Doce Maria

 

Doce Maria! De todos os Joões, Josés, Antonios... de quem quiser! A todos traz compensações, prazeres desconhecidos, consolo, relaxamento. E lhes dispensa um sorriso ingente, ingênuo. Todos se apegam a ela, que não se afeiçoa a ninguém. Ela não sabe de onde veio. Desde onde se lembra, sempre esteve ali, naquele mesmo lugar. E sempre atende a clientela sem reclamar, deixando a parte do patrão sobre o balcão, assim que o cliente sai e ela termina de limpar-se na bacia de ágata azul. Borrifa um pouco de perfume no pescoço, passa um pente pelos longos e negros cabelos e desce, à espera do próximo cliente. Suas colegas gostam dela, que nos momentos de lazer lhes conta lindas histórias de fadas e de sonhos estranhos. Nem ela sabe de onde tira essas histórias. Talvez venham direto do coração, talvez sejam ditadas por um anjo invisível.

Numa tarde de sábado, aproxima-se um jovem estreito e imberbe, a quem Maria dedica um largo sorriso. Sem palavras, ela o toma pela mão e sobem para o quartinho rosa acanhado. Do alto da escada, como se ouvisse um aviso, vira-se e olha para o patrão que lê um jornal ultrapassado. Sem retorno, volta-se para o quarto e encaminha o amante mudo e desprovido de sorrisos.

Na rua, um sol cambiante tenta esconder-se, em sinal de desesperança a todas as ilusões. Um cão late e roda atrás do próprio rabo. Outros sons, não se ouvem.

Só uma porta batendo e, dois minutos após, um vulto cosendo-se contra as paredes, desaparecendo no lusco-fusco, sem ninguém mais prestar atenção.

O patrão terminou a leitura do jornal velho e preparou-se para urinar. Mas antes resolveu subir ao quarto de Maria, pois o cliente já havia saído há alguns minutos e ela não aparecera. Precavido, chamou Joana, sua mais antiga companheira. Subiram as escadas que rangiam a cada passo, como se o caminho fosse longo e difícil. Finalmente, no alto, bateram à porta demoradamente, e ninguém abriu.

Aquele silêncio intrigava, abria caminho à desconfiança. Afinal, em tantos anos, Maria nunca deixara de descer logo após a saída do cliente...

Com um tranco a porta cedeu e o patrão, meio desequilibrado, lançou-se ao centro do pequeno aposento, quase chocando-se contra a cama onde estava Maria.

Joana levou a mão à boca, os olhos enormes e negros se abriram mais e arrepiou-se inteira.

Uma gota de saliva brilhava nos lábios de Maria, que exibiam um sorriso sereno. O dente de ouro do patrão brilhou revelando uma falha em sua boca, enquanto suas mãos nervosas tocavam o corpo da protegida à procura de vestígios de vida.

Ela respirava, sim. Suavemente, num sono tranqüilo, o corpo relaxado, um sorriso de consolo.  

Nessa noite todos fizeram silêncio, deixando-a dormir. Ninguém teve coragem de interromper seus sonhos, certamente repletos de fadas e de seres encantados. Todos entenderam que ela havia recebido a visita do seu anjo.

 Zeca07 - 23h32
[   ]




 

          ENSINE-ME A SONHAR

 

-          Estou muito triste, o sono não me tranquiliza mais com sua companhia. O apetite deixou-me, boca amarga, garganta seca. Acabo de sentir toda a rejeição do meu ex-namorado. Ele passou por mim como se nem me conhecesse, de mãos dadas com uma garota de longos cabelos loiros. Suas roupas, coloridas, contrastam com as minhas, sérias, tradicionais. Você acha que estou perdendo meus atrativos?

-          Não, querida! Você é linda! Apenas seus olhos mostram mágoa, seus lábios não sorriem. Isso é bom para aprendermos a não nos entregarmos por completo a um qualquer. Eu também estou triste. Flagrei meu ex entrando no carro de um belo rapaz, mais jovem que eu, com um lindo sorriso. Pareciam tão felizes juntos! Não sei se me viu e ignorou, mas acho difícil não me ver, já que eu estava parado na calçada, aguardando a abertura do sinal.

