UM SÁBADO SOLITÁRIO


Há poucos dias anunciei, feliz da vida, a minha associação a um jovem casal vindo para estas terras. Planejamos tudo, discutimos detalhadamente, fizemos todo o trabalho de viabilização de um negócio, enfim, trabalhamos duramente para a realização de uma sociedade que seria altamente benéfica a todos. Infelizmente, sem qualquer explicação, o jovem casal chamou um táxi, colocou todas as suas coisas dentro e se mandou para São Paulo, sem ao menos dar alguma explicação. E sem deixar endereço, telefone, e-mail, qualquer meio que possibilitasse encontrá-los. Intrigado, passei a investigar e acabei descobrindo que os nomes usados por eles eram falsos. Assim como os documentos e até mesmo a conta bancária. Num trabalho detetivesco, descobrí uma senhora de São Paulo, que tem um sobrinho com o nome do rapaz, que mora em Salvador e que foi roubado há alguns meses, ficando sem seus documentos, talões de cheques e cartões de crédito. Acabei fazendo contato com essa pessoa que me enviou algumas fotos onde os dois apareciam e... eram os mesmos que estavam prestes a se tornarem meus sócios!

Não sei o que houve, provavelmente minha mania de perfeccionismo fez com que seus planos de um golpe por aquí – nem tenho idéia de qual seria – naufragassem, provocando sua fuga numa terça feira pela manhã. De prejuizo mesmo, apenas os morais, já que havia entabulado conversas com o proprietário das lojas que estávamos interessados em adquirir, assim como havia convidado dois rapazes para trabalharem conosco. Isso é o menor dos problemas, já que basta desconversar, explicar o problema ocorrido e pronto! Tudo volta à estaca zero. Antes fosse assim! A sensação de ter sido enganado no que mais prezo, que é a amizade é triste e difícil de suportar. Como puderam essas duas pessoas fingir tão bem e durante tanto tempo uma situação que não era verdadeira! Acho que ambos se dariam muitíssimo bem se enveredassem pelo caminho dos espetáculos, pois talento não lhes falta. Confesso que estava realmente me tornando amigo verdadeiro deles e até mesmo tenho sentido falta da sua companhia, já que no pouco tempo em que convivemos estávamos sempre juntos.

As pessoas, geralmente, ficam preocupadas com as amizades virtuais, os namoros virtuais, os encontros gerados pelo teclado de dois computadores. Acabam se esquecendo que na vida real existem também pessoas prontas para enganar as outras, prontas para dar golpes, sem se importarem com os danos que causarão.

Estou bastante triste com o ocorrido e confesso que um pouco mais desconfiado das pessoas. Já não mais consigo pensar normalmente nos relacionamentos sem me perguntar o que poderia beneficiar ou prejudicar as partes envolvidas. É triste que seja assim, mas é assim que vamos aprendendo a conviver com as outras pessoas numa época marcada pela violência (em todos os sentidos), pelas falsidades, pelos interesses pessoais.

De tudo, salvou-se bastante. A Alémdoarcoíris continua sendo minha, nada mudou seu funcionamento e, felizmente, as vendas têm melhorado sensivelmente à medida que novembro vai findando. Espero um dezembro melhor, comercialmente falando. Mas infelizmente não melhor se pensar nele como ser humano que sou, sujeito a simpatias, amizades, amores e confianças depositadas. Nesse aspecto este dezembro será um pouco pior que o anterior. Infelizmente.

E é nesse estado de espírito que me dou conta de que estou sozinho. Fisicamente. Quando entro no meu ninho, caprichosamente construído com tudo o que me causa conforto e prazer e fecho a porta, percebo que tenho como companhia apenas um telefone, um aparelho de som, outro de tv e o computador. Não tenho uma mão para segurar a minha, um ombro para encostar a cabeça, lábios para sussurrarem palavras de conforto em meus ouvidos. Meus poucos amigos da vida real estão ocupados e envolvidos em suas vidas pessoais e, geralmente, distantes. Meus amigos virtuais acabam sendo o meu porto seguro, pois acaba sendo para vocês que ganho coragem e desabafo meus medos, minha solidão.

Obrigado, meus amigos, pela paciência de terem chegado até aquí.


