POR QUE SERÁ QUE SENTIMOS TANTA SAUDADE?

Tá certo que a saudade alimenta, aquece, acalenta, mas também dói. Especialmente quando não podemos curtir as pessoas queridas, não podemos tê-las por perto, interagir com elas... eu sinto uma saudade imensa em meu coração, às vezes fazendo-o bater descompassadamente a cada amiga(o) lembrada(o)!

Estou, neste momento, sentado numa lan-house de uma cidade do interior do estado de São Paulo, para onde fugí por algum tempo dos problemas que estavam ameaçando minha saúde e minha sanidade. Mas garanto a todos que estou bem e - se tudo correr normalmente - em breve, retornando à normalidade. Às vezes somos forçados a admitir a necessidade de um período forçado de férias de tudo e de todos para que possamos nos reciclar e nos reinventar. E é mais ou menos isso o que ando fazendo neste período de desaparecimento completo. Ninguém sabe onde estou. Ninguém sabe onde me encontrar. Apenas uma única pessoa (de minha total confiança) conhece meu paradeiro e meus passos para uma eventual urgência.

Mas os amigos tão queridos seguem comigo pelas minhas trilhas, onde busco minha essência, minha identidade quase perdida, meu eu mais profundo. Claro que carrego-os todos dentro do coração, que arejo e ilumino com os raios de sol que invadem as janelas sempre abertas. E também troco, todos os dias, as flores frescas para tornar esse espaço o mais belo e aconchegante para todo o carinho que tenho recebido em todos os recados deixados.

E assim, sigo por aquí, em busca de mim mesmo, mas sentindo-me protegido pelo círculo delicioso de amigos que tanta força me dão.

Deixo a todos o meu beijo carinhoso e um

ATÉ MUITO BREVE!



 Zeca07 - 16h06
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Ainda limitado às fugidas a uma lan house, deixo aquí meu abraço saudoso a todos os amigos. Assim que puder, estarei novamente interagindo com todos. Por enquanto, limito-me a ler alguns, sem comentários, para ganhar tempo que me possibilite a leitura de mais alguns...

 

ANTIGAS TERNURAS*

 

Criança feliz, feliz a cantar,alegre a embalar seu sonho infantil...

 

Na década de cinqüenta, ainda tínhamos reis e rainhas da voz, como o inesquecível Francisco Alves, que cantava a música acima embalando tantos corações infantis (e adultos também). Eu o conhecí graças a minha avó , que era sua fã e cantarolava suas músicas, ensinando-as a mim e ao meu irmão.

Naquela época, ainda brincávamos na rua, ou mesmo em terrenos cheios de mato, onde construíamos toscas cabanas ou nos perseguíamos como mocinhos e bandidos. Os medos que nossos pais tentavam nos passar eram os lobos maus, bichos papões ou bruxas que comiam criancinhas. Mas nada que nos deixasse apavorados. Não se ouvia falar em crimes brutais, nem em seqüestros, ou estupros. Talvez até existissem. Mas não povoavam nossas cabecinhas, repletas de fadas, príncipes, bruxas, animais falantes e histórias de heroísmos mirabolantes.

No início da noite, para “tomar a fresca”, muitas famílias levavam suas cadeiras para as calçadas e proseavam com os vizinhos, enquanto seus gurís brincavam de pega-pega, queimada, cabra-cega, passa anel e outras bincadeiras. Nas noites chuvosas, ou mais frias, a família se reunia ao redor de um tabuleiro, jogando War, Banco Imobiliário ou Detetive. Havia também os jogos de mímica, de adivinhações ou mesmo qlguém que se dispunha a contar uma história que as crianças ouviam com enorme atenção.

Nessa época a televisão ainda engatinhava no país. E nem todas as famílias tinham condições de possuir uma. Nós tínhamos uma caixa enorme, sobre pés palito, se não me engano, da marca Telefunken. Mas a programação era fraca e o que mais nos agradava mesmo era a Ginkana Kibon aos domingos, com o divertido Cirquinho do Arrelia e seu companheiro Pimentinha.

 

continua abaixo...



 Zeca07 - 15h33
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continuação...

 

ANTIGAS TERNURAS - parte 2

 

Como vai, como vai, como vai? Muito bem, muito bem-bem-bem...

 

Pouco a pouco, à medida que fomos crescendo, a programação da televisão foi se apurando e nós, sendo seduzidos pela telinha. Os pais deixaram de sentar-se nas calçadas para assistir ao Repórter Esso. As mães também acabaram abrindo mão da prosa com as vizinhas para assistir aos “emocionantes” capítulos das telenovelas. E as crianças passaram a ter programas infantis que iam das cinco às sete da tarde, com os desenhos do Pica-pau, Frajola e Piu-piu, Gato Félix, Bip-bip e todos os que iam surgindo. E naquela época ainda não se sonhava com computadores e, muito menos, com algo como a internet.

As crianças brincavam na rua, mas apenas pela manhã, ou à tarde, dependendo dos horários escolares. Soltavam pipas, jogavam bolinhas de gude, brincavam de pique-esconde, andavam de bicicleta pelos arredores.

Durante a adolescência fui perdendo o contato com esses hábitos, comecei a curtir as namoradas (que eram todas virgens, como eu) ou as saídas com os amigos para bailinhos ou cinemas. Depois, os estudos foram apertando nossos horários, a faculdade, o primeiro emprego e a maturidade. O universo infantil nunca esteve tão distante. Também não sei dizer como nem quando me perdi dos meus pais.

