuram fazer o melhor pelas crianças sob sua responsabilidade, assim como também existem muitos que não deixam de ser simplesmente um depósito de crianças, sem os mínimos cuidados necessários. Sem contar as ruas, que estão repletas de meninos e meninas sem um lar estruturado, sem uma família com condições mínimas de oferecer-lhes o básico para sua formação como seres humanos. Logo, não vejo motivo algum para negar a essas crianças todas a possibilidade que um casal, convencional ou não; assim como uma pessoa solteira, lhes possam abrir através da adoção. Parto do princípio de que, se alguém se dispõe a procurar uma criança para adoção, ela possua, no mínimo amor, afeto, carinho para dar àquele ser em formação. 
 
E você? Tem opinião formada sobre estes assuntos? Qual a sua opinião a respeito?
 
 
AMIGOS
 
Até agora há pouco estava com meu pc infestado por uma praga de um vírus que não conseguia deletar. Precisei chamar ajuda especializada. Felizmente já estou livre e pronto para voltar à blogosfera.
Pouco a pouco irei colocando em dia as visitas aos amigos.
 
Abraços.


 Zeca07 - 21h00
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UM ESTRANHO NO ESPELHO?!
 
Hoje pela manhã, a imagem refletida pelo espelho do banheiro deu-me a sensação de alegria e satisfação que sentimos diante de um rosto jovem, traços fortes emoldurados por bem tratados cabelos castanhos aloirados. O sorriso fácil e olhos brilhantes davam àquela imagem uma aura de juventude em busca de grandes realizações vida afora.
 
Após o banho, ainda envolto pelo aroma do sabonete, meus olhos se detiveram novamente na imagem refletida pelo espelho. Os olhos, ainda brilhantes, emoldurados por pequenos vincos em seus cantos externos e algumas rugas de expressão marcando a testa alta. O sorriso revelava lábios estreitos sob dois vincos que desciam das bases do nariz e terminavam nos cantos da boca. Os cabelos começavam a perder o tom dourado, ganhando fios brancos, o que lhes dava um leve tom prateado. A esperança da juventude cedera vez à austeridade da maturidade, com seus compromissos e obrigações.
 
Apertei o tubo de creme dental sobre a escova e desviei a atenção ao ato de higienização da boca, consumindo aí alguns minutos. Terminado o processo, ao passar a toalha pela boca para secá-la, percebí na imagem refletida que a barba, totalmente grisalha, precisava ser feita. Preparei a espuma e o aparelho de barbear enquanto, vez ou outra, ousava dar uma espiada naquele rosto quase estranho que me fitava de volta. Cabelos ralos e totalmente prateados emoldurando um rosto de traços fortes, amenizado por olhos vincados sob uma testa alta carregada de rugas de expressão. Abaixo dos olhos, duas bolsas de gordura davam um ar de cansaço ao rosto que exibia lábios finos e cerrados, sem a sombra de um sorriso.
 
Terminado o ato de barbear-me, enquanto passava as mãos pelo rosto para certificar-me de que não havia escapado do aparelho nenhum fio branco de barba, uma leve sensação de satisfação devolveu ao olhar da imagem que me fitava através do espelho, um leve brilho enquanto seus lábios, ainda apertados, se alargavam num arremedo de sorriso. Bem espalhado nas mãos, o gel pós barba provocou-me uma sensação de conforto e frescor ao ser delicadamente massageado sobre meu rosto.
 
O estranho do espelho voltou a sorrir-me. Já era, agora, o sorriso doce e algo cansado de um ancião. Os poucos cabelos totalmente brancos precisavam ser penteados e as sobrancelhas igualmente brancas exigiam ser aparadas para não embaraçar o olhar direto e bondoso com que os olhos apertados insistiam em me fitar diretamente. Penteei cuidadosamente os cabelos e quando apanhei a tesourinha, tive a sensação de perceber um sorriso agradecido entreabindo os lábios envoltos em rugas, deixando mais leve o conjunto de expressões que formava aquele rosto tão envelhecido.
 
Com cuidado, aparei as sobrancelhas, alguns pelos que saiam de dentro do nariz e outros que, teimosamente, saiam pelas cavidades das orelhas. Enquanto isso, permití que meu olhar indiscreto examinasse a papada sob o queixo e, um pouco mais abaixo, os cabelos brancos que cobriam o peito do estranho no espelho, descendo sobre um abdômen um pouco proeminente. Os gestos com que ele procurava imitar os meus eram mais lentos e mostravam certa insegurança.
 