 Zeca07 - 20h57
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A HISTÓRIA DE AXEL VI

Axel passou aquele ano servindo à Pátria e, como sempre, cumpriu muito bem todas as suas obrigações e fez muitos e bons amigos, inclusive entre os oficiais. Fez o curso para cabos, depois para sargento, comandava um grupo de comando e trabalhava na intendência da companhia. Como sabia pintar, fez um grande mural mostrando uma pantera negra pronta para o bote, simbolizando a companhia e que era visitado por todo mundo. Ele acabou sendo um dos soldados mais populares do quartel. Quando, no final do ano, terminou seu período, não aceitou continuar de jeito nenhum e deu baixa, levando para casa o troféu de “Melhor Praça do Ano”!

Durante esse ano, sempre muito cuidadoso consigo mesmo, Axel arranjou uma lavadeira para cuidar de suas roupas e foi à alfaiataria para ajustar as fardas. A alfaiate, uma senhora muito simpática, logo travou amizade com ele e enquanto ela ia ajustando todas as suas fardas, ele ia sempre lá para conversarem. Até que, no dia em que foi buscar a última farda, foi atendido por uma linda morena, com o sorriso mais doce que ele havia visto até então! Se apaixonou à primeira vista pela morena que ouviu chamar a alfaiate de “mãe”. Ah! Toda hora ele inventava um jeito de passar por lá, até que conseguiu reencontrar a doce morena. Impetuoso, convidou-a para um encontro na praça, naquela noite. E ela, até mesmo para sua surpresa, aceitou!

Se encontraram e, em pouco tempo, estavam namorando! Apaixonadíssimos! Até hoje, quando Axel se lembra de sua doce Regina, seus olhos se umedecem de saudade. O único problema era o pai dela, oficial no quartel e não permitia que sua filha namorasse soldados. Mas como o irmão dela também estava servindo em outra companhia, a própria mãe/madrinha arranjou a solução. Apresentou os dois rapazes e pediu ao filho que levasse Axel em casa. Como Axel era fácil de fazer novos amigos, logo era amigão do cunhado e não teve nenhum problema em frequentar a casa da namorada, como amigo do irmão dela. E de vez em quando, saiam a quatro, Axel com a namorada e o irmão dela com a namorada dele. Se o pai alguma vez desconfiou de algo, nunca deixou transparecer, pois ele também gostava de Axel.

Quando terminou o período e Axel deu baixa, logicamente ele voltou a São Paulo onde retomou os estudos interrompidos e foi trabalhar. Mas todas as sextas feiras ele tomava o ônibus e ia passar o final de semana com sua amada. E como se amavam aqueles dois!

Nem a Arlete, aquela antiga namorada de Axel, que nunca se conformou com o término do namoro conseguiu atrapalhar tanto amor. Quando soube que ele estava namorando com uma garota do interior, foi até lá, descobriu a garota e (Baixaria das baixarias! Vergonha!) disse a ela que, se um dia o fizesse infeliz, ela iria até lá e acabaria com a outra! Parece coisa de novela mexicana! Mas aconteceu com Axel e Regina...

Após o período do quartel, claro que Axel pediu a mão da menina ao seu pai! E ele, nem pestanejou! Disse que sim, com enorme sorriso de satisfação. Porisso eu acredito que ele soubesse de tudo desde sempre! Aí, Axel passava os finais de semana lá, frequentava livremente a casa da namorada e, durante a semana, se empenhava no trabalho e nos estudos, pois já estavam fazendo planos para o casamento assim que Axel se formasse.

Até que, por vários acontecimentos que se desencadearam, Axel andou faltando três ou quatro finais de semana seguidos. Naquela época, as pessoas não tinham telefone em casa. Só os mais ricos. E também não se usava escrever cartas. Aliás, escrever prá que se no próximo final de semana Axel iria e explicaria o que aconteceu?


