BREVE INTRODUÇÃO
 
Estas reminiscências foram inspiradas no texto INDEPENDÊNCIA OU MORTE postado pela minha amiga Mariah há algum tempo. Quando o lí, percebí que poderia criar algo a partir da análise de fotos antigas. Autorização pedida e concedida, deixei o texto dela descansando enquanto ia maturando a idéia, digerindo as lembranças, boas ou más, que inevitavelmente apareceriam. O início das minhas "reminiscências" mostra bem como tudo aconteceu: num dia em que acordei muito cedo, sem nada para fazer, fiquei vagando pelo apartamento à procura de algo que me entretivesse e, como fosse uma bela manhã de sol, acabei sentado na varanda com alguns álbuns de fotos sobre a mesinha. O resto vem a seguir... 
 
 
REMINISCÊNCIAS - parte I
 
 
Deitei-me muito tarde e mesmo assim, mal despontou o sol, já estava acordado. E não havia nada para fazer.  Espreguicei-me, afastei as cortinas e dirigi-me ao banheiro onde uma boa ducha iria me deixar mais desperto.
 
Cozinha: maçã, mamão, cenoura, banana, aveia, mel, gelatina de morango e iogurte bem batidos, divididos em dois copos daqueles enormes, aliviaram aquela sensação de vazio no estômago. Depois, o inevitável café preto para poder iniciar o meu novo dia. Mas iniciar o quê? Era domingo, não era dia de Fórmula 1 e eu não curto a maioria dos programas que passam na tv. Também era muito cedo para começar a ler um livro. 
 
Sala: selecionei alguns cds e liguei o som. Sentei-me na varanda ao som de Glenn Miller e sua interpretação magistral de Moonlight Serenade, seguida de outras igualmente deliciosas. Na rua, poucas pessoas passando, uma ou outra criança correndo e alguns pássaros se entusiasmando talvez com o som que brotava em minha sala, se assanhavam nas árvores do outro lado da rua, onde se inicia o parque municipal.  Entrei, fui até a estante e trouxe para a varanda uns antigos álbuns de fotografias. Coloquei-os sobre a mesinha e comecei a folheá-los a esmo. 
 
O primeiro deles, bastante antigo, contém fotos dos meus pais, da minha avó materna que sempre morou conosco, do meu irmão. E também algumas fotos de alguns parentes mais chegados. Em uma delas, meus pais em pose formal, estavam muito bonitos. Ainda novos, eram padrinhos de um casamento e, enquanto ele exibia o inevitável terno azul marinho, a gravata vinho e os sapatos brilhantes e negros, ela resplandecia num vestido cuja saia era bastante rodada, a cintura marcada por um cinto de pedrarias combinando com a pequena bolsa pendurada num dos braços e o sapato bordado. Luvas presas numa das mãos e um imenso chapéu cobrindo seus cabelos cuidadosamente penteados. Esse chapéu é uma peça à parte. Preto, como a base dos demais acessórios, era feito em tecido meio transparente, parecendo ter apenas a aba enorme enfeitada por uma rosa da mesma cor do vestido. Da cor não estou muito certo, mas alguém falou em fúcsia, seja lá o que isso quiser ser... 
 
Essa foto me remeteu aos diversos casamentos que presenciei em minha infância e adolescência. Meus pais foram padrinhos em diversos deles e, além de irem elegantemente vestidos, faziam com que eu e meu irmão o fôssemos também. Ainda lembro o mal estar que aqueles terninhos com gravatinha borboleta me causava, mas no fundo adorava acompanhá-los, pois formávamos uma família bonita e sempre bastante querida pelos demais. Minha avó, que veio morar conosco assim que nascí, completava essa família, com suas roupas mais discretas, embora sempre bem cortadas. Nos amávamos demais e eu estava sempre por perto dela, paparicando-a tanto quanto ela a mim. 
 


 Zeca07 - 22h52
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A M I G O S

 

Estou de volta, ainda que por alguns poucos dias; precisarei retornar a Sampa.

Os exames de laboratório que havia feito e fui checar com meu médico deram ótimos resultados, mas... sempre esse "mas" pra atrapalhar... ultimamente tenho sentido algumas coisas incomuns, que estavam me preocupando e, segundo o doutor, podem ser causadas por algum problema cardíaco.