Um pouco constrangido com a minha própria indiscrição, esbocei um sorriso de desculpas e virei-lhe as costas. Saí do banheiro, soltei a toalha que cingia meu corpo e, com alguma dificuldade calcei meias brancas, vestí a cueca (sempre samba-canção) e, em seguida a calça jeans levemente desbotada e um pouco apertada na cintura. Sentei-me na beirada da cama para calçar os tênis com a ajuda de uma calçadeira e, por último, uma camisa polo amarelo claro cuja etiqueta interna mostrava o tamanho G.
 
Antes de deixar o quarto não esquecí de colocar em um porta-comprimidos os diversos que tomaria junto com o meu café da manhã. E ainda precisei voltar, pois havia esquecido de colocar entre os demais, aquele que mantém minha pressão arterial sob controle.
 
Esbocei um sorriso, fixei-o à boca e dirigí-me à cozinha onde minha esposa me aguardava pacientemente para, juntos, iniciarmos mais um dia destes nossos quase sessenta anos de casamento. Ao seu lado, sobre a mesa posta, uma caixinha de comprimidos.


 Zeca07 - 16h28
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Apresentação: Numa de nossas viagens pelo céu da boca, a Dira ( http://www.madamemin.zip.net ) e eu decidimos que precisávamos de um filho, que nos trouxesse alegrias, sorrisos e muitos sonhos. Assim foi que, em meio a gemidos de prazer, cabelos desfeitos e muitos beijos na boca, tudo provocado por imensa paixão, geramos nosso rebento, o qual tenho, neste momento, o enorme prazer de apresentar. Corujas que somos, o achamos lindo, simpático, inteligente, enfim... com todos os pré-requisitos que se espera de um filhote querido. Agora venham, e conheçam nosso Amor em Quatro Atos!
 

pés da Madame Min, Foto Dira Vieira
 
Amor em Quatro Atos
 
1º Ato:
 
Estava hipnotizado. Nem conseguia dirigir direito o meu velho calhambeque, pois ela, semvergonhosamente, havia esticado as pernas e apoiado seus lindos pézinhos sobre o porta luvas. A saia, vermelha e molenga, escorregara um pouco, deixando entrever parte das coxas roliças. Mas aqueles pézinhos... me faziam voar com minhas mais íntimas fantasias. Eram pés fartos, com dedos roliços enfeitados por unhas bem feitas e tingidas de um vermelho profundo, que incitava à paixão. Meus olhos insistiam em admirá-los, em profaná-los com os mais pornográficos pensamentos. Meus lábios se umedeciam ao simples pensamento de beijar, lamber, sugar, cada um daqueles dedinhos enfeitados de vermelho. Mas havia também a extensão deles. As pernas cheinhas que terminavam nos joelhos redondinhos onde se iniciavam aquelas coxas... ah! Aquelas coxas!
 
2º Ato:
 
Enquanto ele dirigia eu sonhava. Pés sobre o console do carro. Unhas vermelhas e os desejos explodindo na pele. Ele cantarolava uma canção. Eu fingia que entendia, mas tudo nele era intelectual demais. Eu bem que me esforçava para acompanha-lo, mas não conseguia. A única coisa que eu traduzia, e modéstia à parte muito bem, era quando ele me olhava com aqueles olhos lânguidos, de boca miúda, e mãos  que me dedilhavam surpresas. Sei que os meus pés sobre o console do carro o perturbavam. E eu gostava disso. Ele era o meu não e a minha revolta. Quando queria sumir do mundo, era ele que eu seduzia. Brincava com os seus sentimentos, provocava-o, deixava-o maluquinho e depois me fingia de morta. Gostava de vê-lo babando, desejando, quase implorando por meus carinhos. Isso me excitava.  No fim, eu sofria por pouco entender o que ele me dizia enquanto fazíamos amor. Ele murmurava palavras em outra língua e a única que eu entendia, era a sua entre os meus dedos dos pés. Nunca, língua mais doce me traduziu.
 