 Zeca07 - 21h30
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HOMENAGENS


Tenho andado distante, tolhido pelas grandes e pequenas coisas do dia-a-dia de alguém que vive intensamente e luta pela transformação de seus sonhos em realidades. Tenho estado distante, sem aquelas deliciosas visitas diárias aos amigos virtuais, que nem mesmo sei se são tão virtuais assim, já que vários deles me transmitem tanto carinho, tanta força, tanta luz. Mas tenho procurado, à medida do possível, dar uma passadinha aquí, outra alí, como um beija flor alimentando-se do néctar das flores. Tenho lido um pouco de um, um pouco de outro, tenho me deleitado com aqueles textos maravilhosos de alguns, com aquelas tiradas espirituosas de outros, com aquelas reflexões deixadas por vários desses amigos tão queridos e tão necessários como o ar que respiro.

Existem algumas pessoas que não precisam ser nomeadas, de tão importantes que já se tornaram em minha curta vida nesta blogosfera. Acabamos de completar seis meses de Janelas Abertas no último dia nove. E nem encontrei um tempinho, por mínimo que fosse para registrar essa data aquí. Mas dizem que tudo tem conserto, não é? Então aproveito hoje, dia treze de novembro, para comemorar esse período aquí, com vocês. Esta data é especialíssima para mim, pois é o dia do aniversário da minha amada mãe. Hoje ela completa oitenta anos de vida. Vida mesmo, vivida, lutada, sofrida, curtida, alegrada, entristecida. Ela é uma linda mulher. Ninguém acredita que ela tenha tantos anos de vida! Sua aparência é a de uma senhora de sessenta, sessenta e poucos anos. Seu sorriso é aberto e franco. Seu coração é enorme, arejado, espaçoso, limpo. Sua alegria é contagiante. E seu imenso amor é ilimitado. Todos, absolutamente todos cabem dentro do seu amor. E sempre tem lugar para mais um. E hoje, começo o dia agradecendo a Deus Todo Poderoso por ter permitido que comemoremos, todos juntos, essa data redonda e marcante que são os oitenta anos de vida de minha mãe. Parabéns, mãe! Eu te amo infinitamente! Te admiro e te respeito profundamente!

BoBinho, meu queridão! Nunca poderei abandoná-lo, não se preocupe. Apenas somos ligeiramente afastados, de vez em quando pelas voltas que a vida dá! Mas em meu coração o seu lugar é cativo! E nele você também vive para sempre!

Dira, minha bruxinha do bem, também te amo muito e saiba (em público) que seu cantinho dentro do meu coração está sempre muito bem cuidado, com flores frescas e perfume de canela pelo ar. Como posso deixá-la? Como posso esquecê-la? Você vive para sempre dentro de mim!

, amiga querida e camarada! Acabei de lustrar sua cadeira predileta e colocar ao lado, um pratinho cheio de guloseimas à espera de sua chegada ao seu cantinho, também iluminado, limpo e aromatizado por rosas brancas.

Sinuhe, querido amigo ciumento... eu adoro o Hannibal, mas você ocupa um espaço tão importante dentro deste velho coração, que se soubesse valorizá-lo, não precisaria ter ciúmes do carinho que tenho pelo Hannibal. Afinal, quando estou em São Paulo, principalmente quando passo pelo Ibirapuera, é de você que me lembro, é em você que penso...

Sérgio, Arabella, Ciganinho, Bá, Dequinh@, Maria Sapeca Madalena, Marcos, Anderson, Leandro (que recentemente se despediu), Lia, Line e Dedeinha, Lobba, Luna, Mariah (e Jornal do Blogueiro), Ju, Vinho, Patrícia, Bené Chaves, Mariza e Luluzinha, todos vocês estão bem acomodados em meu coração, pois é com sua companhia que conto, é com seus textos que me emociono, me entristeço, me alegro. É com muitos de vocês que passo deliciosos momentos de descontração e de aprendizado. Para todos vocês existe um cantinho igualmente arejado e perfumado, onde podemos, por alguns minutos a cada dia, estarmos a sós, ou acompanhados, trocando experiências, impressões, alegrias, tristezas, emoções. Vocês todos fazem parte da minha vida.