Vou explicar melhor: meus pés têm inchado e não apenas pelo calor; até mesmo em dias menos quentes isso acontece. Às vezes sinto esse inchaço nas mãos também. Além disso, tenho andado bastante cansado, principalmente após algum esforço um pouco maior. E um mal estar generalizado, sem sintomas específicos. Na verdade, acho que eu mesmo não ando muito bem comigo e aí, a somatização aparece.

Assim como uma querida amiga da blogosfera (que fez uma confissão linda a respeito desse problema), eu também sofro de depressão há alguns anos. Fiz tratamento com psiquiatra e com psicanalista, com ótimos resultados. Há uns dois anos e meio, eu mesmo me dei alta da psicanalista. E no ano passado, o psiquiatra suspendeu o Prozac, que eu tomava diariamente.

Só que, coincidentemente, a partir da suspensão do medicamento, outros problemas começaram a me preocupar. A crise financeira assomou à minha porta, com uma substancial queda no faturamento da minha pequena empresa, obrigando-me a tomar medidas que me fizeram sofrer bastante, como corte de pessoal, reformulação do estoque, diminuição da loja entre outras.  Também precisei colocar um imóvel à venda para evitar o endividamento e ficar com algum capital de giro. Com tudo isso, minha mãe teve problemas sérios de saúde no final de 2004, chegando a ficar na UTI por duas vezes seguidas. Depois disso, resolví trazê-los (meus pais) para cá, para que eu pudesse dar-lhes maior atenção. Vieram em dezembro e, em fevereiro, no retorno ao cardiologista, minha mãe estava tão bem que o médico me deu os parabéns.

Para oferecer-lhes uma vida mais confortável, troquei meu pequeno apartamento por um maior, alterei totalmente minha vida e meu estilo e não medí esforços, já que os amo muito e sempre nos demos muitíssimo bem. Só que eu percebo que eles não se acostumam totalmente aquí. Com oitenta anos, morando sempre em São Paulo, eu reconheço que fica difícil acostumar-se à vida pacata em uma pequena cidade sulmineira. Só para terem uma pequena idéia, nestes dez meses de 2005, eles ficaram praticamente sete meses em São Paulo. Fevereiro e março e agora, desde início de junho. Eu entendo, mas não tenho condições de dar melhor assistência com eles lá. Afinal, minha vida é aquí. E meu padrasto, acostumado com minha disponibilidade, não hesita em pegar o telefone e, até exagerando um pouco, dizer que minha mãe não tem passado bem, anda se sentindo mal, etc.. Na verdade, ele mesmo está com saudades de mim e faz isso para que eu vá vê-los. Mas não posso ficar nesse vai-e-volta, principalmente depois de todos os cortes que precisei fazer na empresa. Agora sou muito mais necessário aquí do que antes.

E tudo isso tem me preocupado bastante e até deve ser o motivo desses mal estares, dessa descompensação cardíaca, desses inchaços. Em todo caso, após uma conversa bastante séria com eles, finalmente aceitaram mudar-se para cá, trazendo alguns móveis e o restante de suas coisas pessoais. Porisso e por uma consulta com o cardiologista, devo voltar a SP dentro de alguns dias. Não sei se é o melhor, mas sei que é o melhor que posso oferecer a eles. Com a idade avançada e as inevitáveis limitações, percebo que eles não podem mais viver sòzinhos. Precisam de alguém que cuide deles, que tome algumas iniciativas, que faça por eles o que sempre fizeram por mim no passado.

Agradeço a força passada por todos que deixaram uma mensagem e, aos poucos, irei respondendo a todos. Assim como voltarei às visitas aos seus blogs, que tanta falta me fazem.

Grande abraço, carinho. 

 



 Zeca07 - 17h27
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A M I G O S

Amanhã pela manhã sigo para São Paulo, em mais uma viagem para resolver algumas pendências, incluindo aí nova consulta médica e alguns exames de laboratório. Devo estar de volta em alguns dias.

Grande abraço a todos.



 Zeca07 - 22h02
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Um livro para ler.
 
Levantei hoje um pouquinho deprimido. Há muito me revirava entre os lençóis, sem conseguir voltar a dormir. Um vazio no peito anunciava um dia cinzento, à parte o sol brilhante e o céu azul anunciando mais um dia de calor neste início de primavera. Uma ducha rápida e um copinho de iogurte acabaram de me despertar e, com uma maçã e um livro me dirigí ao parque da cidade para ver se espantava esse mal estar.
 
