NOTURNO

Há séculos nos fazíamos companhia, éramos apenas nós, sem mais ninguém, nada que nos separasse. Nossos amigos desistiram de convidar-nos, aos poucos foram se afastando e nos deixando completamente sós. Nosso imenso amor nos bastava, nos alimentava, nos aquecia. Não precisávamos de mais nada, de outras companhias, de outras paisagens, apenas um não vivia sem a presença constante do outro. A lua era nossa companheira, iluminava nossos carinhos, amparava nossos anseios. À sua luz nos amávamos, sob ela nos deitávamos e nos entregávamos aos delírios do amor. Não nos cansávamos um do outro. Simplesmente sentíamos aumentar a necessidade que tínhamos de nos completar a todo momento, em qualquer canto. Sempre fomos assim... não consigo mais lembrar como era minha vida antes dele aparecer, antes dele me trazer para a verdadeira vida.
Um dia, vagueando entre as ruas sombrias de uma noite de inverno, abraçados, nossos corpos se aquecendo e se protegendo do vento que uivava por entre as árvores, por entre as casas, fomos atraídos por uma janela acesa em uma pequena casa. Espiando pela janela, vimos um rapazinho, ainda novo, se esvaindo em febre. Embora fôssemos um em nosso amor, não conseguíamos deixar de ajudar um pobre sofredor. Era mais forte que nós. Entramos pela janela aberta e nos acercamos da cama pobre onde o pobre transpirava seus líquidos enquanto sua memória o fazia pronunciar frases por nós incompreensíveis. Meu amor colocou sua mão suave sobre a testa do garoto e, àquele toque, ele pareceu acalmar-se. Eu me aproximei pelo outro lado e coloquei uma das minhas mãos sobre o seu coração disparado, fazendo-o reduzir o compasso, enquanto nos lábios do menino, um semi-sorriso de alívio mostrava-os como uma cereja madura, pronta para ser colhida e saboreada. À medida que o garoto se acalmava e sua febre cedia, nossas mãos se encontravam sobre aquele corpo que já fora forte e musculoso, passando-lhe um pouco da nossa força, da nossa energia. Quando seus olhos se descerraram em meio aos seus desvarios, ele nos olhou, primeiro para mim, depois para o meu amor e, naquele olhar pudemos ler gratidão e reconhecimento. Seus lábios se descerraram num meio sorriso rubro e soltaram um profundo suspiro, fazendo com que seu corpo todo fosse percorrido por uma espécie de arrepio e, finalmente, de tranquilidade. Após alguns segundos, suavemente, meu amor pegou-o em seus braços fortes e tirou-o daquela humilde cama e, com um aceno para mim, levou-o para fora daquela casa. Saímos silenciosamente como entramos, meu coração dando voltas de ciúmes, pois, pela primeira vez em tanto tempo, alguém estava ocupando totalmente as atenções do meu amado, deixando-me completamente em segundo plano. Silenciosamente eu os seguí pelas ruelas escuras, por entre árvores farfalhantes tendo, como única testemunha do meu sofrimento ela, a lua, que sempre fora nossa cúmplice. Enquanto seguíamos nosso destino, o fardo que parecia tão doce ao meu adorado, parecia ir ficando cada vez mais leve, cada vez mais fácil de carregar. Eu queria dividir com ele todos esses cuidados, mas ele não me permitia nenhuma aproximação. Acabara de tomar para sí os cuidados com aquele rapaz que, de repente tornara-se o objeto que poderia nos separar. Meu coração sangrava, meus lábios se contraíam e meus olhos marejados seguiam os dois, naquele abraço tão amplo, tão completo, tão íntimo que me deixava de fora. Quando ele delicadamente deitou seu doce fardo sobre o gramado do nosso jardim, até então particular, eu sentí como se a terra se abrisse sob meus pés e percebí estar fora do meu próprio lugar. Eu não pertencia mais àquele cantinho que sempre nos abrigara e onde sempre nos deitáramos para brincar, para nos amar, para rir. Agora só servia para receber minhas amargas lágrimas de desamor. Ele nem mais me percebia, na frieza dos apaixonados, no esquecimento dos enlevados, só tinha olhos para o seu novo amor. E se desvelava em cuidados, em carícias suaves, em toques revigorantes até que o menino começou a abrir lentamente seus olhos e olhava-o extasiado, completamente apaixonado, entregando-se completamente. Ele debruçou-se sobre o amado e beijou-o suavemente nos lábios, murmurando doces palavras em seus ouvidos. Enlaçou-o em seus braços e começou a desnudá-lo carinhosamente. Peça por peça. Sob suas mãos, seus carinhos, o corpo embranquecido e emaciado do garoto começou a ganhar cor, seus músculos voltaram às suas posições, sua carne enrijeceu novamente deixando-o a cada segundo, muito mais bonito e desejável a ponto de eu mesmo, quase esquecendo meu louco ciúme começar a desejá-lo. Completamente desnudado, foi ternamente abraçado, fazendo com que seus corpos quase que formassem um e, em movimentos suaves as mãos do meu amor começaram a tirar de dentro das costas do rapaz uns raios de luz multicolorida que, à medida que se libertavam iam formando lindas asas, quase iguais às do meu amor e às minhas próprias asas. Tínhamos ajudado mais uma pessoa a transpor o portal da vida terrena para a vida verdadeira, mas eu havia perdido o meu amor. Daquí para a frente eles formavam um novo casal. E eu, vagueando sozinho deveria procurar, sei lá onde, outro anjo que me completasse...

 Zeca07 - 22h07
[   ]


DIZ QUE ME QUER


Você me quer?
Me ama? Me deseja?
Toma-me em teus braços,
Diz-me palavras de amor,
Diz que me achas louco,
Que meus olhos sorriem pouco!
Mas que neles, vês ternura infinda,
Uma vontade louca de me entregar.
Diz que me quer!
Assim,
Desajeitado, despreparado,
Mesmo sem saber o que fazer...
Diz que me quer inteiro,
Que quer se insinuar em minha alma,
Preenche-la, dar-lhe vida!
Enlouquece-me com teus beijos,
Sacia-me com teus desejos,
Torna-me pleno de amor!
Toma-me em teus braços,
Diz-me palavras de amor!
Descerra meus lábios,
Dá-lhes um sorriso
Que se espalhe em meu olhar...
Que se aposse do meu corpo,
Que me traga de volta à vida
Pois sem você, não sou não sou ninguém!


 Zeca07 - 15h56
[   ]


Aí ele chegou.

Mal acabei de sentar-me, ainda respirando forte devido à quadrilha, ví de relance que uma pessoa se aproximava. Era o amigo do meu amigo que, durante toda a festa, estivera sempre mais ou menos por perto. Havíamos conversado, brincado e dado boas risadas juntos. Ele até provou do "meu" quentão, embora não goste de bebidas alcoólicas. E foi sentar-se ao meu lado. Ficamos conversando um pouco e, de repente, o clima era de paquera, com aqueles deliciosos joguinhos de sedução, com olhares meio enviesados, sorrisos marotos e toques sutís. Ficamos juntinhos, fazendo gracinhas, contentes pela paquera, tentados pela sedução. Ele estava cansado, com sono. Oferecí meu ombro. Ele aceitou. E ficamos nessa gostosa brincadeira de namorinho por algum tempo. Ou, até que o amigo que nos levou resolvesse ir embora. No carro, sentei-me na frente e ele, atrás, acabou dormindo até chegar em seu apartamento. Nos despedimos e não nos vimos mais.
O que esperava? Uma brincadeira? Uma noite bem acompanhado? Um novo namorado? Não sei. Talvez nenhuma das opções. Talvez esperasse apenas isso: momentos de alegria e de tranquilidade. Tudo fluiu tão suavemente, que apenas curtí aqueles momentos, de doce cumplicidade, sem maiores envolvimentos. Ele é uma pessoa doce, agradável e sei que nos encontraremos novamente. Não tenho planos, nem os quero. Quero apenas que a vida aconteça e que eu não perca nenhuma oportunidade de sentir-me feliz. E é tão fácil isso! Basta sentir o momento de carinho, um gesto furtivo, um olhar cúmplice. Basta deixar que nosso coração se encha de carinho, mesmo que por alguns momentos, pois isso é único, pessoal, intransferível.
Não acho necessário que todo encontro termine na cama. Às vezes, basta esse clima gostoso para despertar sentimentos adormecidos, desejos ocultos e alimentar as fantasias. É tão fácil viver!

 Zeca07 - 01h02
[   ]


O RETORNO DO OPERADO...

