(foto: seguindo o destino = Jorge Casais)
 
AMIGOS,
 
Estou passando por uma fase meio complicada em minha vida, com várias reestruturações e consequentes adaptações. E isso tudo tem feito com que não tenha muito tempo para dedicar ao Janelas Abertas, o que não acho legal. Nem com o blog, nem com as pessoas que o acessam, à procura de novos textos.
 
Agora mesmo, estou saindo para uma pequena viagem, com meu irmão, para cuidarmos e resolvermos alguns assuntos familiares. Ficarei fora alguns dias, embora ainda não tenha idéia de quantos. E nem sei se terei oportunidade de acessar a blogosfera de algum cyber café.
 
Por tudo isso, resolví tirar umas "férias" do blog. Ele permanecerá inativo por algum tempo e, quando puder voltar, com força e com garra, aquí estarei novamente. Por enquanto agradeço a todas as pessoas com quem tenho interagido nos últimos meses, mesmo que virtualmente, mas quero que saibam que são todas muito especiais. Se puder, nesse período de férias, farei algumas visitas, as possíveis. E se tiver oportunidade, deixarei um "oi" e um abraço.
 
Um grande abraço a todos e até a volta.


 Zeca07 - 11h48
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(foto: Tulipas de Mapplethorpe)

Virando páginas

 
Um rosto inexpressivo, envelhecido, com olhos cansados e parados, respiração suspensa, sob cabelos desalinhados se refletia naquele espelho coberto de marcas do tempo. Corpo enterrado sob o edredom, deixando à vista apenas a cabeça coberta de cabelos mal tingidos. Penosamente o corpo vai se virando e os olhos cansados param no travesseiro vazio ao lado, mostrando uma solidão tão grande, que dificilmente se conseguiria preencher. Lentamente ela tira as mechas de cabelo da testa e começa a levantar-se. Seus pés procuram os chinelos velhos como ela e se enfiam neles, sentindo um pouco de conforto. Puxa, dos pés da cama, o penhoar desbotado e o coloca com dificuldade, amarrando a faixa numa cintura que já não existe. Abre gavetas e coloca numa maleta antiquada algumas peças de roupa, escolhidas aleatóriamente. Precisa sair dalí. Daquela casa onde viveu os últimos trinta e oito anos, que viu crescerem os seus filhos, de onde eles saíram para criarem novas famílias. Toma um banho rápido e, sem grandes cuidados com a aparência, pega a maleta, fecha a casa e sai. Na cidade, se perde procurando a rua onde mora seu filho, sua nora e netos. Sempre havia ido de carro, com o marido e nunca precisara prestar atenção ao endereço. Finalmente encontra e toca a campainha. Após intermináveis minutos, aparece a nora com os cabelos molhados e uma toalha enrolada no corpo. Surpresa, convida a sogra para entrar e pede desculpas, pois precisa deixar as crianças na escola e correr para o escritório. As crianças gritam nos fundos da casa e, quando aparecem, custam a reconhecer a avó. Depois de alguns minutos, ela está sòzinha na casa do filho. Na hora do almoço o filho passa ràpidamente para lhe dar um abraço, mas logo se vai, pois está trabalhando e não pode ausentar-se por muito tempo. Ela resolve ir procurar a casa da filha, solteira, que mora num pequeno apartamento com seu próprio filho, feito como "produção independente". A filha também está apressada e agradece por ela ter aparecido, pois poderá ficar com o neto para que possa sair à noite sem preocupações com horários ou cuidados com o garoto. E ela fica novamente sòzinha na casa da filha, com um neto que não a reconhece. Mas acabam se entendendo. Cuidados e carinhos de avó abrem corações de netos. À noite, o menino, assustado com a ausência da mãe, se enfia na cama da avó e dormem abraçados. E assim vão se passando os dias, entre as casas dos dois filhos, sempre ocupados, correndo atrás de suas próprias vidas e sem tempo para a mãe que, em contrapartida, cuida ora de um neto, ora da roupa da neta, ora do lanche dos garotos. E assim vão se passando os dias. Até que uma noite, não conseguindo dormir, vai até a cozinha buscar um copo de água e ouve uma discussão entre o filho e a nora, que exige do marido que despache logo "aquela mulher" de quem ela nunca havia gostado. E ele, entre a cruz e a espada, implora à esposa que seja paciente, pois seu pai acaba de falecer e é normal que a mãe esteja um pouco perdida, um pouco carente. Sua mulher corta os argumentos com a seguinte frase: " a vida dela já se passou! Ela já fez tudo o que tinha que fazer. Que fique agora em sua casa curtindo seu luto e nos deixe cuidarmos das nossas vidas que estão apenas começando". Chocada, aguarda o amanhecer e vai até a casa da filha que a recebe com a notícia de que conseguiu uma transferência para outra cidade e até um ótimo colégio semi-interno para o filho. Só lhe resta recolocar seus poucos pertences de volta na maleta antiquada e voltar para sua velha casa, onde viveu metade de sua vida. Mas ela não se sente acabada! Não se sente no fim! Se sente viva, capaz, cheia de desejos de fazer coisas que nunca havia podido fazer antes. Ela não tem o espírito perdedor daquelas que vestem luto e sentam ao lado da janela aguardando a vida passar. Tira um extrato no banco, faz as contas de sua aposentadoria mais a do marido e percebe que pode viver muitas coisas com aquilo. Abre gavetas e armários, seleciona cuidadosamente novas roupas, arruma-as cuidadosamente na mesma maleta antiquada e sai novamente de casa. Vai até uma agência de viagens e fecha um pacote. Instala-se num pequeno hotel até o dia da partida e sem avisar a ninguém, embarca para uma viagem que deverá durar quase dois meses.
 