Sem muita vontade dei umas voltas pelas alamedas, até encontrar um banco abrigado do sol por uma exuberante trepadeira. Pelo menos alí estaria protegido, do sol e do contato com outras pessoas.
 
Comí a maçã automáticamente, enquanto folheava o livro sem ânimo para iniciar a leitura. Deixei-o de lado e, sem fixar o olhar, dei asas aos pensamentos nada agradáveis que me acompanhavam. Pensava na vida que seguia seu caminho, com o passar do tempo que, sem clemência, nos deixa, dia-a-dia mais velhos, com as inevitáveis marcas e dores. Pensava nos problemas mesquinhos que nos torturam, como contas a pagar, obrigações contraídas, visitas não feitas, promessas ainda não cumpridas. Na falta de alguém com quem dividir essas preocupações, que me passasse o braço por sobre os ombros, puxasse minha cabeça de encontro ao peito e acariciasse meus cabelos. Alguém cuja simples presença me transmitisse segurança e confiança para seguir em frente.
 
Nesse momento percebí um casal de velhos se aproximando do lugar onde eu estava. Vinham de mãos dadas, com um sorriso tranquilo iluminando seus rostos enrugados. Passaram por mim sem sinal de que haviam percebido a minha presença naquele banco protegido pela exuberante trepadeira. Sentaram-se num outro banco, sem qualquer proteção, permitindo que os raios do sol dessem um tom dourado aos seus cabelos totalmente brancos. Alí ficaram, de mãos dadas, numa conversa que eu não podia ouvir. Apenas podia observar seus rostos que irradiavam uma satisfação interna, de quem sente que já cumpriu com os seus deveres e só quer mesmo aproveitar uma bela manhã de sol em companhia um do outro.
 
Minha atenção, totalmente presa ao idoso casal, deixou de lado os sentimentos negativos que me acompanhavam desde o momento em que acordei e me dei conta de que não iria conseguir voltar a dormir. Meus olhos, indiscretos e fixos, prescrutavam cada detalhe daquela dupla que aparentemente ignorava a minha existência. Suas mãos, unidas como as de adolescentes enamorados, repousavam sobre a saia azul marinho com minúsculas flores brancas dela. Os olhos dele não se separavam dos dela, transmitindo tanto carinho, quanto admiração e gratidão. Os lábios dela, num meio sorriso, contavam alguma coisa que ele ouvia atentamente, enquanto seus próprios lábios mantinham um ligeiro sorriso de contentamento.
 
Pouco a pouco, ante meus olhos agora atônitos, os cabelos dela foram se alongando e ganhando um tom castanho claro, dourado pelos raios solares. Um pouco mais escuros, os ralos cabelos dele se transformaram em cabeleira volumosa, penteada com cuidado e um pouco de fixador. Um colorido vermelho tingiu os lábios dela que se abriam num sorriso encantador, revelando dentes brancos e perfeitos. Sua pele era alva e aveludada, com finas e bem delineadas sobrancelhas sobre dois olhos escuros e profundos. Nele, um nariz afilado de talhe perfeito separava dois olhos igualmente negros e profundos, protegidos por sobrancelhas grossas que quase se uniam no centro do rosto. Seus lábios, exibiam um sorriso sedutor e seduzido, que transmitiam especial encanto àquele rosto jovem e bonito. Lentamente ele foi se inclinando e seus lábios fizeram calar-se os dela, com um beijo delicado e apaixonado. Ela levantou uma mão enfeitada por brilhante aliança e acariciou-lhe o rosto e os cabelos enquanto seus lábios correspondiam ao beijo recebido. Logo, levantaram-se, ainda de mãos dadas e, lentamente foram se afastando dalí, envoltos numa aura de tranquilidade e encantamento. Seus corpos foram diminuídos por uma postura um pouco mais curvada, enquanto suas pernas, agora ligeiramente arqueadas se equilibravam sobre pequenos passos repletos de precaução. Os cabelos voltaram à brancura  dourada pelos raios do sol matinal. Ambos formavam um único corpo ainda envolto numa luz especial, que se afastava daquele banco exposto, e de mim, protegido pela exuberante trepadeira. 
 
Deixaram em meus olhos agora úmidos de emoção, um pouco daquela aura de tranquilidade, daquela luz dourada pelo sol de primavera, daquela sensação de dever cumprido. Compreendí que eu também, talvez de maneira diferente, havia vivido a minha vida e escolhido meus caminhos. E que minha vida foi boa e tranquila; que tive algumas pessoas especiais que, por motivos diversos não estão agora ao meu lado. Mas que nada impede que ainda apareça alguma para formar, comigo, um casal tão bonito e doce quanto aquele.
 