Olá, pessoal! Estou de volta, retomando minha vidinha calma e pacata nesta tranquila cidadezinha do sul de Minas. Uma semana de São Paulo não é brincadeira! A gente faz tanta coisa, que daquí até parece impossível. Reví e curtí velhos amigos, fui a uma deliciosa festa junina, ví filmes que certamente não chegarão aquí e, claro, cuidei da minha saúde.
Peguei os resultados dos exames de laboratório que já havia feito, levei-os aos médicos e minha saúde continua ótima! Fui ao cirurgião plástico tirar o cancerzinho que apareceu sobre a sobrancelha esquerda e agora, daquí a uns quinze dias eu volto para saber o resultado do exame patológico, ou sei-lá-o-quê. Mas segundo o médico, é apenas um câncer de pele, sem maiores consequências. A cirurgia correu tranquilamente, sem nenhum problema e eu estou ótimo.
Bem, chega de falar em doença, ou em saúde... estive visitando os blogs que estão entre os meus prediletos e fiquei feliz com tanta novidade após apenas uma semana. O povo produziu e produziu legal! E ví também que existem algumas histórias sobre festas juninas. Também tenho uma, que depois eu conto.
Um amigo muito querido havia me convidado pra ir com ele a uma festa junina no sítio de duas amigas dele. As duas vivem juntas há um tempão e diziam pra ele que me conheciam. Mas, pelos nomes, eu não lembrava. Aí fomos! E um amigo dele também foi conosco. Nós já nos conhecíamos de uma outra festa no ano passado. Fomos papeando pela estrada e descobrindo afinidades. Ele acaba de criar um site para ursos ( www.bearbrasil.com.br ) e me convidou para participar com textos. Eu ainda não examinei o site detidamente, mas até parece um lugar bem legal. Depois vou, inclusive, fazer contato com ele a respeito.
Voltando à festa, após entrarmos em lugar errado, quase nos perdermos no caminho, acabamos chegando ao sítio. Nossa! Já desde a entrada era tudo a minha cara! Lugar lindo, casa belíssima, e uma paisagem de sonho. Lugar alto, via-se quilômetros em volta! A-d-o-r-e-i!!! E os cachorros, então? Adoro cães e acho que eles gostaram de mim, pois me fizeram muita festa e brincamos bastante enquanto estava lá.
Logo que entramos na casa, uma das donas estava na cozinha cortando cocadinhas e me recebeu com um delicioso sorriso e um abraço super carinhoso. Foi logo falando sobre Paraty, sobre a Miota (um bar que tive lá, na década de oitenta), sobre pessoas conhecidas. Então, elas são conhecidas daquela época; só que eu, como dono de bar, recebia centenas de pessoas e, claro, era simpático com todas, mas dificilmente posso me lembrar da maioria. E elas devem ser da turma de frequentadores do bar com quem eu tinha uma relação legal, mas que não virou amizade. Só que agora, acho que virou! Me sentí tão bem naquela casa, tão calorosamente acolhido, que passei a gostar de ambas imediatamente. São pessoas simpaticíssimas, alegres e totalmente disponíveis. Facílimas de se gostar.
Estávamos ainda naqueles efusivos reconhecimentos, quando entra porta adentro um amigo antigo, daqueles de vinte anos atrás e que eu não via há uns quinze. Delícia! Ele e o namorado (juntos há vários anos) estavam hospedados lá e são amicíssimos das anfitriãs. Mais tarde, chegando outras pessoas, várias eram pessoas da mesma época, com as quais eu também havia perdido o contato! Foi super gostoso! Tantos reencontros inesperados! Aquecem o coração.
Quando me dispús a dar uma força, acabou sobrando pra mim a panela do quentão. Fui pro fogão a lenha, com aquele panelão enorme e comecei queimando açúcar, depois acrescentei o gengibre que uma das donas da casa gentilmente fatiou pra mim e fiz o charope. Aí começou a festa! Ia acrescentando a pinga e o povo em volta, provando, os cachorros brincando entre nossas pernas e muita bobagem e brincadeira no ambiente. Às vezes ficava forte, botava água, depois ficava fraco, bota mais pinga! E a gente só bebericando e rindo de chorar. Tava tudo muito gostoso.
Elas organizaram uma festa daquelas! Tinha todo tipo de comidas de festa junina, alguns barrís de chopp, um panelão de quentão e outro de vinho quente que uma das duas preparou. E que todos provaram também... E o povo chegando! E novos reencontros acontecendo! E o quentão descendo! E eu me divertindo! De repente, um povo estranho começou a surgir na entrada do terreiro onde estava armada a festa! Elas contrataram um grupo de músicos, com sanfoneiro e tudo! Aí a festa começou a pegar fogo! O sanfoneiro encostou no fogão de lenha e eu o serví de quentão, enquanto os outros, um pouco mais tímidos, se posicionavam no local onde iriam tocar e cantar. Aí comecei a levar quentão pra eles também e os outros convidados levavam pratos com cachorro quente, sanduíches, salgadinhos, docinhos de todo tipo e todos foram se entrosando. Logo, a música começou e o grupo era ótimo. Eram dois rapazes e uma moça cantando, um sanfoneiro e um violeiro que também cantavam e o povo amou.
Mais tarde, um corre-corre entre algumas das pessoas, incluindo as donas da casa, me mostrou que alguma coisa estava desandando. Fui ver e eram os "noivos" que não chegavam. Até que resolveram quem faria os papéis. Bom, a noiva ficou sendo uma garota meio feinha, mas muito engraçada e o noivo, a namorada dela, que ficou um rapazinho muito bonito! Risos. E duas madrinhas, sem padrinhos... uma delas aquele amigo que reencontrei primeiro e a outra, a namorada de outra amiga das que reencontrei... ficaram engraçadíssimas... Feias de dar dó! Ele, com uma peruca de cabelos pretos e tentando se equilibrar sobre dois sapatos que, além de altos eram pequenos pro pezão. Ela, com uma peruca loira, baixinha e gordinha, de sandálias havaianas com meia de homem três quartos. O padre foi um cara muito quieto, que nem dava pra imaginar se envolvendo, mas também acabou não sendo muito engraçado. Depois de prontos e maquiados, enquanto a festa rolava solta lá fora, o grupo saiu por trás e foi pra casa do caseiro, onde um cavalo devidamente paramentado esperava a noiva que se recusou a montá-lo. Então, o noivo veio a cavalo, a noiva a pé com as madrinhas, uma de cada lado e o padre fechando o cortejo. Formava um grupo super engraçado. Realizado o casamento, a quadrilha começou... sem ensaio, nem nada. A minha amiga, cuja namorada foi uma das madrinhas, me pegou e fomos pro meio da roda. Dançamos e nos divertimos muito. Após a quadrilha a festa continuou e eu, um pouco cansado, fui sentar-me um pouco na sala, ao lado da lareira. Aí ele chegou.
Tchan, tchan, tchan, tcham! O que acontecerá no próximo capítulo?!


 Zeca07 - 23h00
[   ]


VOLTO LOGO...

Primeiramente gostaria de agradecer a todas as visitas que tenho recebido e que com tanta delicadeza me têm tratado. Sei que entrei abordando assuntos difíceis de serem discutidos, mas vocês foram gentís, compreensivos e, principalmente, muito, muito respeitosos. Obrigado a todos do fundo do coração.
Estarei ausente deste blog por alguns dias, pois viajarei amanhã para São Paulo onde devo terminar um check up iniciado no mês passado e também farei uma pequena cirurgia para extração de um cancerzinho na sobrancelha esquerda. Segundo os médicos, tanto a dermatologista, quanto o cirurgião plástico, não é nada grave e, uma vez extirpado, assunto encerrado.
Assim que voltar, reiniciarei estas páginas que tanto bem têm me proporcionado. Existem duas coisas que sempre marcaram muito a minha vida: uma é desenho e pintura e a outra, esta que faço aquí - escrever. Muito.
Quanto ao desenho e à pintura, já os fiz muito e até mesmo houve uma época em que era convidado por alguns galeristas de São Paulo, onde cheguei a vender diversos quadros. Não sei se era um artista, mas o que fazia agradava as pessoas. Depois, cansado da vida de executivo de multi nacional, que nunca quiz ser, resolví chutar o balde e fui morar em Paraty, uma linda, tranquila e romântica cidadezinha no litoral sul do Rio de Janeiro. Abrí uma pequena loja de artesanato e minha intenção era vender, alí, meus quadros e desenhos. Mas a loja foi crescendo e em pouco tempo tornou-se uma das melhores lojas de artesanato, presentes finos e decoração da região e o meu tempo foi minguando, acabando por deixar totalmente a pintura de lado. Continuei com os desenhos, apenas na forma de cartões e papéis de carta que vendia muito bem, graças a Deus. Aos poucos, porém, as minhas obrigações administrativas foram roubando todo o meu tempo e até mesmo os desenhos deixei de fazer.
Após alguns anos, resolví abrir uma filial em Campos do Jordão ou São Lourenço/MG. Optei por esta última e aquí estou até hoje. Já não tenho mais a loja de Paraty. E estou dando os primeiros passos no retorno aos lápis, tintas e pincéis. Tenho feito alguns cartões que vendo em minha loja e devo começar um curso de pintura logo após meu retorno de São Paulo. Esse curso é para retomar o contato com as tintas, os pincéis e as técnicas, pois tantos anos enferrujam e muito! Espero logo estar pintando novamente.
Bem, acabei falando mais um pouco sobre mim. Isso é que é gostar de escrever... risos... Entrei apenas para comunicar uma breve ausência e disparei... mas eu sou assim mesmo, não reparem!
Em São Paulo, procurarei acessar em cyber cafés pra me manter informado sobre as alterações dos seus blogs. Apenas não me proponho a postar aquí, pois aí já demanda mais um tempinho... nem sempre disponível.
Tenham todos uma ótima semana, intercalada por um fim de semana sensacional!
Abraços carinhosos

 Zeca07 - 11h13
[   ]