A televisão ganhou cores e foi se tornando cada vez mais acessível a todos. As notícias foram se aproximando no tempo, os jogos de futebol transmitidos ao vivo. Já havíamos visto o homem pisando a lua e imagens de guerras longínquas. Mulheres belíssimas coroadas como Miss Universo. Mas não se conversava mais, nem mesmo em família. O único som em nossas salas era o da tv. Os jovens se afastavam dos pais e, alguns, de casa. Sem serem notados.

O movimento hippie, o sexo livre (faça amor, não faça a guerra), as drogas alucinógenas passaram a habitar nossos dias. Já ouvíamos (ou víamos) notícias de gangues violentas em metrópoles como Nova Iorque, por exemplo. Mas tudo era tão distante que nem percebíamos as drogas e a violência se infiltrando lentamente em nossas cidades, em nossos bairros, em nossas ruas. Ainda tínhamos uma certa inocência.

De repente, acordamos assustados, violentados com alarmes e grades envolvendo nossas casas. Notícias inconcebíveis da morte violenta de um casal de namorados adolescentes, perpetrada barbaramente por outro adolescente. De pais barbaramente assassinados, com o auxílio da filha bem nascida e bem criada. De bandidos presos que orquestram seus comandados para aterrorizarem as maiores cidades do país. De uma família queimada viva, com um garotinho de cinco anos, dentro de um carro. De passageiros queimados vivos dentro do ônibus. De um garotinho de seis anos, arrastado por sete quilômetros, enquanto seu corpo se despedaçava, preso ao cinto de segurança do carro roubado da própria mãe que assistiu, impotente, esse martírio medieval... e outras crianças, sendo atingidas por balas perdidas no caminho da escola, ou dentro da “proteção do seu lar”!...

 

Serão essas as antigas ternuras dos nossos netos?

 

* Homenagem ao amigo Marco Santos, do Blog Antigas Ternuras, do qual sou fã incondicional...

Ainda bem que suas antigas ternuras são as minhas, as nossas.



 Zeca07 - 15h32
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AMIGOS QUERIDOS

 

Estou bem. Apenas enfrentando mais um período daqueles que nos testam, nos entorpecem a vida, nos tiram dos eixos. Mas nada que eu não possa superar. Principalmente sabendo que tantas pessoas estão a postos para enviar-me vibrações positivas e carinho, do coração. Essa certeza alimenta e fortalece, ajudando a seguir as tortuosas trilhas, até que, numa encruzilhada qualquer, reencontremos o "bom caminho", aquele que nos trará de volta à estrada da vida e ao reencontro com os amigos de tantas saudades.

 

Obrigado pelos e-mails, pelas palavras, pelas preocupações. E, principalmente, pelas orações.

 

Beijos. Abraços.



 Zeca07 - 18h03
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LIBERDADE
 
Subí as ladeiras de Carmo da Ponte sem sentir as pernas, arrastadas pelos pés teimosos e indiferentes à coluna dobrada e aos tornozelos inchados. Nas mãos, a sacola plástica com as compras feitas no mercadinho ao lado da ponte. E a inevitável garrafa de aguardente.
O calor rolava pela minha testa, deixando pequenos córregos ao longo do rosto. A camisa, úmida, ostentava duas enormes manchas sob os braços e colava-se nas costas e na barriga avantajada.
Parei para esquivar-me do moleque que corria ladeira abaixo e apreveitei para recuperar o fôlego e desembaçar o olhar lacrimejante.
Na porta de casa, atrapalhado com as chaves, tremia levemente ao penetrar a fechadura com a chave indiferente a tudo. Abrí a janela da sala, fechei a cortina e comecei a tirar a roupa que ia se amontoando no chão. Passei a cueca úmida pelo sexo que fingiu dar um sinal de vida e aquietou-se, grato pela carícia não intencional.
Deitei-me no sofá manchado e gasto pelo uso, tomei um gole da branquinha e acendí um cigarro entre acessos de uma tosse seca que me acompanhava há anos.
Através da fumaça, ví Maria Amélia saindo, nua, do banheiro. Os longos cabelos negros desciam, molhados, pelas costas morenas. Sob seios fartos e a barriga lisa, com uma pequena cicatriz lateral, o triângulo negro e generoso, que tantos prazeres me proporcionou.
O doce perfume do sabonete atingiu-me no mesmo momento em que ela, com seu jeito dengoso, deitou-se sobre mim no sofá. Não nos beijamos. Trocamos apenas um tímido sorriso que deveria iniciar as cenas iminentes. Mas antes que a enlaçasse com meus braços, ela sussurrou, carinhosa, que cansara de esperar por mim e viera buscar-me. Retribuí com um sorriso cansado, fechei os olhos turvos e entreguei-me a ela. Incondicionalmente.
Ainda deitada sobre meu corpo, Maria Amélia me abraçou e, protegido por aquele amoroso abraço, sentí-me levitando.
Não abrí os olhos. Apenas permití que aquela doce sensação de liberdade e leveza tomasse nossos corpos enlaçados e me deixei ser totalmente dominado pela única mulher que amei em todos os meus oitenta e sete anos. Finalmente havíamos nos reencontrado! Há mais de vinte anos não nos víamos. Há mais de vinte anos eu chorava de saudade.
 


 Zeca07 - 01h24
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