-          Eu também os vi juntos, ontem à tarde. Voltava para casa, e não pude deixar de notar o sorriso de cumplicidade que os unia, nem as mãos que insistiam em tocar-se enquanto andavam. Enquanto me sentia triste e solitária, não pude deixar de sentir a sua solidão e tristeza, meu amigo querido.

-          Às vezes me pergunto se não será melhor uma boa amizade do que um tórrido caso de amor. O amor se gasta a ponto de, um dia, percebermos que já não existe mais nada que o sustente. Vai se gastando um pouco por dia, a cada toque, a cada beijo, a cada confidência. Um dia, aquele que guardava menor quantidade dele dentro de si, descobre-se vazio, sem nada mais para dar. É nesse dia em que somos abandonados, rejeitados, esquecidos.

-          Não posso concordar com você, embora entenda inteiramente o seu ponto de vista. A amizade é expontânea, gratuita, auto-alimentada. Porém, mesmo a sua enormidade, não nos permite sentir o arrepio na espinha que a simples lembrança do amado provoca.

-          Mas em compensação, ela une as pessoas em todos os momentos e as torna cúmplices principalmente nos momentos de solidão, de desesperança. Ela dá alento, oferece ombro, conforto, solidariedade.

-          Mas não traz o gozo. Não traz o prazer sentido pelo simples passar de um dedo amado sobre nossa pele nua.

-          Mas traz a companhia negada pelo amado, na forma da companhia ofertada pelo amigo querido.

-          Não consigo entender esse ponto de vista, pois vibro à lembrança do amado. Mesmo sabendo-me substituída, a esperança, o último laço a unir-me a ele, não deixa de fazer-me acreditar na possibilidade de que um dia, ele perceba o quanto o amava, o quanto ainda tenho de amor para dar-lhe. E volte. Me valorize. Me faça voar novamente.

 

Se você chegou até aqui, por favor, não pare. Existe uma continuação. Leia-a antes de formar sua opinião e deixar (ou não) o seu comentário.

 

C O N T I N U A

 

 



 Zeca07 - 16h13
[   ]




 

          C O N T I N U A Ç Ã O

        

-          Eu não posso alimentar-me desse tipo de esperança, já que vi em seus últimos gestos, o fim do sonho, o fim da ilusão, o fim da paixão, o fim do amor. Ele gastou-o todo – em tão pouco tempo! – e ao perceber o saldo negativo, não hesitou em deixar-me com minhas lágrimas, meus lamentos, minhas súplicas. Não teve nenhuma contemplação, nenhum gesto de gratidão ou de entendimento. Apenas gestos de rejeição. Não aceitou a boca úmida que lhe oferecia e afastou com mãos firmes e frias os braços trêmulos que tentavam enlaça-lo em um derradeiro abraço. Meu corpo, ousado, suado, não lhe provocava senão repulsa e nojo. Seus olhos, antes tão amorosos, não me olhavam, nem com piedade. Seus passos, se ausentando de minha presença, eram firmes e rápidos, como se fugisse de alguém que quisesse o seu mal. O seu desamor matou a minha esperança.

-          Não pense assim, querido! Não rasteje como se fosse um verme. Não se diminua, se engrandeça. Ele foi honesto consigo e, principalmente com você. Vendo que nada mais restava dos sentimentos que durante tanto tempo os tornaram únicos, não hesitou e, munido de coragem, veio dize-lo a você, antes que outra pessoa o fizesse. Não teve a covardia do meu ex que,  distanciando-se, pouco a pouco, enviava recados enviezados. Que me deixava plantada, dias e dias à espera de um sinal, de uma visita. Até que eu mesma, farta de arquivar dúvidas, engavetar segredos, resolvi abrir o jogo e perguntar-lhe diretamente se já não mais gostava de mim. Ainda assim ele veio com aquela conversa de que eu era isso, aquilo, uma pessoa muito especial, mas que já não lhe provocava os mesmos sentimentos que um dia o tiravam do solo. E depois desse discurso sem pena, ainda ofereceu os lábios frios e secos, um abraço rápido e folgado. E seus passos, quando se afastava, eram lentos e arrastados, como se lhe faltasse coragem ou destino.