AMORES BANDIDOS – PARTE I

Vou tentar expor aquí um pouco do que penso e do que sinto a respeito de um assunto, que considero de enorme importância. É um tema pesado e pode até chocar algumas pessoas, pois dentro da moral vigente, está entre os mais controvertidos. Na verdade, é até um pouco difícil formar uma imagem a respeito, já que inúmeras variáveis mostram-nos das mais variadas formas.
O tema ao qual me refiro é “garotos de programa”, tema difícil de ser discutido, já que as pessoas têm receio de se abrirem a respeito. No site Beagay existe uma matéria que fala sobre o “outro lado”, com depoimentos de garotos de programa e também do Max, gerente da Termas Fragata, uma das mais antigas saunas gays de São Paulo. A casa é conhecida pela quantidade de garotos que a frequentam e por funcionar como uma espécie de “clube de amigos” onde muitas pessoas vão para se encontrar, bater um papo, beber uma cerveja, divertir-se com os shows no palco ou protagonizados pela exibição desinibida dos belíssimos corpos dos garotos que circulam por lá. Ninguém é obrigado a nada. Cada um faz apenas aquilo que deseja, sem nenhum constrangimento.
Sei que existe enorme rejeição a essa casa, principalmente por pessoas mais descoladas, que estão habituadas a frequentar as melhores casas da cidade. Dizem de tudo a respeito do local, desde que é uma casa suja, até que não suportam o clima de programa pago que paira no ar. Puro preconceito. Eu já fui frequentador assíduo e, de vez em quando, ainda dou uma passada por lá... seja para adimirar belos corpos, ou então para aproveitar o que o local oferece. Eu me considero uma pessoa exigente, principalmente com relação à limpeza e higiene e não acho que a casa seja menos limpa que outras famosas e melhores aceitas, como é o caso da For Friends, por exemplo. Acontece que nesta última, é proibida a entrada de boys, mesmo que, às vezes, se encontre algum por lá. Mas por outro lado, grande parte dos frequentadores são daqueles tipos de pessoas que têm sempre os narizes empinados e olham prá todo mundo disfarçadamente. Se você não for cara de pau de chegar junto mesmo, acaba saindo de lá “na mão”!
Tem outras casas de boys em São Paulo, das quais destaco também a Termas Lagoa, repleta de belíssimos gatos, vários deles vindos de outros estados para os finais de semana. Eu mesmo já conhecí um carioca, um paranaense e dois mineiros que frequentam a casa de 6ª a Domingo. Todos disseram que nos outros dias da semana estudam e/ou trabalham em suas cidades.
Mas minha preferência continua mesmo com a Fragata, pois lá, além da enorme simpatia (e Sex apeal) do Max Nascimento, os rapazes são menos “agressivos” que os de outras casas. No sentido de não ficarem cercando, insistindo, praticamente te constrangendo caso não queira fazer um programa. Já passei por isso em outros lugares; mas nunca lá. Pelo contrário, existem até dois desses rapazes, que acabaram se tornando uma espécie de amigos meus lá dentro. Quando vou e não quero fazer programa, eles simplesmente sentam-se comigo a uma das mesas e ficam batendo papo, numa boa. Quando é o caso, me pedem licença e vão “atender” algum cliente, mas nunca demonstram nenhum tipo de desagrado pelo fato de eu não querer nada com eles naquele dia. E terminado o “atendimento”, se ainda estou por alí, eles voltam a sentar-se pra bater papo. E nunca pediram ou insinuaram absolutamente nada. Apenas quando aconteceu de transarmos eu paguei o valor combinado. Nada mais.
Isso foi em São Paulo, mas também já tive minhas experiências no Rio e até mesmo em Belo Horizonte!


 Zeca07 - 20h51
[   ]


AMORES BANDIDOS – PARTE II

Lembro da primeira vez que fui a uma sauna... estava saindo de longa depressão, me recuperando de uma desilusão amorosa, há muito tempo sem transar com ninguém. Achava até que nem sabia mais como fazer isso... Minha auto-estima ainda em baixa, eu não me achava nada atraente, nada sexy, acreditando que ninguém se interessaria por mim.
Um dia, hospedado com amigos que moram no Rio, um deles convidou-me para um passeio num final de tarde. Fomos andando por Copacabana e acabamos entrando num casarão meio discreto, numa ruazinha lateral cujo nome não lembro.
Lá dentro percebí que tipo de lugar era aquele: uma sauna gay! Mas como estava com meu amigo, não me incomodei e entramos. Ele me apresentou ao dono da casa que se propôs a me mostrar tudo, como funcionava, onde funcionava cada coisa... quando voltamos do “tour”, procurei pelo meu amigo e o meu “cicerone” disse, com um sorriso maroto, que ele havia ido embora e que eu deveria relaxar e aproveitar a casa. Confesso que me sentí apavorado, mas acabei ficando e fui sentar-me no bar, com um refrigerante. Percebí que havia diversos rapazes bonitos e sarados circulando por alí, sozinhos, em duplas ou mesmo em grupos. Quando entrei na sauna a vapor, percebí que um verdadeiro deus de ébano entrou em seguida e começou a exibir seu corpo, sua musculatura. Quando entrou sob a ducha e começou a ensaboar-se e masturbar-se, me assustei com o tamanho do cacete do rapaz! Disfarcei, olhei para o chão e saí da sauna. Dalí a pouco, percebí que ele também saia e voltava para o bar.
Voltei para a sauna e, em seguida, entrou um garoto belíssimo, mas com um corpo mais proporcional em todos os sentidos. Sentou-se perto de mim, tirou a toalha e iniciou um papo despretencioso. Percebendo meu nervosismo, perguntou se eu era casado e, para evitar maiores explicações, acabei dizendo que sim e que não estava habituado a frequentar saunas gays, o que nem era mentira. A conversa foi se desenvolvendo até que ele fez o convite! Eu, intimidado e querendo ganhar tempo, pedí a ele que fosse comigo até a sauna seca para que eu pudesse vê-lo melhor antes de decidir se queria ou não fazer um programa.
Na sauna seca não tive como não aceitar o convite! O garoto era lindo, extremamente envolvente e muito sexy. Disse-lhe que não sabia muito bem como fazer e ele disse que se encarregaria de tudo. Levou-me ao segundo andar e entramos num cubículo com uma cama de casal, uma cadeira e uma mesinha. Ele foi extremamente carinhoso, não me apressou em nada e ficamos um bom tempo entre beijos e carícias, até que comecei a sentir-me pronto para outras coisas. Não vou entrar nos detalhes sobre quem fez o que, mas foi muito bom! Apenas para evitar aqueles papos “políticamente corretos”, quero esclarecer que todos eles, sem exceção, usam e exigem que usemos camisinha, gel de higienização, toalhas limpas e outros ítens de proteção.
Quando saí dalí sentia-me aliviado de algo que eu nem mesmo sabia o que era. Só sei que valeu cada centavo gasto naquela tarde. Só pude agradecer ao meu amigo pelo que havia me proporcionado, quase que me obrigando...


 Zeca07 - 20h50
[   ]


AMORES BANDIDOS – PARTE III

Depois disso, já menos inseguro, numa ida à Termas Leblon, resolví fazer uma massagem e o massagista, um bonito coroa de seus 40 e poucos anos, foi me excitando tanto que, em questão de minutos já estávamos aos abraços e beijos. Logo ele tirou a roupa e transamos deliciosamente. E ainda fez uma deliciosa massagem após a transa! Só posso dizer que acabei voltando diversas vezes a essa casa e, nas últimas duas, ele não aceitou o dinheiro da transa! Isso me deixou de altíssimo astral.
Em Niterói, havia uma sauna chamada Touros, muito limpa e pouco frequentada, mas que tinha dois belos massagistas: um para programas e o outro dizia que só fazia massagens mesmo. Fiz duas ou três massagens com ele, que é ótimo massagista; Um dia, acabamos transando e ele não quis nada, dando-me seu telefone para nos encontrarmos fora da sauna, o que aconteceu duas ou três vezes. Infelizmente essa sauna fechou e há um bom tempo sem ir ao Rio, acabei perdendo o telefone desse delicioso massagista.
Enquanto me tornava experiente em saunas e em sexo com garotos de programa, minha auto-estima subia e passei a me sentir mais interessante como pessoa, mais “gostável”, pois mesmo que seja encenação, é essa coisa boa o que esses garotos acabam passando para seus clientes.
Existem diversos motivos que levam pessoas a procurar sexo pago, entre eles, como no meu caso, uma grande decepção fez com que deixasse de gostar de mim, passando a acreditar que os outros também não gostariam.
Então, não me sentia pronto para aventuras e muito menos para novos relacionamentos. Só que, graças àquele amigo, redescobrí minha sexualidade, mesmo que pagando para exercitá-la. Enquanto não me sentia preparado para outras investidas, usei e abusei dos serviços prestados por esses profissionais.
Detalhe: para mim, existe uma enorme diferença entre “garotos de programa” e “michês”! Os primeiros, são os profissionais que trabalham em saunas ou também atendem em hotéis ou em lugares da escolha do cliente. Geralmente sabe-se, no mínimo, onde encontrá-los. No meu caso, utilizo seus serviços em saunas, que são os lugares que considero mais seguros.
Quanto aos segundos, os “michês”, considero-os mais perigosos, pois são os que se exibem na rua, ou em boates e dificilmente sabemos como encontrá-los. Considero-os mais perigosos, pois geralmente os crimes de que se tem notícia são praticados por michês pegos em locais públicos. Isso os torna praticamente invisíveis e dificilmente identificáveis. Desses eu prefiro manter distância.
Tenho muitas outras histórias pra contar, principalmente as de São Paulo, onde aconteceram em maior número. Mas isso fica para outra ocasião. Só sei que, assim como existe o chamado “preconceito gay”, que é o de gay contra gay, existe também enorme preconceito contra os garotos de programa. Aliás, conheço gente que usa regularmente seus serviços, mas nega, jura por deus, pela alma da mãe, por tudo quanto é sagrado que não! É a “hipocrisia gay”!
Falando em hipocrisia, usava muito o recurso de dizer que era casado, pai de familia, até mesmo o de ser escritor e estar fazendo uma pesquisa entre os garotos de programa pois queria escrever um livro a respeito. Um deles, cuja história não contei aquí, mas que posso adiantar ser de BH, me contou muito de sua vida e pediu que escrevesse uma poesia para ele, me dando inclusive o título “Amor Bandido”. Fiz e ele ficou muito feliz.
AMOR BANDIDO
Eu preciso daquele amor bandido,
Que me acaricie com perícia,
Que me arranque falsos suspiros.
Eu preciso daquele amor bandido
Que me penetre, me possua,
Que me faça esquecer, por minutos,
Que eu amo você!
Eu pago por um amor bandido
Que, com perícia, me acaricia,
Extrai meu gozo, meus suspiros
Há tanto tempo guardados para você.
Eu alimento um amor bandido
Que vive nas sombras, no limbo,
Esperando meu corpo carente,
Ardente,
Sedento...
Eu suspiro por um amor bandido
Que explode meu corpo, conspurca minha alma
Me limpando do desejo reprimido
Do desejo proibido
Que sinto por você.
Eu preciso daquele amor bandido!