Peguei o meu livro, abrí na página marcada e, com a tranquilidade dos justos, iniciei a leitura de mais um capítulo.  
 


 Zeca07 - 15h42
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ÜBERSEXUAL X METROSSEXUAL

 
O termo "Metrossexual" nascido há aproximadamente dois anos, designa o homem das grandes cidades que gasta parte do seu dinheiro com cosméticos, tratamentos de beleza, manicures e roupas de grife. Um apreciador dos bons vinhos, que adora frequentar shoppings e simpatizante da cultura gay, embora não o seja, necessariamente. Esse termo foi criado pela junção das palavras metropolitano e heterossexual.
 
Os metrossexuais vivem nas metrópoles e podem ser encontrados em academias de ginástica, fazendo compras em shopping centers - preferencialmente em lojas de grifes -, em bares da moda, em salões de beleza, em galerias de arte ou em eventos fashion. Malham incansavelmente e encaram a dolorosa depilação para ficarem com um corpo mais cool. Gostam de enfeitar-se, alguns usam maquiagem, pintam as unhas e os olhos. Alguns arriscam até a usar blush e rímel. Armani e Versace são suas grifes prediletas. Mas também sabem pescar em brechós uma peça básica para compor um visual mais moderno e descolado.
 
O homem metrossexual, sem medo de mostrar-se vaidoso e preocupado com a aparência, alastrou-se rapidamente pelo mundo todo, tendo como ícone mais vistoso o jogador de futebol David Beckham. Mesmo no Brasil, rapidamente ganhou fãs, que não se envergonham de sua obsessão pela aparência sem se sentirem inseguros a respeito de sua virilidade, cuidando do corpo, da pele e fazendo de tudo para se tornarem mais bonitos e desejáveis.
 
Os brasileiros, entretanto, com sua cultura machista, ainda costumam misturar um pouco as coisas. Homens que se preocupam muito com beleza, estética, um certo refinamento, ainda são confundidos com gays. Mas muita gente já consegue ver essa como a tendência do homem contemporâneo.
 
Até o canal pago Sony criou um novo e bem sucedido seriado chamado "Queer Eye for the Straight Guy", cuja tradução livre pode ser "O Olhar Gay para o Cara Hétero". É um tipo de reality show onde cinco gays especializados em moda, comida, vinhos, cultura e decoração transformam um heterossexual tradicional em um metrossexual. Afinal, o que importa é a essência da pessoa, não a aparência. O metrossexualismo nada tem a ver com sexo, mas com segurança e com modernismo.
 
Em contraposição a tudo o que foi dito acima, está nascendo um novo termo para designar o "homem do futuro": o "übersexual". Aquí foi usada a
 
Parece que as pessoas se cansaram rapidamente do homem super vaidoso, depilado e maquiado. Para substituí-lo, está sendo valorizado um homem "mais natural", mais próximo ao tradicional, sem excessos. Seria uma imagem mais clássica da masculinidade, com Bono Vox, Brad Pitt, George Clooney, Bill Clinton e Arnold Schwarzenegger como exemplos. Aquí foi utilizada a expressão "über" (em alemão significa "acima" e seu equivalente em inglês significaria "super"), não significando exatamente uma intensificação nas atividades sexuais, mas a recuperação de uma certa masculinidade, perdida nos últimos anos. Também não tem nada a ver com preferência sexual. Tanto os héteros quanto os gays podem ser übersessuais. "Übersexual" tem a ver com atitude, estilo e postura diante da vida, do outro e, sobretudo, de si mesmo.
 
O novo modelo masculino não significa uma volta aos brucutús, mas sim a transformação do homem em pessoa que confia em sí mesmo, sem necessáriamente usar gestos ou expressões desnecessárias para valorizar sua sexualidade. Ele tem um aspecto másculo, possui estilo próprio e tem objetivos claros, sem necessidade de exageros nos cuidados pessoais. Faz e é o que lhe parece natural, sem se preocupar com o que os outros pensam que deveriam fazer ou ser. Suas preocupações com a imagem pessoal o levam às compras e à criação de um estilo pessoal, sem narcisismo ou egocentrismo e, sem concorrer com as mulheres. Tudo isso os torna mais atraentes, dinâmicos e encantadores.
 