-          Entretanto, seu coração feminino soube entendê-lo e perdoa-lo, ao passo que o meu, masculino, só soube arrebanhar todas as mágoas que foram deixadas passar.

-          Não, meu amigo! Não existe coração feminino, nem masculino. Existem apenas corações.

-          Mas como, se vejo em você, minha amiga, a docilidade da mãe, que a tudo perdoa. Se vejo lampejos de esperança que alimentam sua alma e a fazem aguardar uma reviravolta que todas as probabilidades mostram impossível!

-          Não se trata da docilidade de mãe, nem de probabilidades matemáticas. Trata-se apenas de amor. E amar é sonhar.

-          Então, eu já não devo amá-lo mais. Pois nem ao menos os sonhos me restaram.

-          Fico triste por você, querido. A infelicidade daquele que não consegue sonhar é mais profunda, mais dolorida. É alimentada pelo rancor, pela dor da perda, ou pelo sentimento de posse. Enquanto não libertar seu coração desse sentimento egoísta, em que seu amado só pode ser feliz se estiver com você, não conseguirá encontrar o equilíbrio necessário à busca por mais um pouco de felicidade.

-    Então, ensine-me! Ajude-me a tirar essa dor profunda que fere e resseca a parte mais profunda da minha alma. Enquanto não livrar-me dessa dor, meu coração continuará sendo alimentado com fel, meus olhos verão noites sem lua, minhas mãos não encontrarão um local de repouso. Meus pés estarão tateando caminhos, procurando buracos, ao invés de evitá-los. Minhas lágrimas queimarão minhas faces e meus gritos afugentarão as estrelas. Ajude-me! Ensine-ma e sonhar.



 Zeca07 - 16h05
[   ]




 

Nas ervas

(Eugénio de Andrade)

Escalar-te lábio a lábio,
percorrer-te: eis a cintura
o lume breve entre as nádegas
e o ventre, o peito, o dorso
descer aos flancos, enterrar

os olhos na pedra fresca
dos teus olhos,
entregar-me poro a poro
ao furor da tua boca,
esquecer a mão errante
na festa ou na fresta

aberta à doce penetração
das águas duras,
respirar como quem tropeça
no escuro, gritar
às portas da alegria,
da solidão.

porque é terrivel
subir assim às hastes da loucura,
do fogo descer à neve.

abandonar-me agora
nas ervas ao orvalho -
a glande leve.

 

Anteontem foi o 82º aniversário do grande poeta português Eugénio de Andrade. Como homenagem deixo aquí uma de suas mais belas e eróticas poesias e alguns dados biográficos.

 

José Fontinhas nasceu a 19 de janeiro de 1923 em Póvoa de Atalaia, pequena aldeia da Beira Baixa situada entre o Fundão e Castelo Branco, filho de camponeses. A infância é passada com a mãe, figura dominante durante toda a sua vida e obra. O pai, filho de camponeses abastados, pouco presente, já que o casamento durou muito pouco. Aos 6 anos, muda-se com sua mãe para Castelo Branco e aos 9 novamente, agora para Lisboa, onde se fixara seu pai. Alí prossegue os estudos e desperta seu interessa pela leitura. Também começa a escrever os primeiros poemas que acabarão sendo rejeitados mais tarde, por considerá-los 'juvenís demais'. Adota o pseudônimo de Eugénio de Andrade e é iniciada sua produção literária.

 Em 1943, o poeta muda-se novamente acompanhado pela sua mãe para Coimbra, onde permanece até ao final do ano de 1946, altura em que se fixa novamente em Lisboa.

 Em 1950 é tranferido para o Porto, cidade onde ainda hoje vive.

Em 1956 morre a sua mãe e uma parte do poeta: "A minha ligação à infância é, sobretudo, uma ligação à minha mãe e à minha terra, porque, no fundo, vivemos um para o outro".

Em 1977 inicia-se a publicação da "Obra de Eugénio de Andrade" pela Editora "Limiar". Nasce, em 1991, a Fundação Eugénio de Andrade, que está reeditando toda a obra do poeta, sendo o último volume o número 26, o livro de poesia "O Sal da Língua" (1995). Situada na Foz do Douro, numa casa recuperada na esquina da Rua do Passeio Alegre com a Calçada de Serrúbia, a Fundação serve também de residência ao poeta.