 Zeca07 - 20h48
[   ]


AMORES BANDIDOS – PARTE IV

Depois dele, um outro, com quem usei o mesmo argumento do “escritor” em busca de assunto, acabou me pedindo que fizesse o mesmo, só não dando o título. Saiu esta:
AMOR BANDIDO – II
Procuro lábios experientes
Que suguem meus desejos
E os transformem em gozo...
Procuro mãos habilidosas
Que saibam acariciar minha alma
Transformando em suspiros
O amor que não ouso dar.
Procuro num corpo macio
O toque sensual que me acenda,
Me transforme em segundos de luz,
Ao unir-se totalmente ao meu.
Procuro o calor da transpiração
De um novo corpo a cada dia,
Que engane e embale meu coração
De novo, e de novo, por toda vida...
Procuro lábios experientes,
Mãos habilidosas
E um corpo macio
Que me satisfaçam por momentos
Em troca de uns poucos trocados...
Estas são partes de uma história, ou de um período de vida que vai formando a história de uma pessoa, a minha, no caso.


 Zeca07 - 20h46
[   ]


HISTÓRIAS DE OUTONO

Estava sentado em frente ao teclado, com os olhos fixos na tela iluminada, mas nada me vinha à cabeça. Os pensamentos não fluiam, as imagens escapavam pelas esquinas do tempo. Levantei os olhos e procurei a paisagem ao longe, fora da minha janela, como se ela pudesse me trazer de volta a imaginação perdida. Ví o céu ensolarado, com nuvens esgarçadas e um pássaro solitário cortando-o à procura da sombra de alguma árvore. Ao longe, os barulhos comuns a uma rua de uma pequena cidade do interior. Uma moto passando, uma criança gritando, uma porta batendo no corredor do prédio, o latido de um cão solitário.
Vindo de longe, de muito longe, o som de um telefone tocando, insistentemente. Esse som ia crescendo até que, de repente, percebí que era o meu próprio telefone que tocava. Estava como que entorpecido naquela tarde de sábado, em frente ao computador. Ao meu alô, uma voz estranha perguntava se era eu, se não me lembrava dele. Não, não tinha a menor idéia de quem poderia ser. Insistentemente, numa brincadeira que já começava a me aborrecer, a voz fazia perguntas bobas e ria do outro lado, brincando com a minha quase curiosidade que já ameaçava desligar o telefone. Percebendo que já havia avançado demais em sua brincadeira, meu interlocutor resolveu se identificar.
Há pouco mais de um ano, em março do ano passado, fomos apresentados por um amigo e passamos um bom tempo em animada conversa, descobrindo diversos pontos em comum e muitos gostos parecidos. Voltamos a nos encontrar, dessa vez em um café, onde tornamos a nos entender e, daí pra frente, foi uma sucessão de encontros que acabou nos levando para a cama, onde nos proporcionávamos inenarráveis prazeres. Esses encontros tiveram a duração de uma estação do ano, exatamente o outono do ano passado. O sol tropical continuava inclemente, mas o tempo mais seco não nos incomodava tanto com aquele calor úmido do verão. Podíamos passar horas agradáveis juntos, ou conversando e saboreando um pouco de vinho, ou nos enlaçando entre os lençóis, em simulacros de lutas que não tinham um perdedor, apenas dois campeões, dois vencedores. Bons tempos aqueles!
Enquanto ouvia sua voz do outro lado do aparelho, minhas lembranças voavam ágeis e soltas pelos poucos e deliciosos meses juntos. Eram tão vivas que quase podia sentir o toque delicado dos seus dedos percorrendo a minha pele, ou o gosto levemente salgado de seu peito. Como eu gostava de passar meus lábios sobre seus mamilos e sentí-los enrijecendo, úmidos pela minha saliva. Como gostava de pousar minha mão sobre seu sexo e sentí-lo preenchendo os espaços entre meus dedos, pulsando a cada carícia minha. Sentia sua língua descendo pela minha virilha até encontrar o meu membro em posição de sentido e percorrê-lo todo, até começar a envolvê-lo inteiro com seus lábios sensuais. Quando nossos braços envolviam nossos corpos, misturando nossos suores, emaranhando nossos pelos, nossos sexos pareciam querer perfurar a pele do outro, para possuí-lo por inteiro. Nossos gosos eram transbordantes! Quase sofridos! Ao mesmo tempo em que ambos ansiávamos pela hora de explodir nossos líquidos, num transe de satisfação e alívio, não queríamos que aquele enlace, aquele momento de posse total e absoluta terminasse. Porisso sofríamos e quando, não conseguindo segurar mais o momento do goso, começávamos a aumentar nossos movimentos um de encontro ao outro, ambos gritávamos, gemíamos, chorávamos. Nossos gosos eram sublimes! Eram momentos únicos, em que nos transformávamos em um único ser, unidos pelo mesmo sentimento, pelo mesmo prazer, pela mesma morte.
Morte! Foi em meados de junho, já no fim do outono que ele me telefonou pela última vez, dizendo que precisava viajar com urgência, devido a um problema familiar de vida ou morte. O dia estava mais frio, o ar, bastante seco. Um tremor percorreu todo o meu corpo. Sentí-me nú, sòzinho, perdido. Nem ao menos pudemos nos encontrar uma última vez para nos olharmos e sentirmos a proximidade, o cheiro, a dor da despedida. Claro que ele iria comunicar-se logo comigo, me explicar tudo o que estava acontecendo, por quê precisava fazer essa viagem assim, tão de repente. Mas não era esse o caso, era o corte repentino numa história de muito amor, carinho, tesão, prazer. Para mim era como se, de repente, houvessem arrancado um pedaço do meu próprio corpo, sem que ao menos eu pudesse entender por quê ou para quê.
E os meses se passaram. As cartas, os telefonemas, os e-mails não chegaram! Eu não tinha a menor idéia de onde procurá-lo. Por outro lado, a esperança de uma notícia, de um contato, me deixava num estado de letargia preguiçosa, de acomodada espera ansiosa. Aos poucos essa espera foi esfriando, a ansiedade foi se esvaindo e a minha vida foi retomando o seu rumo.
Eu voltei a encontrar os antigos amigos; a sair com eles, ver um filme, ler um livro, fazer novos contatos. Só não conseguí novamente acreditar em mais ninguém, deixar que meu coração magoado se abrisse para que outra pessoa entrasse e o ocupasse. Até conseguí conhecer duas ou três novas pessoas, mas não permiti que ultrapassassem um limite desconhecido até mesmo para mim. E com isso fui ficando sòzinho, fui me recolhendo ao meu apartamento, aos meus livros e ao meu computador.
Passei a escrever. Contava histórias e as enviava para alguns sites que as publicavam. Algumas pessoas, gostando dos contos que escrevia, procuravam fazer algum contato, queriam me conhecer, trocar idéias, dar sugestões. E assim tenho vivido os últimos meses, entre os contos que escrevo e os contatos virtuais com algumas pessoas que gostam da minha maneira de escrever, das histórias que conto.
E percebo agora, enquanto sua voz do outro lado me traz de volta todas essas recordações, que não tenho vivido a minha vida. Tenho vivido dentro de uma fantasia criada pelo meu desencanto, pela minha saudade. Tenho criado histórias de amor e de sexo, onde duas pessoas se conhecem, se aproximam e sempre terminam na cama, onde numa infinidade de estrepolias sexuais, se completam, se fazem viver e ser felizes. Depois, tudo termina. Até que um novo conto esteja sendo escrito...


 Zeca07 - 19h03
[   ]


O meu amor represado

O meu namorado
não precisa chegar num cavalo branco.
O meu amor represado
por tanto tempo guardado
saberá reconhecê-lo...
Mesmo que venha envolto
em mantos de sombra,
que chegue de surpresa,
sem um aviso sequer...
O meu amor represado,
por tanto tempo guardado,
espantará suas sombras
e o envolverá num hálito de luz!
Resgatará seu sorriso
e nos fará dançar...
rir... amar...


 Zeca07 - 18h10
[   ]


ACEITAÇÃO - INCLUSÃO OU SIMPLESMENTE RESPEITO?