3º Ato:
 
Mão boba, solta no espaço, subia-lhe por entre as pernas, extraindo suspiros sussurrados, olhos semicerrados, gotas de prazer inundando-a sem licença. Arrepios eriçavam sua penugem, na mesma velocidade que o carro ganhava espaço na estrada tranquila e longa. Seus pés convidavam meus lábios lascivos a beijos úmidos escorridos de boca miúda. Seus segredos, ainda sob o rubor da saia molenga clamavam pelos meus dedos e minhas surpresas. Seu corpo tremia, não pelos buracos da estrada, mas pelos desejos contidos, escondidos. Talvez ela não me desejasse. Mas eu não resistia à sua doce sedução e aparente entrega. Parei o calhambeque à beira da estrada deserta, sob o amarelo de um ipê e meus lábios se aproximaram daquelas unhas vermelhas que me convidavam a vôos perturbadores. Ao toque dos lábios ávidos, um bando de aves levantou vôo no horizonte...
 
4º Ato:
 
Brincando com os pensamentos dele e fotografando os próprios pés, irritei-me quando estacionou às margens da estrada. Nunca gosto quando ele interrompe os meus vôos. Como um animal com fome, ele me invade por todos os poros. Mãos, dedos, e logo logo, sou apenas estrada por onde ele passeia sua fome. Em pouco tempo, pouquíssimo tempo, voltamos ao mundo dos mortos vivos. Ele se arruma, retoma a direção e voltamos para a estrada fantasiando o outro, como assombração. Talvez eu o ame. Talvez eu seja a sua sombra. Na verdade, o amor nos suporta e as nossas almas possuem o mesmo nome.
 
Dira Vieira / Zeca
 
 
 
 
Após a apresentação do nosso querido filho, deixo-o aninhado no colo da mãe, pois preciso ausentar-me novamente por alguns dias. Amanhã bem cedo retorno a São Paulo. Desta vez para cuidar de várias coisas, como a entrega do apartamento que vendí, fazer a mudança definitiva dos meus pais prá cá (eles vieram em dezembro passado, mas até agora os móveis continuam lá...), fazer algumas compras necessárias para continuar tocando a loja, entre outras coisinhas. Desta vez não irei a nenhum médico, até mesmo porque não terei tempo pra isso. A visita ao cardiologista ficou prorrogada para outra viagem, que deverá acontecer ainda antes do final de novembro. Aí será apenas pra cuidar de mim... até a volta!


 Zeca07 - 15h50
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REMINISCÊNCIAS - parte III
 
 
Encontrei ainda outra foto, onde eu estava sentado ao lado de uma garota bonita, com um shortinho que revelava belas pernas adolescentes. A pedra talvez fosse a mesma onde me deitei para tirar a outra foto, pois se vê, ao fundo, o mar quebrando nas pedras. Não conseguí lembrar o nome da garota, mas sei que foi uma namoradinha de férias. Seus pais estão em outra foto, com os meus, sentados à volta de uma mesinha e à sombra de uma árvore no jardim do hotel. Mas acho que o nosso namoro foi como a pose da foto. Minha mão, tímida, segurava a dela, embora os corpos parecessem repelir-se discretamente. Talvez esse namorico não tenha rendido nem ao menos um beijinho, pois não me lembro de nada. 
 
Vendo essas fotos, fui percebendo que crescer é uma espécie de evolução pessoal que vai acontecendo lentamente, sobrepondo acontecimentos, experiências e sentimentos. A somatória disso tudo vai formatando nosso caráter.  Não creio que tenha me sentido alguma vez verdadeiramente feliz. Eu sempre me sentí meio deslocado no meio dos outros garotos, daí a vontade de refugiar-me no meu cantinho, protegido pelos livros, papéis, tintas e pincéis. Na verdade, ao mesmo tempo em que meus pais não se separavam e tentavam manter aquela aparência de família feliz, talvez para proteger-nos, eu mesmo não me enturmava e criava uma espécie de barreira com as outras pessoas para estar mais disponível, na tentativa de protegê-los de sí mesmos.  Eu sabia que existia dentro de mim uma espécie de busca interior, de tentativa de me conhecer melhor, de saber quem eu era e quem poderia vir a ser. Mas abafava essa inquietude e me mantinha em pose para uma foto, cabelos penteados, sorriso nos lábios e aparência séria e bem comportada.
 