E agora, homenageados todos os querido amigos que estão entre meus prediletos dentro do mundo que tem suas janelas escancaradas, não poderia deixar de prestar uma homenagem especial. Eu quero falar do

ANDRÉ LUIS AQUINO

e seu e-book: Passos e Poemas do meu caminhar


André, seu livro é lindo! Já está linkado entre meus favoritos para que possa acessá-lo até como se fosse um livro de cabeceira. Devorei-o e continuarei devorando suas páginas incansávelmente. Vejo nele aquele menino de praia, vindo lá de São Sebastião, que estendeu suas asas sobre o mar e passou a sobrevoar o mundo, deixando espalhados seus escritos poéticos para alimentar as almas famintas de coisas boas.

Entre seus últimos posts no blog, quero tecer alguns poucos comentários para que todos possam saber um pouco mais sobre você e, os mais sensíveis se interessem em conhecê-lo e saborear um pouco a sua agradabilíssima companhia.

1) Linda e justa mensagem a um grande homem... sem polemizar, sem discutir ou julgar. Simplesmente valorizando o espírito de luta e a “lenda” criada durante sua trajetória por este mundinho de Deus. Todos nós deveríamos defender os homens-sonhos.

2) A sequência ao maravilhoso texto sobre o amor de Christian e Satine só poderia mesmo ser coroada com a homenagem a um louco, que amou seu povo, suas crenças, seus costumes “como o mar ama a sua água, como o ar ama o seu céu.”

3) A homenagem a uma das musas de Hollywood, impregnada de poesia, de romantismo, só poderia ser feita por alguém com a sensibilidade do poeta.

4) As palavras poéticas deste menino de praia voam sobre o mar sem fim, nas asas da gaivota cuidada por seu nobre coração.

5) Menino que caminha sòzinho, se sentindo tão passarinho, e indagando ao infinito, o por quê da (des)igualdade das pessoas lendo, além das nuvens, entre as estrelas, o nome do seu amor. E de tanto caminhar, suas pegadas se apagam no tempo, mas seus sapatos guardam, impregnada, a poeira dos caminhos trilhados.

6) “Em dias de trovão e tempestade pode nunca chegar, embora possamos vê-la através dos seus brilhantes raios, ouví-las na sinfonia das trovoadas e até mesmo sentí-la pela umidade do ar... tem coisas na vida da gente que chegam antes mesmo de chegar a verdade...”

Caso alguém queira deleitar-se com a poesia que brota de dentro do coração deste poeta, existem dois caminhos: seu blog, linkado no Janelas Abertas, ou seu e-book: www.andreluisaquino.ebooknet.com.br

Até mais.


 Zeca07 - 09h34
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ALÉMDOARCOÍRIS E O CÉU DE PRIMAVERA



Amigos, minha vida deu uma enorme reviravolta nestes últimos meses. Parte vocês têm acompanhado, desde agosto, com o término da minha sociedade e a criação da Alémdoarcoíris. Os últimos fatos relatados aquí envolveram o susto levado com minha mãe que, graças a Deus se encontra em recuperação, mas bem.

Existem outras coisas acontecendo e influenciando diretamente os meus dias, ainda não comentadas aquí. Recentemente mudou-se para o andar de cima, um jovem casal, com quem logo fiz grande amizade. E pouco a pouco fomos nos tornando muito amigos e praticamente inseparáveis. Na verdade, eles resolveram me adotar. Ambos têm problemas familiares e eu, com meu ar bonachão e meu meio século muito bem vivido, passei uma imagem de paisão e, por fazer parte de minha personalidade, logo os estava tratando com o carinho e a dedicação de um pai mesmo. Daí a formarmos um novo núcleo familiar, foi um pulo. Temos estado juntos praticamente todos os dias. Almoçamos e jantamos juntos e até mesmo estamos fazendo planos para nossas vidas e uma possível sociedade.

Não se assustem! Não sou um doidivanas qualquer! Também nenhum irresponsável que vai misturando as coisas e fazendo sociedade com qualquer um. Afinal, sou empresário e tenho vasta experiência de vida. Não sou rico, mas estou com os pés bem plantados e tenho uma pequena empresa sem dívidas, além de algum patrimônio que me permitem viver sem luxos, mas bem. E o jovem casal também tem uma situação financeira confortável, além de serem também empresários. Eles têm uma empresa de médio porte em São Paulo e a estão administrando daquí. Resolveram mudar-se devido à violência que impera nas maiores cidades do país e que, de certa forma, os vitimou. Ele foi alvo de quatro sequestros relâmpagos, com os sequestradores rodando com a vítima pela cidade e sacando dinheiro em caixas eletrônicos, até esgotar a conta. Aliando essa não-vida aos problemas de relacionamentos familiares e à natural tendência de ambos por uma vida mais simples e mais tranquila, elegeram a minha querida São Lourenço para se fixarem. Aquí nos conhecemos e, em alguns meses nos tornamos grandes amigos.