Quando se fala em convivência com a diversidade e nos direitos de parceria dos homossexuais, logo se pensa em "Casamento Gay". Não se trata exatamente disso. Trata-se, na realidade, da igualdade de direitos civis entre hetero e homossexuais, sobre uniões e regras para patrimônios e, indiretamente, sobre as políticas para a comunidade homossexual incluindo respeito social por parte da população com a elevação da auto-estima da comunidade GLBT. Estão sendo desenvolvidos trabalhos que discutem a necessidade da criação de projetos que discutam a questão da diversidade e identidade sexual, a capacitação de professores possibilitando informações claras a respeito da diversidade e da sexualidade, bem como a criação de espaços para escuta e debate com os pais, e principalmente com as mães, sobre temas relacionados à sexualidade dos jovens.
Taí um trabalho sério e objetivo. Ataca direto no alvo: estudantes, pais e professores. Todo preconceito é fruto de ignorância, falta de informação e, principalmente de educação. Não aquela educação onde não se fala nome feio, nem se responde aos mais velhos; mas aquela que contribui para o crescimento intelectual da pessoa, dando-lhe todos os meios para optar conscientemente sobre o que quer, o que gosta, enfim, sobre como viver digna e honestamente. Dá-lhe também o senso de responsabilidade e de respeito a sí mesmo e ao seu próximo.
E a maioria dos pais e professores, infelizmente, é falha nestes requisitos, porque nem eles mesmos receberam esse tipo de educação. Por mais diplomas que tenham conseguido, o que aprenderam subjetivamente mesmo foi o desrespeito à diferença, à diversidade. Tudo o que não é igual, ou não age igual não serve, não é legal. É esse tipo de pensamento que precisa ser mudado e isso se consegue começando por aí mesmo; pelos pais e professores, que são os formadores dos novos seres humanos. Enquanto pais e professores não se conscientizarem de que "o diferente" é igual, mas que apenas age de outra maneira, eles continuarão passando para seus filhos e/ou alunos aquilo que aprenderam. E novos seres preconceituosos se formarão.
A única coisa que discuto nesses trabalhos é o uso da palavra "aceitar". Sei que diversas pessoas muitíssimo bem preparadas já devem ter discutido o uso dessa palavra, portanto quem sou eu para discordar. Mas o que penso é o seguinte: o verbo aceitar implica em que alguém aceite outro alguém. Logo, se esse segundo deve ser aceito pelo primeiro, aí já se subentende algo de submissão, de necessidade de aprovação. Portanto, acho que aceitar não é bem o caso, já que o diferente (pertencente a qual minoria for) não precisa de aprovação ou aceitação para continuar sendo o que ele efetivamente é. O que ele precisa, ou melhor, tem o direito de exigir, é respeito. É poder sentir-se digno e orgulhar-se de ser como é. Daí temos que respeitar é um dever. Sei que é difícil perceber as minúcias que transformam o verbo aceitar em algo não propriamente bom para o gay, o negro, o oriental, o gordo, etc.. Talvez eu mesmo não tenha capacidade para me fazer entender, mas estou tentando colocar o meu ponto de vista. Pessoal e particular.
Quando uma pessoa é aceita para participar de um clube, ela deve, necessariamente, seguir as regras impostas. Não pode fazer certas coisas, não pode agir de determinadas maneiras, vestir-se de modo inadequado aos membros daquele clube, falar de forma diferente, etc.. São muitas as regras que os novos sócios devem seguir se quiserem conseguir continuar sendo aceitos dentro daquele clube. Nunca ouví falar, ao comentar-se sobre um povo, que os heterossexuais são assim ou assado, agem desta ou daquela maneira dentro daquele agrupamento de pessoas. Por que não? Porquê eles, na verdade, representam aquele povo! Estão incluídos, fazem parte, são. Ninguém precisa aceitá-los, já que eles são a essência daquele povo. Mesmo os bandidos, ladrões, assassinos, traficantes, estupradores, etc., se não forem "diferentes" fora o fato de agirem às margens da lei, nunca têm questionada a sua sexualidade. Então, por que os homossexuais precisam ser aceitos? Os homossexuais também são parte da essência daquele mesmo povo, pois são homens e mulheres, nascidos de pais e mães como todo mundo. Os homossexuais também estudam, trabalham, aprendem, ensinam, compram, vendem, pagam impostos, tudo igualzinho aos heterossexuais. Sejam brancos, negros, orientais, gordos ou magros, judeus, árabes ou de que nacionalidade for, irão ter todos os deveres exatamente idênticos aos dos heterossexuais. Se tanto uns quanto os outros têm todos os deveres iguais, por que não haverão de ter os mesmos direitos? Por que devem ser aceitos para serem considerados parte daquilo que eles já são?
Eu não quero ser aceito no meu grupo mesmo sendo homossexual! Eu quero ser aceito por cumprir meus deveres e obrigações como ser humano, por contribuir para o bem estar da comunidade, por ser uma pessoa íntegra e trabalhadora, cumpridora de todos os deveres impostos a todos, sem excessão. Não quero que as pessoas digam que embora eu seja homossexual, eu sou tão bonzinho, ou tão honesto, ou tão útil!!! Eu quero que as pessoas me vejam como eu sou: um ser humano, complexo, com defeitos e qualidades e que cumpre com suas obrigações. Logo, sou tão igual a qualquer heterossexual que tenha essas mesmas características.
Mas este é apenas um aparte meu, pois nunca fui capaz de engolir o termo aceitação quando se refere a nós, homossexuais. Ou a qualquer outra pessoa que pertença a alguma minoria. Todos somos, essencialmente, a mesma coisa: seres humanos.
Sempre expressei exatamente essa opinião que defendo acima: a de que toda mudança deve começar pela educação. Educação, aquí, é sinônimo de informação, de dignidade, de respeito, de orgulho.


 Zeca07 - 23h14
[   ]


JUNHO, INÍCIO DO INVERNO – MÊS DAS PARADAS


Claro que não estamos no início do ano! Mas estamos no final do outono e início do inverno, período que nos torna mais introspectivos, até mesmo porquê esse friozinho faz com que fiquemos mais em casa, agasalhados, quentinhos e, por consequência, mais em contato conosco mesmos.
Como cidadãos deste imenso país, todos esperamos o tão esperado retorno do crescimento produtivo, de empregos, de ações sociais! Também contamos com a continuação da contenção da praga inflacionária, com a queda dos juros, da fome e de todas as demais mazelas que vitimam a sociedade, especialmente os menos favorecidos.
Junho também tornou-se o mês das Paradas Gays, dos diversos eventos que se espalham em busca de visibilidade, respeito e dignidade. Como cidadãos de uma parcela da sociedade que vive e vivencia seus desejos e sua sexualidade “diferente”, também esperamos um período melhor para conosco, que tanto sofremos com os preconceitos e a segregação social que, embora camuflada, não deixa de existir. Tantos de nós se fecham em gavetas de armários úmidos e escuros, mortos de medo de que alguém, uma única pessoa que seja, apenas desconfie dos seus desejos mais íntimos. Essas pessoas não sabem o que é sentir o prazer da liberdade. Vivem vidas camufladas, falsas e sofrem muito com isso, pois no seu íntimo, desejam uma vida livre, sadia, saudável. Onde possam, sob a luz do sol, ou mesmo do luar, andar lado a lado com seu companheiro, eleito pelo seu coração, sem a necessidade de esconder seus sentimentos de tudo e de todos.
Quem não deseja ardentemente “ter” e “ser” alguém que o complete em todos os sentidos? Quem não gosta de trocar carícias, beijos, desde o mais inocente selinho até os mais ardentes e profundos? Andar de mãos dadas, conversando alegremente com a pessoa amada? Numa reunião, separados por outras pessoas, procurar os olhos do outro e ficarem alguns segundos trocando olhares carinhosos?
Eu sei, por experiência própria, o quanto é difícil viver uma vida dupla, esconder das pessoas do convívio diário o que se deseja, ou se faz entre quatro paredes! Viví aproximadamente vinte anos dentro de uma gaveta embolorada, que ficava dentro de um úmido, escuro e mal cheiroso armário! Fazia malabarismos para que as pessoas do meu relacionamento não desconfiassem dos meus sentimentos e desejos secretos! Sofrí paixões platônicas por amigos casados com mulheres; tinha amigas lésbicas, que levava a festas, recepções ou eventos que solicitassem a presença de uma companhia. Só não fingia namorá-las; sempre as apresentava como amigas, o que, na verdade elas eram! Mas muitas daquelas pessoas com quem convivia socialmente, achavam que eu era um garanhão rodeado de belas mulheres, sem compromisso com nenhuma.
Claro que não descarto a possibilidade de que algumas dessas pessoas desconfiassem de minhas opções sexuais... afinal, um jovem executivo, bem nascido, inteligente, elegante e sòzinho! Ainda por cima com gostos mais refinados, apartamento bem decorado, com objetos antigos e belos quadros nas paredes e sempre com flores frescas na sala... hhhuuuummmmmm!!!!!! Isso é um pouco estranho, não é mesmo? Mas eu garanto que tanta sensibilidade para perceber esses detalhes não faz parte do dia-a-dia dos héteros! Principalmente dos homens! As mulheres são mais antenadas, embora muitas delas simplesmente descartem a possibilidade da existência de homossexuais não afeminados por pura auto-defesa. É verdade!
Para muitas pessoas, homossexual é sinônimo de afeminado, delicado, cheio de gestos, caras e bocas. Pessoas mais sérias, que não desmunhecam e falam grosso “não podem” ser bichas! Pessoas assim, mesmo que gostem de música clássica, de arte em geral, de programas culturais, mas não curtem futebol ou outros esportes mais “másculos” são vistas mais como pessoas de gosto refinado, até mesmo de cultura superior, embora saibamos que nada disso é verdadeiro! Tudo é completamente relativo em todos os sentidos. Primeiro, gostar dessas coisas não é exclusividade dos homossexuais; até mesmo porquê qualquer manifestação artística é universal. Segundo, jogos, esportes e qualquer outra manifestação do ser humano também não é exclusivo dos heterossexuais. Qualquer um pode gostar e curtir qualquer coisa. Eu mesmo conheço sujeitos héteros que moram sòzinhos, em belos apartamentos e curtem as mesmas coisas que eu! E também conhecem minhas opções e as respeitam.
Enfim, tudo é questão de cultura! Porisso acho importantes os trabalhos desenvolvidos com seriedade, sem intenção exclusiva de espetáculo, para dar maior visibilidade e seriedade ao mundo homossexual. Admiro e aplaudo as pessoas abnegadas que desenvolvem trabalhos brigando, lutando, expondo-se publicamente, em prol dessa tão necessária visibilidade que possibilite a inclusão do nosso modo de vida no seio da sociedade. Não falo de “aceitação”, pois esse termo já exprime preconceito. A aceitação subentende uma postura de superioridade de quem aceita e, claro, de inferioridade de quem é aceito. Falo de inclusão, pois aí sim, nossas maneiras de encarar e de viver as nossas vidas não seriam mais consideradas “anormais”. Seriam apenas uma outra forma de viver. Acho importantíssimos os movimentos públicos, como as paradas, que vêm crescendo dentro do país. Através desses movimentos, o público tem a possibilidade de ter mais contato direto com os homossexuais, percebendo que não somos uma espécie à parte; somos apenas pessoas com uma maneira “diferente” de viver.
E nisso, felizmente temos visto algum progresso! Em 2003 a Parada de São Paulo foi um estrondoso sucesso, tornando-se uma das mais importantes do mundo! Não podemos esquecer que São Paulo é uma metrópole das mais importantes, onde vivem e convivem pessoas de todo o país e de todas as partes do mundo, de todos os extratos sociais e de todas as opções existenciais. As outras Paradas, realizadas em diversos pontos do país, todas elas, com raríssimas excessões, foram sucessos dentro de suas limitações. E para este ano novas Paradas prometem trazer mais brilho e sucesso.
Houve também movimentações gigantescas em prol de diversas causas, como os diversos “beijaços”, o repúdio aos desmandos do Vaticano e a popularização do “selinho” por pessoas famosas, passando ainda pelo caso de amor vivido pelas duas garotas na novela da Globo e tratado com muito respeito, diga-se de passagem. Mesmo que no final da novela, o tão esperado beijo não tenha acontecido, limitando-se a um insípido semi-selinho.
Houve outras vitórias em outros campos, como a abertura da discussão sobre o casamento, os direitos de casal, a promulgação de diversas leis que nos beneficiam e nos permitem brigar pelos nossos direitos, inclusive os de não permitirmos o preconceito nem a segregação. São algumas, mas são vitórias! E como tal devem ser festejadas e aplaudidas.
E vamos continuar na luta, que ainda tem muita coisa pela frente pela qual precisaremos nos unir e batalhar. E nós temos um papel a desempenhar. Mesmo que seja apenas o do respeito por nós mesmos e os cuidados pessoais, que todos devemos ter. E o orgulho de sermos únicos e ímpares.