O exame dessas fotos me fez perceber que, mesmo em meio às outras pessoas, eu não me encaixava perfeitamente naquele lugar. Na verdade, eu não era dalí. Apenas estava alí, posando como os outros. O sorriso nos lábios não era de felicidade, era um sorriso burocrático, apenas para parecer bem na foto. A minha busca era muito mais interna, profunda: eu procurava por mim mesmo, esse ser absolutamente desconhecido que passava por uma transformação, estava se transformando numa pessoa adulta, mas não tinha a menor idéia de quem era, de qual era o seu papel naquela família de fotografias. E no futuro? Como agiria esse jovem desconhecido, quando constituísse a sua própria família? Como seu pai - um bom homem, com alguns ataques de violência? Como sua mãe - uma linda mulher, boa mãe, mas com um espírito mais livre, com ataques de insubmissão? Ou conseguiria juntar as qualidades dos dois, descartar os defeitos e construir um homem íntegro, honesto e sem  resquícios da hipocrisia que testemunhou durante toda a sua infância e adolescência? 
 
O mais engraçado de tudo é que nesse álbum, com tantas fotos do nosso núcleo familiar, não tem nenhuma de festa! Embora as tenhamos tido, e muitas! Nossa casa era grande, um sobradão com enorme garagem, onde costumavam reunir os tios, tias, primos e primas, além de um ou outro amigo. Eram festas de Natal, de Reveillon, de aniversário. Muitas coisas aconteciam nessas festas; algumas engraçadas, outras nem tanto. Também se desenrolavam pequenos dramas familiares, sempre "resolvidos" pelos "homens da família". Os saldos dessas festas eram (creio) positivos, pois elas se repetiam. Só não entendo porque não tiravam fotos!
 
Mas acredito que o verdadeiro saldo de tudo isso é ser hoje o que sou. Quando me descobrí como pessoa, passei a determinar o que queria, a ser mais independente, a fazer minhas próprias escolhas. Quando decidí que iria trabalhar criei um drama familiar, com chiliques da minha mãe e total desatenção por parte do meu pai. Fui trabalhar e estudar à noite. Tinha meu próprio dinheiro e não dependia de mesada para comprar o que quisesse ou precisasse. Namorei muito, mas me apaixonei pouco. Tive alguns relacionamentos - não muitos - um arremêdo de casamento e um filho que, por decisão do pai da moça eu nunca cheguei a conhecer. Esta história chega a chocar algumas pessoas, mas um dia talvez eu a conte em seus mais sórdidos detalhes. Fiz todas as experiências que decidí fazer, com pessoas, com drogas, com viagens. Saí de casa, montei meu cantinho e nunca mais viví às custas de qualquer pessoa da família. Escolhí ser economista e administrador, fui um dos mais novos gerentes de área financeira, construí uma carreira de certa forma invejável. E quando me cansei de tudo isso, sem me preocupar com o futuro, chutei o balde e fui abrir uma lojinha de arte e artesanato em Paraty. De Paraty, direto para as montanhas sulmineiras, onde vivo até hoje. 
 
Mas essas são outras fotos, outras poses, outros flashes.   
 
 
A  T  E  N  Ç  à O
 
O próximo post será de festa!
Lá será apresentado o filho gerado pelas mais loucas paixões que nos dão,
à Dira e a mim, vida e luz, esperança e fantasia.
Paixões que nos permitem os mais loucos vôos pelo céu da boca.
E o mais sincero sentimento de amor e carinho.
 
ATÉ LÁ!  


 Zeca07 - 10h08
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AVISO AOS PADRINHOS
 
Dira e eu estávamos precisando de algo apaixonante, tipo descabelar, beijar na boca, descompassar o coração e, em um dos nossos voos pelo céu da boca, resolvemos fazer um filho. A gestação correu bem, com alguns probleminhas pelo caminho, mas nada que nosso amor não pudesse resolver. Então, o rebento está pronto para nascer e, por decisão da mãe, coube a mim a feliz tarefa de apresentá-lo ao mundo. Estamos preparando a festa e, dentro de poucos dias, ele estará aqui, lindo, com seu delicioso sorriso de covinhas, pronto para que todos o conheçam.
 