E ninguém deu pela falta dela!
 


 Zeca07 - 20h25
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Deus, por onde andas?

Pronto! Estou abrindo uma clareira no meio da floresta para sentarmos em volta da fogueira e contarmos causos. Os pássaros se aquietarão, os pequenos animais se entocarão. Apenas um ou outro inseto se atreverá a voar em torno de nossas cabeças, mas a fumaça da fogueira e o cheiro de mato queimado ajudarão a deixá-los distantes de nós. Será que alguém se lembrou de trazer uma bebidinha? Vejo alí, sobre uma toalha xadrez, uma garrafa térmica, alguns copos e dois ou três pacotes que devem conter salgadinhos, docinhos, guloseimas. Ah! Tem alí, encostado a uma árvore, um violão! Isso quer dizer que alguém pretende cantar para nós. Esta reunião promete.
 
Como estão todos ainda meio intimidados, vou começar a falar. Mas podem me interromper, podem tomar a palavra, podem fazer o que quiser. O espaço aquí é totalmente nosso e abertamente liberal.
 
A última foto que postei mostra uma janela mal cuidada, de uma casa muito pobre, com um garotinho olhando para fora. Seu olhar reserva uma incógnita, que depende do próprio olhar de quem admira a foto. Ele pode estar simplesmente olhando para fora, à espera do chamado dos amiguinhos para sair para a rua em deliciosas brincadeiras infantís. Pode também estar aflito, esperando a chegada da mãe que foi às compras, com o pouco dinheiro que tinha, ver se conseguia trazer comida suficiente para saciar a fome dos filhos e dela própria.
 
Mas pode também ser um olhar resignado de quem, tão cedo já percebeu que não adianta nutrir esperanças de uma vida melhor, pois seu futuro não pode lhe reservar nada de bom. Tudo o que seu olhar pode denunciar é a desesperança, a falta de expectativas, a falta da própria infância, que se esvai em meio aos tantos sofrimentos.
 
Infelizmente esse é o tipo de olhar de tantos meninos como ele, principalmente neste nosso país de tantas desigualdades, de tanto desgoverno. Ou então daqueles que estão crescendo em meio aos horrores da guerra, não importa se de traficantes, se de terroristas, ou de invasores americanos.
 
Esse pode ser o olhar que observa, horrorizado, o futuro no meio de uma rebelião da Febem, ou mais longe ainda, no meio de uma rebelião em algum presídio, verdadeiro depósito de seres que nem mesmo podem mais ser considerados pessoas, já que estão vivendo, ainda em vida, em meio ao inferno, rodeados de demônios, tanto os que estão atrás quanto os que permanecem do outro lado das grades que os separam do mundo.
 
Emocionado, pergunto por onde anda Deus e me calo, cedendo a vez a quem mais quiser falar...


 Zeca07 - 20h06
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 Zeca07 - 21h33
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Olá, amigos!
 