 Zeca07 - 21h14
[   ]


SOLIDÃO?

Hoje é domingo, a TV monstra o Brasil jogando contra o Chile, meus olhos procuram os blogs dos amigos, me alimentando das vidas alheias. Faz frio. Muito frio. Estou bastante agasalhado, com uma caneca fumegante de chocolate ao lado e a voz do Galvão Bueno desfazendo o silêncio. Lá fora os sons da rua, uma moto passando, um latido de um cão solitário, uma buzina longínqua. Meu coração apertado, indeciso entre a alegria dos encontros virtuais, onde me comunico, ou o sentimento de vazio que a falta de uma companhia nos deixa de vez em quando. Uma mão que afagasse os meus cabelos e que eu pudesse segurar, sentir. Uma voz que não saísse de dentro de uma caixa com uma tela, mas que viesse acompanhada da respiração de um corpo no qual eu pudesse me apoiar, me aconchegar. Um olhar que sustentasse o meu, criando um vínculo de cumplicidade, transmitindo sentimentos, desejos, vida.
Normalmente não me deixo levar por esse sentimento de abandono, de solidão. Sou um ótimo companheiro de mim mesmo, me cuido, me curto bastante. Mas às vezes, faz falta a companhia de uma pessoa especial. Não, não estou falando dos amigos que, felizmente, tenho-os, poucos, mas ótimos. Estou falando a respeito de uma pessoa cuja existência faça com que meu coração bata descompassado, minha temperatura suba, meus sentimentos se inflamem e ameacem a todo momento fugir do meu controle. Falo daquela pessoa que me tire do sério, que me faça querer rir, querer falar, querer brincar. Daquela pessoa que, pelo simples motivo de saber que está para chegar, eu já fique com a boca seca, o coração apertado, olhando a todo momento para o relógio, pois os minutos se arrastam deliberadamente para me fazer esperar mais e mais.
Eu já tive alguns relacionamentos assim. Era tão bom! Mas agora, há tanto tempo sem permitir que alguém invada minhas janelas, me encha de luz e de calor, vou ficando cada vez mais seletivo, cada vez mais autosuficiente, portanto, cada vez mais sòzinho. Eu sei que preciso me abrir mais, me permitir mais, mas à medida que vamos construindo nossos espaços, levantando nossas paredes, vamos nos acostumando a olhar pelas janelas e ver a vida sendo vivida lá fora, torcendo pelo sucesso dos outros, enquanto permanecemos protegidos pela nossa redoma, pelo distanciamento que nós mesmos nos impusemos. Preciso aprender a abrir as minhas portas, pois por elas posso passar para o lado de fora, que é onde realmente a vida acontece. Aqui dentro, mesmo com as janelas abertas, acabo me contentando com a companhia da TV e do computador.

 Zeca07 - 23h31
[   ]


V I D A


A minha vida vivida
Entre falsos risos e falsas ilusões,
Aguarda você, detentor da única chave
Que pode abrir meu coração!
Então, coração aberto,
Novos ares a limparão
E ela recomeçará do início,
Sem mácula, pura...
Pronta para os verdadeiros risos,
Imune às falsas ilusões!
E com um sorriso nos olhos,
Envolverei teu coração
E serás muito feliz...
Amor!


 Zeca07 - 19h40
[   ]


QUERO O AMOR ASSIM


Quero mais é que o amor
Chegue assim,
Assim mesmo,
Sem avisar,
Sem pedir licença alguma
Pra se ajeitar.
.
Quero que ele entre
Empurrando portas,
Pulando janelas,
Se alojando nas células,
Ar rarefeito no meu respirar
.
Quero que o amor
Me apavore
Nas manhãs das surpresas,
Que me encante
Nas noites das incertezas,
Que me desnude
No vôo cego do seu olhar.
.
Quero o amor assim,
Assim mesmo,
Vulto invisível,
Sem se revelar
.
Repleto de direitos,
Cavalo alazão,
Sem preconceitos,
Sem ponderação,
Sem nenhuma educação.
.
Quero o amor sem clemência,
Sem qualquer decência,
Destruindo meus objetivos,
Desnudando meus segredos,
Desviando as retas das minhas metas,
Desentupindo os porões dos meus medos.
.
Quero ele invadindo minha casa,
Se esparramando em qualquer cômodo,
Mostrando que muito antes dele ser meu,
Já era ele o me dono!
.
Quero o amor assim,
Assim mesmo.


 Zeca07 - 19h11
[   ]


O BLOG DO RICARDO...

Estou ainda um pouco passado, mas já aliviado! O Ricardo Aguieiras, que vários de vocês conhecem, tem (tinha) um blog no IG, que era um dos meus prediletos. Anteontem, ele publicou lá um conto homoerótico, de sacanagem mesmo, que não conseguí comentar. Feitos alguns contatos, acabei recebendo um desabafo dele, onde diz que foi censurado e que não pode continuar com o endereço lá. Sacanagem pura! Puritanismo barato! Homofobia rasgada!
O mesmo já aconteceu com outro blog, do Naturalle, que acabou comprando um domínio e criando seu próprio site. Felizmente, o mal acabou virando um bem, já que em seu novo endereço, ele terá mais e melhores condições de se expressar, sem sofrer o torturante desgaste de se ver submetido a uma censura gratuita.
E o Ricardo também já resolveu o seu problema! Ele criou outro blog, com o mesmo nome do anterior: "Gayetransgressor", no Tripod. Lá o seu endereço é: http://gayetransgressor.tripod.com/blog/. Já estive lá e relí o conto, que é mesmo muito sacana, mas quem não gosta de uma boa sacanagem?!Acabo de ser informado pelo Ricardo que o pessoal do Tripod apagou seu blog. Talvez por exigirem que o texto seja em inglês. Fui até lá e realmente só existe o nome! Que pena! Nosso amigo está muito triste. Mas sairá dessa, tenho certeza!
Infelizmente os seres humanos não aprenderam ainda a se respeitarem como iguais, sem julgar ninguém pela aparência, pelas preferências, pelas origens. Basta uma pequena diferença e pronto! Para uma boa(?) parcela da população a pessoa "diferente" passa a ser discriminada apenas por não ser como as outras...

 Zeca07 - 15h16
[   ]


Padrões de Beleza?!