Publicou mais de duas dezenas de livros de poesia. Obras em prosa, antologias, álbuns, livros para crianças e traduções para português de grandes poetas estrangeiros (Lorca, Safo, Char, Reverdy, Ritsos, Borges, etc...). Eugénio de Andrade é, realmente - ao lado de Pessoa - o poeta português mais divulgado no mundo.

 

 



 Zeca07 - 20h23
[   ]




 

O ANJO DA VIDA

 

 

Estava deitado num quarto solitário, banhado em suor. Diante de mim desfilavam todas as histórias vividas, felizes ou infelizes. O mais impressionante era que todos os personagenspossuíam as mesmas feições, as mesmas características, as mesmas marcas. Em minha solidão e desespero, constatava que sem aprender nada, me envolvia com pessoas iguais às anteriores. E percebia, entre lágrimas doloridas, que àquela altura, não cabiam arrependimentos. A vida estava presa a mim por um tênue fio, fácil de romper-se a qualquer brisa. A solidão machucava minha alma. Ninguém ao meu lado, disposto a segurar minha mão naquele momento difícil. Nenhum olhar bondoso pousado em meus olhos úmidos com compaixão; uma mão que secasse as lágrimas que deixavam seu rastro em meu rosto pálido e sofrido. Sentia-me só e, tomando consciência disso, uma calma submissa ia se apossando do meu coração atormentado, dando-lhe alento naquele momento especial. Eu sabia claramente o que me aguardava. Sabia, sem nenhuma dúvida, qual era o momento pelo qual passava. E o medo inicial, transformado em dor e solidão, sofreunova alteração, desta vez um sentimento de resignada aceitação.

 

Uma leve brisa entrou pela pequena janela fazendo as cortinas se agitarem. A princípio nada vi, sentindo apenas o frescor da aragem que aplacava um pouco a minha febre. Meus olhos, ainda úmidos, já estavam quase fechados, sem forças para olharem em volta, observarem o quarto e os poucos móveis que o compunham. As fortes luzes eternas da UTI os ofuscavam.

 

Pouco a pouco,  meu corpo frágil começou a sentir uma presença diferente no acanhado quarto que lhe cabia em seus últimos momentos. Abrindo com esforço os olhos e passeando-os em volta, senti, a princípio, alguma dificuldade em distinguir alguém mais ao meu lado. Pouco a pouco, uma figura imponente foi tomando forma. Era jovem e de grande beleza. Suas vestes eram claras e leves e, formando uma figura extraordinária; enorme par de asas saía de suas costas, agitando-se levemente vez ou outra. Não ouvia sua voz, mas seus olhos meigos e carinhosos, fixos nos meus, transmitiam coragem, força, enorme bem estar. Minhas dores físicas haviam sumido e as dores da alma estavam aplacadas, embora fosse reconhecendo naquele belo rosto as mesmas feições de todas as pessoas que passaram pela minha vida.

A cada quase imperceptível movimento de suas enormes asas, leve brisa aplacava o calor que antes me banhava em suor. Suas mãos, agitando-se suavemente ao meu redor, sem tocar meu corpo, traziam alívio às dores que me corroíam até tão poucos minutos. E a cada movimento seu, doce e suave perfume difundia-se ao meu redor, dando-me incompreensível tranqüilidade. Em sua companhia a recente solidão parecia coisa de antigos pesadelos. Uma tranqüilidade incomum foi tomando conta de mim e me sentia cada vez mais disposto a levantar-me daquela cama e segui-lo para onde pretendesse levar-me.

 

Lentamente ele foi baixando seu rosto em direção ao meu, seus lábios rubros cada vez mais próximos. Não sabia se iria sussurrar-me algo ou presentear-me com um beijo. Quando seus lábios tocaram os meus, uma breve sensação de frio percorreu meu corpo como um arrepio. Seus braços enlaçaram-me e, com enorme facilidade, ergueram-me daquele leito de passagem. Senti-me flutuando, porém seguro pelos seus braços que transmitiam proteção e seu beijo terno, que transmitia amor. Arrisquei um olhar para baixo e vi, quase assustado, o meu próprio corpo marcado pelas doenças, inerte naquela cama solitária. Ainda sem entender muito bem o que acontecia, tomei consciência do meu corpo, enlaçado pelos firmes braços do anjo, revigorado e em todo o esplendor de sua juventude. Meus cabelos esvoaçavam suaves, minha pele tinha a textura de um pêssego e meu corpo perfeito, pairava livre, pelo espaço. O único elo com aquele passado tão recente era o anjo que, pouco a pouco foi deixando que meu corpo se soltasse e minha boca se abrisse em um sorriso feliz, talvez o primeiro dos últimos anos.