Hoje o texto vai ser meio chato, pois vou falar um pouquinho a respeito de mim, de como tenho me sentido, de como anda a minha vida, o meu ânimo, o meu coração. E o resultado não é dos melhores. Estou um pouco melancólico, com o peito apertado, sem saber muito bem porquê. Aliás, saber a gente até que sabe, né? Mas o difícil mesmo é admitir...
 
Como sabem, até três meses atrás, eu morava sòzinho, num pequeno apartamento, muito gostosinho e bem mobiliado. O ideal para um solteirão convicto, que prefere viver só, embora goste de todos os confortos da vida moderna. Eu tinha uma belíssima vista do parque municipal, que fica exatamente do outro lado da avenida. E ia vivendo minha vida morna e tranquila, sem grandes sobressaltos, só mesmo aqueles provocados pelo governo com seu incrível apetite por cada vez mais impostos que acabam saindo dos nossos bolsos. Fora isso, o resto ia sendo tocado. Viajava um pouco, para vários lugares, mas quase todos os meses para São Paulo, onde viviam meus pais e onde eu fazia uma reciclagem cultural e encontrava amigos.
 
Entre outubro e novembro, minha mãe esteve muito doente, foi internada, passou uma semana na UTI e o médico não tinha muitas expectativas com respeito ao seu pronto restabelecimento. Como estivesse ficando um pouco difícil conciliar minhas atividades profissionais aquí, com idas constantes para São Paulo, além do fato de ambos (meus pais) terem oitenta anos, acabamos resolvendo pela vinda deles para cá, para morarem comigo. Conversei com o médico, que aprovou a decisão e viemos. Em pouco tempo, ela já mostrava claros sinais de melhora e ele, que havia ficado muito abalado com a doença dela, também se mostrava muito melhor do que antes.
 
Só não podíamos continuar naquele apartamento de um dormitório em que eu morava. Durante um mês, como numa experiência, eles dormiram no meu quarto e eu dormia na sala. Mas passado esse período e vendo que eles estavam se dando muito bem, fui à luta e acabei alugando um apartamento grande, no mesmo prédio, totalmente de frente para o parque. Eles adoraram. E eu pude ter novamente o meu quarto, com alguma privacidade. E posso dizer que estamos muito bem instalados.
 
Em meados de fevereiro, levei-os a São Paulo, pois ambos tinham consultas de retorno com seus médicos e aproveitei para iniciar um check up que faço anualmente. Lá chegando, eles começaram uma enrolação com as consultas e os exames de laboratório, que acabei me cansando e voltando prá São Lourenço, deixando-os à vontade para fazerem seus exames. Quando estivessem prontos para voltar, era só me avisar que iria buscá-los. Ou meu irmão os traria.
 
Ontem, liguei para reclamar da demora, pois estou bem no meio do meu inferno astral e sei que minha depressão tem fundamentos nesse período que antecede o meu aniversário (dia 27). Sem contar que estou sòzinho num apartamento enorme, com uma cozinheira e sua companhia diária e obrigatória, que fala mais que a boca e chega a me deixar irritado com seus "causos" intermináveis. Pois bem, logo percebí pela voz da minha mãe que algo não estava bem. Perguntei sobre os exames, eles os estão fazendo e a última consulta já está agendada para o dia 21. Só que... aí ela começou a enrolar e eu fui ficando ansioso, pois sabia que algo não bom estava se aproximando. Era a notícia do falecimento do meu padrinho, que morreu na madrugada de ontem e seria enterrado ontem às cinco da tarde. Claro que não havia tempo hábil para que eu fosse. Só que sempre gostei muito dos dois velhos (minha madrinha e meu padrinho), os quais sempre tive como segundos pais. E, mesmo tentando não deixar transparecer para minha mãe, eu fiquei muito chateado com isso. Fiquei triste, pois mais uma pessoa muito querida sai da minha vida, sem que eu tenha condições ao menos de me despedir com o corpo presente. Sei que isso é bobagem, pois interessa mesmo o espírito, os sentimentos que unem as pessoas. Mas não é possível deixar de sentir a dor da perda.
 
CONTINUA...