Estava lendo um artigo a respeito de padrões de beleza, mostrando que, enquanto na China,no ano passado, foi eleita uma mulher alta e magérrima para ostentar o título de Miss Mundo, em Burkina Fasso, na África, elegeram uma mulher igualmente alta, porém pesando 117 quilos! Sabemos que os padrões de beleza mudam com o tempo, já que, na Renascença, por exemplo, as mulheres roliças serviam de inspiração para os grandes pintores e, há aproximadamente cinquenta anos, um ícone de beleza era justamente uma mulher com seios e quadris voluptuosos: Marilyn Monroe! E assim seguem igualmente os padrões de beleza masculinos; menos documentados devido à cultura machista que cultua públicamente apenas o corpo feminino, deixando o culto ao corpo masculino restrito às academias ou ao público gay.
E aquí entram minhas conjecturas a respeito. Há alguns meses, um dos membros do grupo Beagay, um belo jovem, por sinal, comentou a respeito da possibilidade da eleição do Papai Noel do grupo, de cabelos e barbas verdadeiramente brancos e corpo gordinho. Dias depois, enviou uma foto do que seria, na sua opinião, o Papai Noel ideal: um coroa mais que gordinho, ostentando enorme barriga. Apenas não tinha cabelos e barbas brancos por, provavelmente tingí-los, já que a foto mostra que ele estaria próximo dos cinqüenta anos, quando é praticamente impossível não ter pelo menos os cabelos grisalhos.
Até aí, nada de mais! Isso mostra que existem gostos e preferências realmente diversos entre as pessoas, o que acho extremamente saudável e animador. Também fico contente por perceber que todos nós podemos nos sentir apreciados e desejados, independente de nossa idade, cor dos cabelos (quando ainda os temos) ou peso. Opiniões como a desse jovem elevam a auto-estima dos menos jovens e já fora dos padrões de beleza dominantes, que premiam os mais jovens, mais atléticos e mais musculosos.
O que me intriga é justamente ver que esse tipo de preferência tão fora dos padrões de beleza normalmente aceitos, parte de um jovem bonito e, ele mesmo, dentro dessa estética ocidental! É um gatinho magro, de boa estatura, belo sorriso e formas proporcionais. Eu nem estou questionando nada disso! Longe de mim! Apenas gostaria de entender o que pode proporcionar essa preferência... já que não sou psicólogo, lanço a pergunta a quem possa tentar respondê-la com mais propriedade.
Recentemente conheci um rapaz de BH, 25 anos, bonito, belíssimo corpo esculpido diariamente em longas sessões de academia, com dois diplomas universitários, bastante inteligente e já bem colocado na vida. Em princípio, quando vêm um garoto como esse namorando um cinquentão, as pessoas vão logo pré-julgando e achando que esse namoro é fruto de algum tipo de interesse. E lógico que, sempre, o interessado é o garotão, geralmente na grana do coroa, na boa vida que ele pode proporcionar, etc.. Mas não era nada disso! Ele nunca me pediu absolutamente nada e sempre mostrou que estava gostando de mim de verdade! Deslocava-se de BH para visitar-me no sul de Minas às suas custas e quando me recebeu em BH não quis que ficássemos em hotel, além de me levar pra todos os lados sem nem ao menos pedir que eu pagasse o combustível do seu carro. E quem não quis continuar o namoro fui eu, por diversos motivos que não vem ao caso relatar agora. Por ele estaríamos juntos, vivendo felizes como dois pombinhos.
Mas estou dizendo tudo isso para mostrar que pode existir uma relação saudável e gostosa entre duas pessoas com idades tão distantes. O que me intrigou mais, entretanto, foram os pedidos dele para que eu engordasse! E também me pedia que deixasse crescer a barba (já bem grisalha!). Ele se esmerava em escolher docerias deliciosas, sorveterias especiais, padarias com pães maravilhosos! E o pior de tudo é que ele mesmo segue uma dieta pobre em calorias e gorduras pois não admite a hipótese de ganhar peso. É extremamente exigente com seu corpo, com sua forma física. Se acontece de comer um doce, passa o resto do dia bebendo água e fazendo exercícios para perder as calorias ganhas com aquele “inocente” docinho!
Eu confesso que me esforço para manter um peso razoável, pois não quero ser uma pessoa gorda! Além das razões estéticas, que me impelem a isso, existem também as de saúde, pois todos sabemos que a obesidade acarreta diversos problemas, principalmente os cardiovasculares. E eu sou de opinião de que todos temos o dever de cuidarmos de nossa saúde. É até mesmo uma questão de auto-estima. Cuidando de nossa saúde e de nosso corpo estamos cuidando também de nosso espírito.
Então, após comentar a respeito das duas eleições completamente diferentes para as Misses; após comentar sobre o gosto “meio fora dos padrões” do nosso amigo; e do meu último namorado também, deixo no ar a pergunta que não sei responder: o que faz com que um jovem, bonito, saudável, com um corpo dentro dos padrões ocidentais de beleza, sinta mais atração por um senhor, com mais ou menos o dobro da sua própria idade e, com alguns quilos a mais?
Quero deixar claro que eu não sinto nenhum problema com relação à minha idade, já que ostento com orgulho os meus cabelos grisalhos. E também não sou rigoroso com o meu peso ou minha forma física, já que não deixo de saborear as massas, os doces e os sorvetes de que tanto gosto, além de ser absolutamente preguiçoso para atividades físicas obrigatórias, como aquelas chatices impostas pelas academias. Prefiro uma boa caminhada, ou mesmo longos passeios a pé. Procuro, sim, não permitir que meu peso ultrapasse uma certa margem, mas aquí entram também questões que envolvem cuidados comigo mesmo e com minha saúde.
E como todo coroa, embora não fique indiferente a outro coroa que reúna alguns requisitos que eu admire, confesso que os mais jovens me atraem bastante. Mas tenho observado que, na verdade, eu mesmo tenho feito muito mais sucesso entre os jovens do que entre os mais maduros...


 Zeca07 - 20h02
[   ]


MEU PAI - SEU PAI - NOSSOS PAIS

Segunda parte
Anos depois, minha mãe conheceu seu atual marido, a quem eu amo muito, pois sempre foi para mim tudo aquilo que o meu próprio pai não foi. Sempre nos demos muitíssimo bem e, na verdade, eu fui o grande incentivador dessa união. Minha mãe não conseguia o divórcio, pois meu pai se recusava a assinar só para atrapalhar e acabaram vivendo juntos. Daí eu aproveitei para sair de casa e começar a viver a minha própria vida.
Muitos anos depois, acho que uns vinte, senão mais, eu já morava em Paraty, quando minha mãe telefonou avisando que meu pai estava muito doente e que ela me aconselhava a ir fazer-lhe uma visita, pois ele já estava desenganado pelos médicos. Estava na casa do meu irmão e eu resolví ir visitá-lo. Quando o ví, envelhecido pela doença, frágil, cabelos totalmente brancos, tudo o que sentí foi pena. Um homem que era bonito, inteligente e relativamente bem sucedido, reduzido a um rascunho, quase sem forças e numa cadeira de rodas. Nosso reencontro foi completamente apático. Ele me olhou e perguntou: como vai? Como se tivesse estado comigo no dia anterior! Tentamos conversar um pouco, mas a conversa não fluía. Era difícil. Então, fui embora e só voltei a vê-lo no hospital, atendendo à minha mãe. Por ironia do destino, no final da sua vida, as pessoas que cuidaram dele, que o acompanharam em seus últimos momentos, foram a minha mãe e o meu padrasto! Este dormia no hospital, levava-o para passear na cadeira de rodas, fazia companhia. Foi muito triste o fim dele! Quando fui visitá-lo, encontrei um homenzinho fraco, franzino, cabeça totalmente branca e quase sem forças para falar. Quando coloquei minha mão em seu ombro, sentí que ele se retesou e eu retirei minha mão, desfiz o gesto de carinho e fui chorar lá fora. Alguns dias depois, minha mãe ligou de madrugada avisando de sua morte. Fui ao enterro e, pela última vez ví o seu rosto, totalmente diferente daquele do qual eu me lembrava.
Eu contei tudo isso, em parte como desabafo, em parte para falar um pouco sobre ele e sobre a maioria dos pais de homossexuais. Quando lí o texto do Ricardo, fiquei muito emocionado e toda a minha história voltou à lembrança... e desde então, tenho pensado muito em tudo isso, em todas essas situações, em todas essas histórias.
Mas eu acho que eles não têm culpa! Meu pai, por exemplo, era filho de portugueses e como tal, trabalhou muito desde a infância. Só conseguiu estudar (fez direito) depois de casado, pois minha avó o fez aprender ”a profissão de São José” (ele era marceneiro). Depois de casado, livre enfim da influência de sua mãe, ele foi estudar, acabou fazendo o curso de direito e aprendeu inglês. E desenhava. Escondido.
Eu não sei muito mais que isso da história dele, mas imagino a vida dura e difícil que levou. O que aprendeu e as mensagens que recebeu durante toda a sua vida... homem é isso, é aquilo, não faz isso, não faz aquilo. Isso não é coisa de homem, é coisa de mulher. Ou isso não é coisa de mulher, é coisa de homem. Com tantas limitações, o que mais ele poderia passar para os filhos? Principalmente para um que era extremamente curioso, sensível, completamente diferente de tudo o que ele queria num filho? Eu não gostava de futebol, nem das outras brincadeiras de meninos. Mas gostava de ler, de desenhar, de música... Eu não era o primogênito que ele esperava! Ou talvez eu fosse o espelho onde ele detestava se enxergar...
E por hoje isso é tudo.