 
REMINISCÊNCIAS - parte II
 
 
Em outra foto, estávamos eu e meu irmão, de pés no chão de terra, com um calçãozinho e uma camiseta branca. Ambos seguramos algo nas mãos, mas não tenho a menor idéia do que seja. Sei que a foto foi tirada num terreno baldio que havia ao lado de casa e que meu pai e o vizinho mandaram limpar para que as crianças brincassem alí sem perigo de cobras, escorpiões ou mesmo cacos de vidro e outras coisas que pudessem nos machucar. Também era mais seguro à noite, por não permitir que eventuais ladrões de quintais nele se escondessem. E isso era numa das principais avenidas do bairro do Jabaquara, em São Paulo! Hoje, quase não dá pra acreditar que ainda outro dia existissem casas com terrenos baldios entre elas por alí. O engraçado é que, embora fôssemos dois garotinhos naquelas fotos, passados tantos anos ainda conservamos os mesmos traços fisionômicos. E o meu sobrinho mais velho é parecidíssimo com o meu irmão, enquanto o mais novo é a minha cara. Procurei fotos dos dois com idades semelhantes às nossas e... batata! Poderiam passar pelo pai e pelo tio tranquilamente.  
 
Em seguida encontrei uma foto da minha avó, sentada em uma pedra ao lado de uma tia muito gorda, numa praia de Itanhaém. Ambas estavam com um chapéu de palha protegendo-as do sol. Minha tia, com um lenço, ou echarpe, amarrando o chapéu sob o queixo e um óculos de sol protegendo os olhos. Minha avó com seu sorriso matronal irradiando bondade. Ambas usando vestidos leves, com os pés descalços sobre a areia úmida da praia e os tamancos seguros nas mãos. Saudades das duas, que já não estão mais entre nós.
 
Mais adiante, uma foto minha, deitado sobre uma pedra, o mar quebrando atrás. Os braços cruzados sob a cabeça, os olhos fechados e uma das pernas levemente arqueadas, talvez tentando disfarçar um volumezinho na sunga. Naquela época a gente costumava disfarçar essas coisas... que hoje se procura realçar... risos.  Eu deveria ter entre treze e quinze anos nessa foto. Era realmente um belo rapaz: corpo bem feito, coxas grossas e um peito razoável, complementados por uma carinha de garoto que revelava uma certa inocência. É óbvio que a foto foi posada! Como era costume naquela época. Olhando-a afloraram algumas lembranças daquela época. Nosso núcleo familiar era unido, parecia feliz, porém era bastante hipócrita. Meus pais não se davam bem, viviam brigando e, várias vezes, meu pai chegou a agredir fisicamente minha mãe. Mas para "os outros" era um casal feliz, uma família harmoniosa. Após vinte e cinco anos de casamento "de fachada", aproveitando que eu e meu irmão estávamos fora de casa (por motivos que não vêm ao caso, servimos o exército no mesmo ano), acabaram se separando após o pior de todos os "barracos" aprontados em casa. Quando cheguei em casa para passar o final de semana, minha mãe já estava com todas as suas coisas na casa de uma tia. Sobre isso tudo talvez fale em outra oportunidade. Voltando à foto e às lembranças, fiquei imaginando que tipo de férias haviam sido aquelas. Meus pais estariam "bem"? Ou apenas "socialmente" bem? Quem terá batido aquela foto? Em que estaria pensando quando alguém sugeriu que eu fizesse aquela pose sobre a pedra?
 
Não! Não éramos própriamente infelizes! Talvez um pouco desajustados, pois não comentávamos sobre o que se passava dentro de casa com absolutamente ninguém e até mesmo uma criança sente a diferença entre a verdadeira felicidade e uma apenas de fachada. Eu só consigo lembrar que não gostava muito de sair de perto do núcleo familiar; talvez para estar por perto caso explodisse algum arranca-rabo entre meus pais e eu, como sempre fazia, correria para junto da minha mãe para protegê-la de algum excesso mais violento por parte do meu pai. Eu não tinha muitos amigos e quando não estava no colégio ou estudando com colegas, estava em casa, desenhando ou lendo. Mais tarde essas preferências foram mudando, mas até meus dezesseis, ou dezessete anos era mais ou menos assim. Caseiro, leitor voraz (livros, gibís, bulas de remédios, folhetos de propaganda) e desenhista/pintor com alguma sensibilidade.


 Zeca07 - 17h05
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Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Livros, Cinema e vídeo, Pintura
Outro -
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  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
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