 Zeca07 - 21h31
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CONTINUAÇÃO 

Passei o dia todo meio intranquilo, triste, com vontade de fazer absolutamente nada. Mas não é possível. Então, pra completar, no meio da tarde, a minha funcionária me ligou pedindo para descer, pois havia dois fiscais do Procon na loja. Lá fui eu! Nada de grave foi constatado, já que sou bastante cuidadoso na condução dos meus negócios, mas essa raça sempre arranja uma casquinha para cutucar as feridas da gente, né? Então, criaram caso por não haver etiquetas de preços em algumas frutas de isopor pintadas (que podem descascar com as etiquetas) e nos tapetes belgas (cujo emborrachamento repele a cola das etiquetas). Para ambos os produtos eu havia feito uma tabela de preços que ficava sobre o balcão. Mas isso não é suficiente! As tabelas de preços devem ficar ao lado dos produtos. Agora me respondam: se encho fruteiras, potes ou mesmo alguns vasos maiores de frutas, quantas tabelas de preços preciso ter??? Outra coisa que eles notaram foi o fato de eu não ter uma placa indicando quais as exigências para o recebimento com cheques e outra informando as condições para vendas a prazo. E não adiantou explicar-lhes que, como há quinze anos no comércio, o meu indíce de inadimplência de cheques é mínimo, não costumo fazer praticamente nenhuma exigência para os cheques e que não posso informar condições para vendas a prazo, pois não é normal no meu estabelecimento esse tipo de venda. E lá foram lavradas essas anotações na tal da notificação! Agora tenho que inventar exigências para cheques ou declarar que não as tenho. Assim como inventar condições de vendas a prazo, só para deixar os fiscais do Procon mais satisfeitos. Será que eles estão precisando mostrar trabalho? Ou essa burrice toda já é parte do efeito Severino?
 
À noite, não tinha nada pra fazer. Visitei os blogues amigos, escreví alguns e-mails, mas às nove horas já estava sem saco, sem vontade e sem nada melhor pra fazer. Assim, contrariamente aos meus costumes, liguei a tv e fiquei, por letargia, vendo o primeiro capítulo da novela América. Algumas tomadas, principalmente aquelas pantaneiras, são absolutamente lindas. Me lembraram muito a novela Pantanal e a belíssima Juma Marruá. Aí percebí que o diretor é o mesmo. Então, tá! Tá explicado. América deverá ser o Pantanal da Globo. Só que com rodeios trazendo de volta a moda country que eu acreditava morta, enterrada e totalmente esquecida. Logo logo teremos novamente as duplas sertanejas se esgoelando em todas as rádios e em todos os programas de tv. Sem contar o festival de chapelões, botas e tudo mais...
 
Depois disso, o Big Brother com sua chatice, principalmente agora que foram eliminados todos os elementos do mal e só ficaram os anjinhos, com suas conversas repetitivas, olhares e bocas em direção às câmaras não tão escondidas assim e aquele festival de burrice que o grupo parece adorar fazer. Hoje a Carla deve ser eliminada com mais de sessenta por cento dos votos, na próxima semana provavelmente o Sammy ou o Alan e, depois, os anjos originais se pegarão numa brigaiada pelo milhão que vai voar pena pra tudo quanto é lado. Fui dormir. Semn sono, fiquei lendo uma biografia do Alexandre (o Grande), que está meio chata. Como estivesse demorando prá ficar com sono, acabei tomando algumas gotinhas de um santo remédio que tenho aquí e dormí, como um anjo.
 
Hoje foi um dia normalíssimo como todos. Nada de especial, a não ser o dvd La Mala Educación que resolví ver à tarde. Talvez não fosse o melhor dia para esse filme, pois acho que fiquei mais chateado ainda. Já havia visto, mas a história é tensa, meio mal costurada, diferentemente da maioria dos filmes do Almodóvar, mas tem o dom de "pegar" pela alma e passar todas as angústias dos personagens, sem muitas opções na vida.
 
Agora, estou com a tv ligada, percebí que a novela já começou mas estou resistindo, pois não quero ficar viciado. 
 
Não sei se meus pais virão logo ou se ainda demorarão mais umas duas semanas. Nem sei se estarão aquí no dia do meu aniversário, que coincide com o domingo de Páscoa. Ou se passarei mais uma Páscoa e um aniversário sòzinho, neste apartamento enorme e silencioso. Desculpem o desabafo. Mas faz um bem!
 
 


 Zeca07 - 21h30
[   ]




 

(foto: apenas rumos diferentes - Carlos Carreto)
 
HOMENAGEM A UMA LOBA
 
A Loba, inventiva e criativa, a cada dia nos proporciona novas surpresas, nos dá novos presentes. Ela é pródiga em textos deliciosos, na criação de brincadeiras, oficinas, etc.. Hoje, deixou um poema erótico delicioso. Vá até lá e confira! ( http://lobabh.zip.net/ ).
 