 

Ele olhou-me profundamente, sorriu pérolas e fez um suave gesto, convidando-me a segui-lo pelo espaço cravejado de estrelas. Sentia-me tão seguro que nem me passou pela cabeça a menor dúvida. Seguiria com ele para qualquer lugar.

 

E seguimos, lado a lado, flutuando pelo espaço enquanto percebia, surpreso, o nascimento de asas em minhas costas.

 

 

Dedico este conto a alguns amigos virtuais que fazem parte de minha vida desde o surgimento do Janelas Abertas.



 Zeca07 - 18h40
[   ]




UM NOVO ANO, UMA NOVA VIDA(?) – CONTINUANDO A ANÁLISE

 

Seguindo o meu balanço pessoal do ano que terminou, tenho ainda algumas considerações a respeito deste espaço, que assumiu enorme importância em minha vida. Talvez tenha sido uma das mais felizes decisões tomadas no ano passado.

 

Entre o início do Janelas Abertas, as experiências com textos e histórias e também com amigos em textos conjuntos, fui percebendo, até com alguma tristeza, a ausência de pessoas que me visitavam sempre. E pouco a pouco, pararam de aparecer, de deixar seus comentários. E assim foi sendo feita uma espécie de seleção, eliminando alguns blogs que visitava habitualmente. Alguns por terem desaparecido, outros por falta de reciprocidade, e até mesmo alguns por falta de interesse. Então percebi que este espaço é bastante ativo; vive se modificando, com a entrada de pessoas novas em nossas vidas e com a conseqüente saída de outras. E entre todas, algumas se tornam verdadeiras “amigas”. Pessoas com quem passamos a trocar e-mails, ou telefonemas, ou longos bate-papos no msn. Essas pessoas se tornam muito importantes e sentimos saudades em suas ausências, falta de suas palavras.  

 

Estou muito feliz com o resultado obtido com este blog, pois tenho recebido palavras de carinho, de incentivo, de crescimento. E espero que, neste novo ano, este espaço possa ser melhorado e novos amigos conquistados.

 

Outro fato marcante no ano passado, em minha vida pessoal, foi o término da sociedade que tinha, quando adquiri a parte do meu ex-sócio e me tornei o único proprietário da Trilha Guaianá, uma loja de objetos de decoração e presentes, que tem quinze anos de história. Na época resolvi recomeçar do zero, acabar de vez com o nome antigo e criar uma nova empresa, com o sugestivo nome de “Alémdoarcoíris”, um sonho já acalentado há algum tempo. Entre altos e baixos, o nome antigo foi resistindo e, já em dezembro, acabei decidindo “arquivar” a Alémdoarcoíris e manter a Trilha Guaianá. Vários fatores favoreceram essa decisão. Entre eles, os “falsos amigos”, o casal que apareceu do nada em minha vida e tentou me enrolar, quase me aplicando um golpe assustador. Felizmente me livrei dessa ameaça ileso, porém marcado por mais uma desilusão com pessoas em quem cheguei a acreditar e a quem já estava entregando a minha amizade sincera e verdadeira.

 

Então, permanece a Trilha Guaianá e, pelo menos por algum tempo, não se fala mais na Alémdoarcoíris.



 Zeca07 - 16h03
[   ]




 

UM NOVO ANO, UMA NOVA VIDA(?)