Ela, uma doce menina de vinte e cinco anos, encantou-se com a minha loja. E logo estava sonhando com a possibilidade de, de alguma forma, participar dela. Primeiro como cliente, em seguida, como amiga, dando opiniões a respeito de produtos e até de decoração e promoções para aumentar as vendas. Ele, vigoroso jovem de vinte e sete anos, empresário nato, formado em marketing, foi se tornando uma espécie de consultor sobre assuntos relacionados à área em que atua. E confesso que essa parceria, de início amigável, tem dado certo. Tenho visto minha loja mais bonita, meu faturamento maior e até novos clientes conseguidos através de campanhas promocionais que temos desenvolvido juntos. E também minha vida social se transformando, pois com a exuberância da juventude eles têm me tirado com mais frequências da minha vida acomodada junto aos meus livros e escritos e me levado para o mundo, para a rua, para as pessoas. Minhas amigas (as já mencionadas quatro mosqueteiras) foram prontamente incluídas em nosso círculo e algumas outras pessoas já se tornaram parte desse grupo.

Porisso também tenho andado meio ausente destas páginas e das dos blogs amigos. Assumí novos compromissos, novos relacionamentos, novas atividades. E isso me rouba um pouco do tempo que antes dedicava quase integralmente a vocês, meus queridos amigos virtuais. À medida do possível tenho tentado manter-me atualizado com a leitura dos blogs, embora já não os comente com a frequência de antes. E menos tempo tenho tido para estes papos aquí, no meu canto.

E agora, neste último final de semana, acabamos de formalizar a nossa sociedade. Meus jovens amigos compraram parte da Alémdoarcoíris, estamos preparando grande campanha promocional e de divulgação, bem como adquirindo, juntos, dois imóveis na mesma galeria para a ampliação da empresa. Na verdade, eu compro um e ela o outro, que serão devidamente abertos para abrigar uma versão maior da loja atual. E a loja atual, como já é uma das âncoras da galeria, permanece como está. Tiramos algumas fotos que prometo, nos próximos dias, incluir aquí, para que vocês tenham uma idéia de como é a loja hoje. E depois, mostrarei a “nova” Alémdoarcoíris.

Estou muito confiante nessa nova associação. Estamos fazendo tudo corretamente, com documentação preparada por advogado competente e o auxílio dos nossos contadores. E até o final desta semana teremos tudo devidamente formalizado, documentos registrados e então, iniciaremos a campanha de divulgação, com rádio, televisão e muitos brindes para os clientes. Também estamos criando uma novidade no comércio local, que é uma espécie de cartão vip. Mas sobre isso eu falo depois, afinal, ainda está sendo criado e, localmente, é novidade absoluta.

O que importa mesmo é que minha vida está atravessando uma fase muito boa, minha criatividade e minhas expectativas ganharam novo ânimo com essas pessoas que ganhei de presente, e minha mãe está bem. Devo trazê-los (meus pais) para passarem uma temporada comigo e estou me sentindo muitíssimo bem. Ouso dizer até que estou muito feliz. E agradeço a Deus a ao meu anjo guardião por todas as coisas boas que tenho recebido.

Até mais.




 Zeca07 - 07h00
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ABRINDO AS JANELAS – LOUVANDO A VIDA


A única certeza que podemos ter em nossas vidas é a morte. E mostram as estatísticas, que as pessoas mais idosas estão mais próximas dela, até mesmo pelo final do ciclo iniciado com o nascimento. Entretanto, em nossa cultura, não nos preparamos adequadamente para vivenciar esse momento. Nem o nosso próprio, como também os dos nossos parentes e amigos. A morte sempre é vista como uma perda, uma separação, algo irreversível. E nossos mortos, acabam entrando num nicho onde acabam semi-esquecidos.