Inspirado por ela, querendo também homenageá-la pela bela semana dedicada à mulher e por tudo o que tem feito, preparei este texto. Não chega nem aos pés do dela, mas é a minha forma de deixar aquí o meu carinho.
 
Acordei de um sonho, sem ar, nú e solitário. Procurei ao meu lado, sem encontrar, seios para serem cobertos pelas minhas mãos, pele macia se abrindo para os meus olhares, uma boca pronta para saciar minha sede de beijos e de desejos inconfessáveis. Não tinha o sol nascente, muito menos a lua. Não poderia aspirar ao amor. Não sei mais amar. Meus desejos insatisfeitos revolucionam meu corpo e tingem de carmim as minhas vontades, atormentando meu sexo em frustradas explosões matutinas. Eu também, como homem, tenho desejos, vontades, escolhas, erros e, principalmente, tesão! Mas não sendo mulher, não sei muito bem o que fazer com eles. Então, faço bobagens e pratico escolhas infelizes.  
Minhas censuras derrubadas pelo sonho, incontrolável, acordei homem, como sempre. Sem alguém ao lado para, juntos, satisfazermos nossos tesões. Fiquei com enorme vontade de estar e fazer feliz. Por quê não posso? Por quê não consigo?


 Zeca07 - 21h08
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(Foto: papoulas = Isabel Magalhães)
 
MOACYR SCLIAR

A mulher e sua pequena estrela

Descoberta a menor estrela conhecida. O achado ocorreu quando astrônomos investigavam outros planetas fora do Sistema Solar e detectaram uma estrela cuja luminosidade se reduzia quando outro corpo celeste bloqueava a passagem de sua luz.
Folha Online 4.mar.2005


 
8 de março: Dia Internacional da Mulher. Várias fontes

 



Não poderia haver casal mais estranho. Ele era grandalhão, enorme; ela, pequenina, magrinha. Ele tinha um vozeirão que fazia estremecer a casa; ela falava baixinho, quase sussurrando. Ele gostava de mandar e na empresa que dirigia era conhecido como um chefe autoritário. Ela, dona-de-casa, era tímida, modesta.
Os amigos se perguntavam como podia dar certo aquele casamento. A verdade, porém, é que as coisas entre eles pareciam funcionar, talvez porque ela fosse tão submissa. O fato é que estavam juntos havia mais de 20 anos, tinham filhos adolescentes e, pelo jeito, não pensavam em se separar. Ao contrário, estavam sempre juntos, sobretudo em festas, das quais ele gostava muito e onde sempre se destacava, inclusive porque gostava de organizar brincadeiras.
Num jantar com amigos, teve a idéia de um jogo, sem dúvida sugerida pelo fato de que o dono da casa era apaixonado por astronomia e até um telescópio tinha. Cada um deveria dizer o nome do corpo celeste, planeta ou estrela, com que mais se identificava. Depois, mediante votação -afinal aquele era um convívio democrático-, escolheriam o melhor. E assim, todos foram dizendo nomes de planetas e de estrelas: um, muito combativo, era Marte; outra, suave e afetiva, era Vênus. Quando chegou a vez do casal, ele, naturalmente, falou primeiro e não deixou por menos:
- Eu sou o Sol.
E aí, para a surpresa de todos, a esposa disse:
- Pois eu sou a Ursa Maior.
O marido olhou-a, bem-humorado:
- Não seja idiota, mulher. Ursa Maior não é estrela, é constelação. E, mesmo que fosse estrela, desde quando o adjetivo "maior" se aplica a você?
Todos riram. Menos ela. Porque alguma coisa tinha acontecido, naquele momento. Pela primeira vez dava-se conta de sua real inferioridade. Quando voltaram para casa, chorou muito, trancada no banheiro.
No dia seguinte, leu a notícia a respeito da menor estrela do universo. E aquilo foi um consolo. Sim, os astrônomos tinham achado a estrela que a ela correspondia. Agora poderia erguer os olhos para o céu, sabendo que, de algum lugar remoto do firmamento, uma minúscula estrela, a sua estrelinha, piscava para ela. Comemorando o Dia da Mulher, claro.