PRIMEIRA PARTE

 

Sempre que termina um ano e inicia-se um novo, pipocam balanços, resumos, previsões. Como se a vida sofresse uma pausa à meia noite do dia 31 de dezembro e recomeçasse no primeiro minuto do dia 01 de janeiro, novinha em folha. Com suas falhas passadas a limpo e os sucessos devidamente festejados. Durante todo o mês de dezembro (para alguns mais afoitos, já em novembro) trocam-se votos de feliz e próspero ano novo. Desejam-se todas as coisas boas a que todos aspiram, como saúde, paz, alegria, amor, realizações, prosperidade, e uma infinidade de “bondades” até difícil de enumerar. Como se não desejássemos essas mesmas coisas todos os dias do ano! Para nós e para nossos parentes e amigos. Até mesmo para a humanidade. Dificilmente algum de nós terá coragem suficiente para desejar “maldades” aos outros. Principalmente por escrito, ou em público.

 

Na verdade, o dia que inicia cada mês de janeiro, nada mais é que um novo dia, como qualquer outro, que inicie ou não qualquer mês do ano. É feriado, porisso diferente de outros. Mas o dia 01 de maio também é feriado! E nem sendo o “Dia do Trabalho”, é tão festejado e comemorado como o 01 de janeiro. Na verdade, essa data é um marco, quase que regulatório em nossas vidas. Podemos deixar algumas coisas para serem decididas ou iniciadas no “novo ano”, podemos postergar uma dieta para “depois das festas”, podemos procurar uma pessoa ou um novo trabalho, enfim, são tantas as coisas que podemos deixar para janeiro... mesmo sabendo que tudo continuará como antes. As contas vencendo nos mesmos dias, as obrigações assumidas, os deveres, o trabalho nosso de cada dia. Tudo continuará igualzinho, mas sempre com o sabor do novo; até nos acostumarmos com a rotina e darmos a normalidade devida à nossa vida.

 

Em fevereiro tem carnaval! Então, é um velho hábito brasileiro, empurrar com a barriga, essas mesmas coisas que deixamos de um ano velho para o novo, para “depois do carnaval”. E lá vai janeiro desfilando pela avenida, ao som dos sambas que guiarão as escolas durante o desfile momesco. E só depois do carnaval é que iremos iniciar, de verdade, o ano que já nasceu. Mas enquanto isso, as contas continuam vencendo nos mesmos dias, as obrigações e deveres permanecem nos cobrando soluções e o nosso trabalho (a menos que tiremos férias) não nos dá sossego. Mas permanecemos iludidos a respeito das prorrogações em nome de um novo ano e, depois, do carnaval que virá. E em nossas fantasias, tudo será diferente! Tudo recomeçará!

 

Existem ainda alguns que teimosamente empurram tudo para depois da páscoa, que acontece quarenta dias após o carnaval. Esses, na verdade, se puderem, já decidem deixar mesmo é para o “próximo ano”... e assim, vamos seguindo.

 

(por favor, devido à limitação de caracteres, precisei dividir este texto em duas partes. A segunda vem em seguida...)

 

 



 Zeca07 - 17h20
[   ]




 

UM NOVO ANO, UMA NOVA VIDA(?)

SEGUNDA PARTE

 

 

2004 foi, como todos os outros, um ano repleto de altos e baixos. Iniciamos e encerramos o ano em meio a muita violência nos grandes centros, alguma nos menores. Os políticos, em geral, não deram uma trégua e protagonizaram novos escândalos, ou reinventaram antigos e os transformaram. Alguns, mereceram os votos que receberam, mas esses, infelizmente, foram muito poucos. Já está na nossa cultura popular o velho e desgastado chavão de que “político é tudo igual”, ou “se for honesto, não pode ser político”. E continuamos nos conformando com nossa aparente impotência diante de tanta semvergonhice, permitindo aos canalhas de plantão que continuem nos espoliando, nos enganando e enriquecendo às custas do nosso próprio empobrecimento. Alguns avanços foram conseguidos e muito retrocesso também.

 

Tivemos também nossas quotas, tanto no país, quanto no resto do mundo, de catástrofes, escândalos, violência. Participamos de alguns movimentos em prol de alguma coisa ou deixamos para participar de algum outro movimento em algum momento futuro. Como sempre fazemos.