Recentemente um trio de publicitárias (Marian Salzman, Amy O'Reilly e Ira Matathia) publicou o livro "The Future of Man", onde tentam desvendar esse novo tipo de homem, que não fica mudando a cor do cabelo toda hora, nem faz depilação. Tem estilo sem ser viciado em compras. No livro elas criam outros rótulos:
- Metrogay = gay com características masculinas;
-Metro-hétero = hetero com atitudes gays;
- Emo-boy = extremamente sensível e vulnerável, como Orlando Bloom e Jude Law;
- Snag (sensitive new-age guy) = com enorme sensibilidade e que entende as mulheres; 
- New Bloke = super liberal, que defende a igualdade entre homens e mulheres, como Ewan McGregor e                       Hugh Grant.
 
Tantas classificações e rótulos chegam a parecer coisa de publicitários...
 
As mulheres já andavam reclamando da "falta de homens" na praça. Os homens andavam incomodados com tantos semelhantes com sobrancelhas (e outras partes do corpo) depiladas, mesmo que isso significasse maior evidência à própria masculinidade dos não adeptos. E os gays se sentiam meio perdidos em meio a tantos metrossexuais que não pareciam nem uma coisa nem outra. Afinal, no mundo gay já existem as "barbies", que agora foram rotuladas como metrogays. Esse "abrandamento" na vaidade masculina vem de encontro aos anseios de todos, menos dos metrossexuais, claro! Mas como tudo, mais parece um modismo que, em pouco tempo será substituído por outro... só não dá pra saber qual.
 
E você? O que acha de tudo isso?


 Zeca07 - 23h28
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POR QUE ACABOU?
 
Tenho uma amiga querida inconformada com o término do seu casamento de dois anos. Ela leu este texto e não se opos à sua publicação. Eles se conheceram há uns quatro anos, tiveram um namoro daqueles de nos deixar com inveja e uma cerimônia de casamento magnífica. Curiosamente, já casados, o bolo começou a embatumar e, no início, nenhum dos dois se deu conta disso, empurrando com a barriga as incompatibilidades que eram claras para nós, que vivíamos ao lado dessa relação. Enquanto ele queria sair, viajar, encontrar amigos, ela insistia em cuidar da casa, fazer almocinhos íntimos (excluindo os amigos e parentes), e criar um mundo particular apenas para os dois. Foram afastando os amigos e, quando as diferenças de temperamento começaram a explodir entre eles, se viram sozinhos, sem apoio, sem um ombro ou um ouvido amigo. Ele se refez com facilidade, devido ao seu temperamento mais expansivo, mas ela, ficou amargando as brigas, os desentendimentos durante todo o período que durou essa difícil separação. Só agora, depois de algum tempo é que ela começou a se reaproximar dos antigos amigos e dos parentes. Mas ainda chora e sofre muito pelo relacionamento destruído.
 
A grande maioria de nós sonha com o par perfeito. Aquela pessoa que desperta, à primeira vista, uma paixão avassaladora que irá evoluindo para um relacionamento de cumplicidade, amizade e desejo, até culminar numa vida em comum, dividindo espaços, lençóis e o creme dental. E frequentemente vivem relacionamentos que se parecem muito com o sonhado, só que os problemas do dia-a-dia, as perspectivas pessoais e tantos outros fatores não permitem que evoluam conforme os desejos de cada um. E aí acontece o famoso término de algo que parecia ter tudo para dar certo. Deixando, pelo menos para um dos envolvidos, a sensação de frustração, o gosto amargo do insucesso e, frequentemente, o orgulho ferido e os sentimentos seriamente machucados.
 
É muito difícil segurar a barra do término de uma relação, seja ela um namoro (curto ou longo) ou um casamento (convencional ou não). Encarar a dor de uma separação é, geralmente, muito doloroso e nem sempre os amigos podem ajudar, pois acabam cansados de ouvir a mesma história, as mesmas acusações, o mesmo xororô. Isso acontece quando nos sentimos vítimas, sem digerir o que aconteceu e ainda culpamos "o outro" pelo insucesso do relacionamento. Nessa hora, frequentemente os laços são cortados, um prefere não ver mais o outro, deixando de frequentar os mesmos lugares, abandonando os familiares, velhos amigos comuns e procurando criar novas opções para continuar a tocar sua vida. Se "o outro" não age igual, se continua se relacionando com os amigos comuns e familiares, fazem de tudo para afastá-lo, não raro proibindo esses contatos. Não é considerada a própria participação, os eventuais "erros" cometidos, as diferenças de perspectivas. "O outro" é o vilão da história.  
 