 Zeca07 - 22h48
[   ]


MEU PAI – SEU PAI - NOSSOS PAIS


Meu amigo Ricardo escreveu um texto em seu blog que me deixou passado! Falava dos pais de homossexuais em geral e do dele em particular. Sua história é triste, muito triste. Mas não é muito diferente de tantas outras que vamos ouvindo ao longo de nossas vidas. Eu mesmo poderia contar inúmeras histórias envolvendo o meu próprio pai. Mas o resumo da minha vida com o meu pai é até banal.

A única coisa que ele fez por mim e até hoje eu não consigo entender por quê, foi ter me ensinado a ler muito cedo. E em toda a minha infância e adolescência, os únicos momentos em que o sentí mais perto de mim, embora com uma certa tirania, era quando se sentava ao meu lado para me ensinar a ler e a escrever. Aos seis anos eu já lia e conseguia escrever quase que normalmente. Quando passei do Jardim da Infância (na época ainda era assim que se chamava o pré-escolar) para o Primário (hoje primeiro grau), minha professora não se conformava com meus conhecimentos e minha capacidade de ler e escrever. Eu era o melhor aluno da turma (aliás, fui o melhor aluno durante todos os anos básicos) e a sensação entre os professores. E além de inteligente, era também bastante bonitinho... risos. Daí, tanto sucesso. Até os coleguinhas me respeitavam e viviam me bajulando para ensinar-lhes aquilo que não conseguiam aprender.
Fora esse período de aprendizado, que de certa forma foi imposto por ele, nunca tive uma atenção especial, um sorriso, um abraço, um carinho. Eu sempre adorei desenhar. Lembro que ainda muito novo, uns três ou quatro anos de idade, rabisquei toda uma parede lateral da nossa casa com lápis. E como era bastante curioso, eu revirava as gavetas, os armários, em busca de novidades. E encontrei o grande segredo do meu pai! Ele se trancava na sala de jantar, acho que nas tardes de sábado e em algumas noites da semana e ninguém, nem mesmo minha mãe sabia o que ele ficava fazendo lá. Pois é! Um dia ele esqueceu a gaveta da escrivaninha aberta e eu descobrí, para minha surpresa, várias folhas com desenhos de lindas mulheres nuas. Ele gostava de desenhar! Não sei explicar porquê, mas até hoje guardei esse segredo. Nunca comentei com minha mãe, meu irmão ou minha avó, que morava conosco. E esse foi para mim, o único segredo que eu partilhava com ele. Acontece que, à medida que fui crescendo e aprimorando os meus desenhos, ele começou a tentar me impedir de desenhar. E conseguiu, durante um bom tempo. Quando eu já estava no segundo ou terceiro ano do Ginásio (hoje segundo grau), eu fiquei amigo do Cotrim, que tinha aulas de pintura. Quando eu ia estudar na casa dele, eu ficava maravilhado com os quadros que ele pintava e comecei a querer aprender também. Fui com meu amigo ao atelier do cara com quem ele aprendia e anotei todos os dados necessários. Fui para casa, feliz da vida e, quando meu pai chegou, conversei com ele sobre as aulas de pintura, o valor da mensalidade que iria pagar, etc.. Nem mesmo pude terminar a conversa, bruscamente interrompida por ele que me proibiu de desenhar e pintar, pois isso “era coisa de mariquinha, de mulherzinha” (era assim que se falava na época). Essa foi uma das minhas primeiras e maiores decepções. Ainda mais por saber do segredo dele, que desenhava escondido, acabei achando que meu pai também era mariquinha... e nunca mais desenhei ou pintei!
Antes disso, eu fui seminarista. É verdade! Já quis ser padre um dia! E era vocação mesmo! Minha mãe é do tipo de católica que não frequenta a igreja; minha avó rezava muito em casa, mas raramente ia à igreja e meu pai era ateu e se dizia comunista. Mas como era um homem com bom nível cultural, tinha muita amizade com alguns padres de um seminário que havia perto de casa. E eu era carola, frequentava a igreja regularmente, dava aulas de catecismo e queria mesmo ser padre. Nesse ponto meu pai não se opôs. Permitiu e até pagava, pois segundo ele o seminário era o melhor lugar para adquirir cultura. Só que, já no seminário, eu comecei a tomar aulas de piano e o professor precisava ser pago. Daí, escreví para os meus pais contando sobre isso e pedindo que me enviassem o dinheiro para as aulas. Ele proibiu. Simplesmente não permitiu que continuasse com minhas aulas e se recusava a pagar o professor. Só fui saber porquê depois do episódio das aulas de pintura, quando ele me jogou na cara que uma vez eu já havia querido aprender a tocar piano, instrumento de mulheres; e agora estava querendo pintar, coisa de mulherzinha...
Muitas coisas aconteceram entre nós durante os vinte anos em que vivemos juntos! Se fosse contar todas acabaria escrevendo um livro. Mas desde pequenininho, lembro claramente dele espancando a minha mãe. Ele era extremamente ciumento e por qualquer motivo, espancava com gosto. Algumas vezes eu me enfiava no meio dos dois, gritando, desesperado, pedindo que ele parasse com aquilo e acabava apanhando junto com minha mãe. Até o dia em que ela, já cansada de tanta violência, simplesmente arrumou as malas e foi embora de casa, após uma surra onde ficou toda machucada. Nessa época eu estava servindo o exército em uma cidadezinha do interior de São Paulo. Quando fui para casa no final da semana, encontrei minha avó me esperando no portão para me contar, chorando, o que havia acontecido. Minha mãe estava na casa de uma tia, procurando uma casa para morar junto com a minha avó. Enquanto isso, ela (minha avó) havia ficado com meu pai, pois queria ela mesma conversar comigo a respeito. Bem, eu não tinha condições de fazer nada, devido ao serviço militar. Então, terminei aquele ano e voltei para casa. Continuei morando com meu pai, arranjei emprego e fui estudar à noite. Pouco tempo depois, minha avó morreu e minha mãe ficou sozinha. Então, conversando com meu irmão, que é mais novo, resolvemos que eu iria morar com a minha mãe e ele, que sempre foi descaradamente o preferido do meu pai, ficaria morando com ele. Assim, nenhum dos dois ficaria sozinho.
Quando fomos conversar com ele a respeito da nossa decisão, ele não nos deixou falar. Apenas disse que, se um dos dois saísse de casa, que esquecesse que tinha um pai. E eu fui morar com a minha mãe! A partir daí, ele nunca mais me recebeu em casa! No mínimo saia, quando eu avisava que iria visitá-lo. Até um dia em que encontrei o portão trancado à chave e a empregada disse não ter permissão de me deixar entrar. Que eram ordens expressas do meu pai que eu nunca mais entrasse naquela casa. Saí dalí chorando muito, me sentindo humilhado, sem saber o que fazer. Aos poucos fui me acostumando e acabei desistindo de procurá-lo, pois nem ao telefone ele falava comigo.
Fim da primeira parte...


 Zeca07 - 22h36
[   ]





  "
 



Meu perfil
BRASIL, Sudeste, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, English, Livros, Cinema e vídeo, Pintura
Outro -
Histórico:
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006
  01/01/2006 a 31/01/2006
  01/12/2005 a 31/12/2005
  01/11/2005 a 30/11/2005
  01/10/2005 a 31/10/2005
  01/09/2005 a 30/09/2005
  01/08/2005 a 31/08/2005
  01/05/2005 a 31/05/2005
  01/03/2005 a 31/03/2005
  01/02/2005 a 28/02/2005
  01/01/2005 a 31/01/2005
  01/12/2004 a 31/12/2004
  01/11/2004 a 30/11/2004
  01/10/2004 a 31/10/2004
  01/09/2004 a 30/09/2004
  01/08/2004 a 31/08/2004
  01/07/2004 a 31/07/2004
  01/06/2004 a 30/06/2004
  01/05/2004 a 31/05/2004


Blogs que leio:
  ÁGUIA SERENA
  ANA
  ANDRESA
  ALF
  BEAGAY
  BRUNA
  CECI
  CLARICE
  CLAUDINHA
  CIGANINHO
  CHERRY
  CRYSTAL
  DE (AGILIZA)
  DO
  DORA
  DRIKA
  ELAYNE
  ELZA
  GIULIA
  GRACE
  HEBE
  INDIANIRA
  JANE I
  JANE II
  JEANETE RUARO
  JÉSSICA
  JÉSSICA II
  JOTA EFFE ESSE
  JU = MEDO DE AVIÃO
  JU = NAVEGANDO
  JULIO CESAR
  KARINE
  KATHY
  KEILA, A LOBA
  KERY
  LANA
  LIANNARA
  LINO RESENDE
  LOBABH
  LOBA/PALIMPNÓIA
  LUCIA MI
  LUZES DA CIDADE
  MAGUI
  MANOEL DONINI
  MÁRCIA(CLARINHA)
  MÁRCIA DO VALLE
  MARCO
  MARILIA
  MARY
  MASCARADOS
  MENSAGENS ESPIRITUAIS
  MESTRA DOS SONHOS
  MEU CARO VINHO
  MC MIGUEL
  MILY
  NANI
  NEY ALEXANDRE
  NORMANDO
  O APANHADOR DE SONHOS
  PLUTO FILHO DA PLUTA
  RAFAEL
  RAINHA DE COPAS
  ROSA
  ROSEMARI (I)
  ROSEMARI (II)
  RUBO JÜNGER
  SANDRA / AMERS
  SANKA
  SARAMAR (I)
  SARAMAR (II)
  SARAMAR (III)
  SERGIO
  SETH
  SIDPIM
  SIMPATIAEESCULACHO
  SONIA
  TANER
  TOM
  VOANDO PELO CÉU DA BOCA


VOTAÇÃO
 Dê uma nota para meu blog!


Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com




O que é isto?