Esta é a minha homenagem a todas as mulheres, na data em que se comemora o seu dia, que muitos acham preconceituosa, tendenciosa, segregacionista e tantas outras coisas mais. O importante é o destaque dado à tenacidade com que muitas mulheres batalham por seus direitos, sua posição de igualdade na sociedade e sua visibilidade como ser humano. Mesmo a mais tímida, modesta e submissa das mulheres guarda, em seu íntimo, segredos jamais violados pelo homem. Toda mulher, no seu íntimo, é uma fortaleza.

Beijos a todas.

 



 Zeca07 - 11h12
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Quando os amantes dormem...
 
(Foto: Sinais de vida na janela sem vida - Emília Duarte)

 

Quando as pessoas se amam ou querem se amar, selam um pacto: dormir juntas. E quando   se fala “dormir junto”, o sentido é duplo: significa primeiro amar acordado em plena vigília da carne, mas, depois na lassidão do pós-gozo, deixar os corpos lado a lado, á deriva, dormindo, talvez.

Na verdade, os amantes, quando são amantes mesmo, mesmo enquanto dormem, se amam.

Agora ouço esses versos de Aragon cantando por Ferrat: “ Durante o tempo que você quiser /nós dormiremos  juntos”. E penso. É um projeto de vida, dormir juntos, continuadamente. A mesma ambigüidade: dormir/amar juntos, dormir/acordar juntos, ou, então dormir/morrer de amor juntos.

Deve ser por causa disso que os franceses chaman o orgasmo de “pequena morte”. Deve ser por isso que os amantes julgam poder continuar amando mesmo através da morte, como Inês de  Castro e D.Pedro, que foram sepultados um diante do outro, para que no dia do reencontro um seja o primeiro que o outro veja.

Amor: um projeto de vida, um projeto de morte.

Se numa noite dessas o vento da insônia soprar em suas frestas, repare no corpo dormindo despojado ao seu lado. Ver o outro dormir é negócio de muita responsabilidade. Mais que ver as águas de um rio represado gerando uma usina de sonhos, é ver uma semente na noite pedindo um guardião.

Pode ser banal, mas é isto: amar é ser guardião do sonho alheio.

Os surrealistas diziam: o poeta quando dorme trabalha. Pois os amantes, enquanto dormem, se amam. Se amam inconscientemente, quando seus desejos enlaçam raízes e seivas. O pé de um toca o pé do outro, a mão espalmada corre sobre o lençol e toca o corpo alheio e, dormindo, se abraçam aninhados.

Quando isso ocorre, pode ter vários significados. Talvez um tenha lançado um apelo silencioso ao outro: “ Ajude-me a atravessar este sonho”; ou “ Venha, sonhe este sonho comigo”. E o outro, á vezes sem se mexer, parte em seu socorro. É que certos sonhos, sobretudo de quem ama, não cabem num só corpo. Transbordam os poros da noite e pedem cumplicidade. E se há um pesadelo, aí um se agarra ao tronco do outro na crispação do instante, e o corpo do parceiro é bóia na escuridão.

Por isso, no ritual do casamento..... deveria se inserir um tópico a mais e advertir: amar é ser cúmplice do sonho alheio.

Engana-se quem escuta silêncio no quarto dos que amam. Estranhos rumores percorrem o sonho alheio. Não é o rugir do tigre nas brenhas, não é o bater da ondas na enseada. Nem os pássaros perfurando a madrugada. São os sonhos dos amantes em plena elaboração. E se numa noite dessas o vento da insônia de novo soprar em suas frestas, olhe pela janela os muitos apartamentos onde pulsam dormindo os amorosos.

Era uma vez um chinês que cada vez que sonhava com sua amada acordava perfumado.

Á noite os sonhos dos amantes se cristalizam e de dia se liquefazem em beijo e lágrimas. Quem ama diz boa noite como quem abre e fecha a porta  de um jardim. Não apenas como quem viaja, mas como quem vai para a colheita.

Quando se ama, acontece de um habitar o sonho do outro, e fecundá-lo.

 

(DESCONHEÇO O AUTOR...)

 

Desculpem o texto pronto, mas ando lutando no meio de um verdadeiro caos, o que tem me impedido de escrever com mais regularidade. E as tentativas de texto têm sido frustrantes. Porisso, escolhí este, recebido por e-mail, que achei bastante interessante. Espero que gostem. Um beijo para os que o quiserem, abraço e carinho para todos.

 

 



 Zeca07 - 19h36
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