Eu sempre tento estar preparado para essa vivência, até mesmo devido à idade avançada dos meus pais, ambos na casa dos oitenta anos. Eu acredito na reencarnação, que dá um sentido à vida e uma sequência à existência dos nossos espíritos, neste ou em outros planos. E sempre em estado de aprendizado, avançando para mais perto de Deus, embora não creia que cheguemos a estar ao lado Dele algum dia...

Teóricamente, claro, pois na prática, tudo desmorona, devido à própria imperfeição do meu espírito, ainda tão atrasado na escala evolutiva.

Recentemente, no episódio que envolveu a internação da minha mãe, fui duramente testado e colocado à prova. Enquanto constatei que ela não estava bem, que sua pressão arterial estava altíssima, que era necessário levá-la a um pronto socorro para que fosse adequadamente medicada, tudo bem; agí com a calma e a aparente frieza necessárias. Uma vez constatado que seu estado era grave e que necessitava passar algumas horas sob cuidados intensivos em uma UTI, antes de ser submetida a um cateterismo, meu sangue frio desapareceu e o medo se instalou em meu peito. Deixá-la dentro de uma sala fechada, com o corpo todo ligado a diversos aparelhos, várias pessoas totalmente desconhecidas manuseando-a, invadindo seu organismo com injeções e remédios que nem ela tinha consciência total de que estava ou não precisando, foi um martírio, um verdadeiro massacre psicológico. E ainda por cima não podia ficar por perto. Só eram permitidos dois horários diários de visitas (limitadas a duas por vez), com meia hora de duração cada. Nas outras vinte e três horas nem ao menos podíamos ser informados sobre o seu estado, a menos que se agravasse a ponto de ser cogitada a sua morte. Foram dois dias vividos numa espécie de limbo, onde todas as preocupações, todos os sentidos, todas as orações, enfim, cada ato, cada pensamento era dirigido a ela. À minha mãe.

E o meu padrasto, que amo talvez mais do que amei meu pai, num estado emocional lastimável. Eu ainda sentia a necessidade de animá-lo, de fazer-lhe companhia, de transmitir-lhe cuidados, carinho e amor. Pois a companheira de toda uma vida estava enfrentando uma batalha difícil, que precisava travar sozinha. Ninguém poderia fazer-lhe companhia. Assim, me ví na iminência de perder a minha mãe, totalmente fragilizado por essa possibilidade e ainda precisando fazer-me de forte para apoiar o meu padrasto que, naqueles momentos, certamente estaria ainda mais fragilizado do que eu.

Passada a fase mais crucial, feito o cateterismo e constatados os problemas que precisam ser resolvidos em sua saúde, ela pode, enfim, passar para um apartamente, onde podíamos passar o dia ao seu lado. Ele estava tão feliz que parecia uma criança quando ganha um brinquedo novo. Agilmente correu para casa para preparar uma maleta com algumas roupas e objetos, parecendo estar se preparando para uma pequena viagem. E ficou com minha mãe todos os dias, até a alta definitiva, quando fomos todos para casa.

Nessa altura eu já havia me recobrado do susto, estava novamente de posse do meu sangue frio, tomando providências, fazendo o que era necessário com habilidade quase profissional. Mas confesso que nos primeiros dias baqueei. Fiquei apreensivo, nervoso, com receio de atender o telefone. Aí percebí todo o meu despreparo para esse assunto difícil, que é a morte. Já não tenho certeza se a temo ou se me sinto preparado para enfrentá-la, como acreditava até bem pouco tempo.

Falar da morte, da passagem de uma vida conhecida para outra, desconhecida, até que não é tão difícil. O difícil mesmo é lidarmos com a possibilidade real e, pior, com o fato consumado. Eu não tenho a menor idéia de como reagirei quando chegar o momento de despedir-me de minha mãe, ou mesmo do meu padrasto. Já tive algumas perdas grandes, mas nenhuma tão grande quanto a do convívio com eles. E também não consigo imaginar-me morrendo. Parece algo quase abstrato, embora tenha a certeza absoluta de que em algum momento de minha vida, isso acontecerá. Mas confesso minha total incapacidade em pensar nisso.

Será que sou tão arrogante a ponto de me julgar imortal?


 Zeca07 - 16h56
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