 

Particularmente, meu ano foi marcado por alguns acontecimentos. Não me refiro aqui aos acontecimentos que marcaram a muitos, ou a todos. Refiro-me apenas aos acontecimentos que marcaram a minha vidinha simples e interiorana. Nos primeiros meses do ano, nada de especial até que, em maio, cedendo a uma tentação que me atormentava, resolvi criar um blog! Nem sabia direito o que vinha a ser isso ou o que faria com... mas caí de cabeça e surgiu o Janelas Abertas. Esse espaço me trouxe novos contatos e, principalmente, nova percepção das pessoas e suas interrelações.

 

Houve um período de pico, quando recebia dezenas de visitantes e retribuía essas visitas na mesma velocidade. Depois houve uma espécie de depuração. Algumas pessoas se cansaram de visitar-me e de ler meus textos nada lineares, nada previsíveis. Textos tão variados que eu mesmo cheguei a questionar se deveria dar um rumo mais definido ao blog, acabando por deixar como estava, publicando o que viesse. Nesse período, surgiu “A História de Axel”, uma história fictícia, mas com base em minha própria história e nas de algumas pessoas reais. Questionei também a validade dessa história e pensei em deixá-la. Mas várias pessoas pediram que não a deixasse sem continuação e acabei por intercalar os “capítulos” entre os demais textos.

 

Houve também as experiências e as criações conjuntas. Textos criados com a Dira, com o Rick, com a Mariza. Foi gostoso e gratificante trabalhar em conjunto com pessoas tão especiais! Senti-me orgulhoso e satisfeito com os resultados. Espero continuar essas experiências em 2005. Estou aceitando convites.

 



 Zeca07 - 17h16
[   ]





  "
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Livros, Cinema e vídeo, Pintura
Outro -
Histórico:
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/12/2005 a 31/12/2005
  01/11/2005 a 30/11/2005
  01/10/2005 a 31/10/2005
  01/09/2005 a 30/09/2005
  01/08/2005 a 31/08/2005
  01/05/2005 a 31/05/2005
  01/03/2005 a 31/03/2005
  01/02/2005 a 28/02/2005
  01/01/2005 a 31/01/2005
  01/12/2004 a 31/12/2004
  01/11/2004 a 30/11/2004
  01/10/2004 a 31/10/2004
  01/09/2004 a 30/09/2004
  01/08/2004 a 31/08/2004
  01/07/2004 a 31/07/2004
  01/06/2004 a 30/06/2004
  01/05/2004 a 31/05/2004


Blogs que leio:
  ÁGUIA SERENA
  ANA
  ANDRESA
  ALF
  BEAGAY
  BRUNA
  CECI
  CLARICE
  CLAUDINHA
  CIGANINHO
  CHERRY
  CRYSTAL
  DE (AGILIZA)
  DO
  DORA
  DRIKA
  ELAYNE
  ELZA
  GIULIA
  GRACE
  HEBE
  INDIANIRA
  JANE I
  JANE II
  JEANETE RUARO
  JÉSSICA
  JÉSSICA II
  JOTA EFFE ESSE
  JU = MEDO DE AVIÃO
  JU = NAVEGANDO
  JULIO CESAR
  KARINE
  KATHY
  KEILA, A LOBA
  KERY
  LANA
  LIANNARA
  LINO RESENDE
  LOBABH
  LOBA/PALIMPNÓIA
  LUCIA MI
  LUZES DA CIDADE
  MAGUI
  MANOEL DONINI
  MÁRCIA(CLARINHA)
  MÁRCIA DO VALLE
  MARCO
  MARILIA
  MARY
  MASCARADOS
  MENSAGENS ESPIRITUAIS
  MESTRA DOS SONHOS
  MEU CARO VINHO
  MC MIGUEL
  MILY
  NANI
  NEY ALEXANDRE
  NORMANDO
  O APANHADOR DE SONHOS
  PLUTO FILHO DA PLUTA
  RAFAEL
  RAINHA DE COPAS
  ROSA
  ROSEMARI (I)
  ROSEMARI (II)
  RUBO JÜNGER
  SANDRA / AMERS
  SANKA
  SARAMAR (I)
  SARAMAR (II)
  SARAMAR (III)
  SERGIO
  SETH
  SIDPIM
  SIMPATIAEESCULACHO
  SONIA
  TANER
  TOM
  VOANDO PELO CÉU DA BOCA


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!


Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com




O que é isto?