= CONTINUA A SEGUIR =


 Zeca07 - 11h29
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POR QUE ACABOU?
continuação -
 
Quando a relação dança por absoluta incompatibilidade de gênios ou de planos, brigas violentas, traições ou ciúme doentio, é até preferível dar um tempo, permitindo-se viver o "luto" dessa relação frustrada. Um período de afastamento, nestes casos, pode até ser saudável, evitando maiores atritos e acusações e impedindo que os ressentimentos se avolumem. É inútil aparecer com belas roupas, o corpo malhado e uma aparência melhor diante da outra pessoa apenas para se vingar, ou mostrar o "quanto você está bem" se em seu coração ainda existem mágoas, ressentimentos e raiva. É preferível cuidar-se, curtir o período de fossa e aguardar o momento mágico do aparecimento de um novo namorado amor, o que afastará suas fragilidades e carências, deixando-a(o) fortalecida(o) e pronta(o) para encarar novamente aquela pessoa. Todos sabemos que é muito difícil encontrar um novo par, principalmente no perído de sofrimento que sucede o afastamento do ex. Mas a reflexão madura, a aceitação dos próprios "defeitos" e a auto-estima em alta ajudam a passar pelo período de "luto" e a encarar de frente uma nova realidade.
 
É muito importante, nessa fase de (re)adaptação, ocupar-se de sí mesma(o), cuidando da saúde, do corpo, da aparência; redobrar os esforços para concentrar-se no trabalho e/ou nos estudos; não ficar ligando para o ex, nem enviando mensagens "significativas" (ou não) pela internet; dar um sumiço nas fotos e nos presentes e procurar viver normalmente, com amigos ou parentes que não fiquem cutucando suas dores, mas ajudando a rir e a saborear as coisas boas que um bom programa pode oferecer.
  
É de conhecimento geral que, enquanto "elas" adoram discutir a relação, "eles" detestam fazer isso. Mas se houver oportunidade, pode ser bastante saudável que os dois conversem sobre os motivos que detonaram o namoro. É uma oportunidade para que ambos aprendam com os erros cometidos e evitem cometê-los em outros relacionamentos. Esse tipo de conversa não pode ser forçado. Deve acontecer naturalmente, se ambos se mostrarem dispostos a isso. E para que aconteça sem maiores problemas, é necessário que os envolvidos estejam bastante amadurecidos emocionalmente, cientes de que a relação acabou, não tem volta e "o outro" não é nenhum canalha ou f.d.p.. Trata-se apenas de uma pessoa que foi muito importante em sua vida durante algum tempo e que agora irá viver independente de você, que também estará tocando a sua própria vida . É a parte mais difícil, embora não seja impossível. 
 
Eu sempre procuro conversar bastante com a última pessoa com quem me relacionei (nem foram tantas assim!). Mesmo que para isso precise aguardar um tempo para curtir a minha fossa ou para que a outra pessoa curta a sua própria. Geralmente tenho obtido bons resultados com essas conversas e assim acabamos mantendo boas relações de amizade. Claro que existem algumas excessões. Por algum motivo não obtive sucesso com algumas dessas pessoas, as quais não vejo mais ou, se vejo, nos tratamos tão formalmente que acaba parecendo que nunca existiu nada entre nós. Esse tipo de situação, frequentemente acaba me dando vontade de rir, pois houve um momento no passado em que nossos encontros eram muito mais quentes e íntimos. Mas isso também faz parte do nosso eterno aprendizado nas relações interpessoais.
 
Acredito que o mais importante mesmo é não nos permitirmos viver "para" e "por" alguém. E nem querermos transformá-lo(a) naquela pessoa que havíamos idealizado para nos acompanhar pela vida afora. O respeito pelas diferenças que nos tornam únicos é fundamental para um relacionamento mais saudável. Curtir todas as etapas desse relacionamento também nos ajudará a encarar com menos dificuldade se, em determinado momento, nossos caminhos começarem a se separar, indicando que é chegada a hora de cada um seguir seu próprio caminho, talvez em companhia de outra pessoa. 
 
E se houver filhos? Ah, aí já é assunto para outra conversa!


 Zeca07 - 11h27
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